A Marinha de Taiwan prepara-se para avançar, num prazo curto, com a modernização da segunda fragata da classe Kang Ding, depois de o navio ter dado entrada recentemente no estaleiro CSBC, situado na cidade de Kaohsiung. Esta intervenção integra um programa alargado de actualização das seis unidades da classe, pensado para reforçar os seus sistemas de combate e, sobretudo, a defesa antiaérea.
Segundo observadores locais, a fragata Kang Ding com o número de casco 1202 chegou a Taiwan por volta das 11:00 do dia 2. Durante a sua entrada no estaleiro, foi possível verificar que grande parte da plataforma do radar de busca de baixa altitude Poseidon G, instalada atrás do mastro de popa, já tinha sido desmontada. Em paralelo, o lançador de mísseis antiaéreos Sea Tree, localizado na posição do canhão B, foi retirado como etapa preparatória para as melhorias planeadas.
Progresso no programa de modernização naval das fragatas classe Kang Ding
A chegada desta segunda unidade ao CSBC ocorre depois de a fragata Chengde, também da classe Kang Ding, ter concluído o seu próprio projecto de melhoria de desempenho. Essa fragata foi equipada com o míssil de defesa aérea Sea Sword II, que deverá, em breve, ser sujeito a testes com disparo real.
O plano de modernização promovido pela Marinha prevê um investimento superior a 43.159 milhões de dólares taiwaneses e concentra-se na renovação dos sistemas de combate, dos radares de defesa aérea e do conjunto de capacidades de mísseis. Em particular, a posição do canhão B deverá receber uma cópia do sistema de lançamento vertical Hua Yang, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Chung-Shan, em combinação com o míssil de defesa aérea Jian-2. Esta arquitectura pretende alargar a protecção antiaérea e antimíssil dos navios, reforçando a sua capacidade de responder a ameaças aéreas a distâncias mais significativas.
De acordo com o calendário oficial, a modernização completa das seis fragatas Kang Ding deverá prolongar-se até 2030.
Uma consequência prática desta actualização é a possibilidade de padronizar procedimentos de emprego e manutenção entre navios da mesma classe, o que tende a reduzir tempos de indisponibilidade e a facilitar a gestão de sobressalentes. Além disso, a introdução de um sistema de lançamento vertical como o Hua Yang implica tipicamente ajustamentos na doutrina de treino das guarnições, nomeadamente em operação de sensores, gestão de engajamentos e coordenação com outras plataformas de defesa aérea.
Fragatas com mais de 25 anos de serviço
As fragatas da classe Kang Ding estão ao serviço da Marinha de Taiwan há mais de 25 anos. Assentes no desenho das fragatas classe La Fayette da Marinha Nacional Francesa, destacaram-se, à época, pelas suas características de baixa detectabilidade (furtivas) e por capacidades relevantes em combate anti-superfície e anti-submarino.
Ainda assim, no momento da aquisição, Taiwan não conseguiu integrar a totalidade dos sistemas de armas previstos no conceito original, o que levou à incorporação de equipamentos alternativos de origem norte-americana e de produção local. Como resultado, durante anos estas fragatas operaram com uma defesa antiaérea limitada, dependente de mísseis Sea Chaparral com um alcance aproximado de 8 km.
É precisamente esta limitação que o programa de modernização procura corrigir: com a instalação do lançamento vertical Hua Yang, estima-se que o alcance da defesa aérea possa aumentar para cerca de 32 km, enquanto o número de mísseis disponíveis passará de 4 para 32 unidades, na variante Sea Sword II.
Cooperação com França para sustentar a frota
Em paralelo com as melhorias de combate, Taiwan assinou em 2024 um contrato com a França para garantir a manutenção e a prontidão operacional das seis fragatas Kang Ding. O acordo, avaliado em 2.490 milhões de dólares taiwaneses (cerca de 79,37 milhões de dólares norte-americanos), vigora de 18 de Janeiro de 2024 a 18 de Janeiro de 2026, tendo Kaohsiung como local de execução.
Segundo a Agência Central de Notícias de Taiwan (CNA), o Ministério da Defesa indicou que este contrato ajudará as fragatas baseadas no desenho La Fayette a preservar o seu nível de prontidão para combate, num contexto em que se regista presença frequente de navios e aeronaves chineses na zona de identificação de defesa aérea (ADIZ) de Taiwan.
Com a próxima modernização da segunda unidade no estaleiro CSBC, a Marinha de Taiwan dá continuidade à renovação de uma das principais plataformas da sua frota de superfície, procurando garantir maior capacidade de sobrevivência e eficácia num ambiente operacional cada vez mais exigente.
Imagens meramente ilustrativas.
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