No evento da XPeng em Munique, além de termos visto um G6 revisto em vários pontos, ficámos também a saber o que a marca chinesa está a preparar para o SUV maior da gama, o XPeng G9 2026, ainda antes do final do ano.
Depois de o ter experimentado no início deste ano, confesso que o G9 deixou marca - e a atualização promete reforçar precisamente aquilo em que já era forte. À primeira vista, é difícil perceber o que mudou: tanto no exterior como no interior, as alterações visuais são discretas e não transformam o seu aspeto de forma evidente.
As novidades mais importantes, no entanto, estão escondidas - e são essas que têm impacto real no dia a dia.
XPeng G9 2026: plataforma de 800 V com SiC e carregamento até 525 kW
O XPeng G9 2026 recebe uma evolução relevante no sistema elétrico. À semelhança do que acontece no G6, a plataforma integral de 800 V passa a integrar carboneto de silício (SiC) e, sobretudo, fica disponível em todas as versões.
Segundo a XPeng, esta configuração permite atingir uma potência máxima de carregamento de 525 kW, um valor que a marca apresenta como recorde no setor dos automóveis elétricos.
Se encontrar um posto de carregamento que suporte estas potências, a marca aponta para um cenário ideal em que é possível passar de 10% a 80% de carga em 12 minutos.
No contexto português, isto significa que o potencial técnico do G9 depende bastante da rede disponível: quanto mais comum se tornar o carregamento ultrarrápido (e quanto mais estável for a potência entregue), mais fácil será tirar partido deste tipo de arquitetura de 800 V em viagens longas.
Baterias LFP: duas capacidades, sem NMC
Também na bateria há mudanças alinhadas com a tendência do mercado. No G9, existem duas opções, ambas com química de fosfato de ferro-lítio (LFP), deixando de lado a tecnologia NMC (níquel, manganês e cobalto).
A diferença está na capacidade e na configuração:
| Versão | Capacidade da bateria | Autonomia máxima (WLTP) |
|---|---|---|
| Tração traseira, Autonomia Standard | 79 kWh | até 502 km |
| Tração traseira, Autonomia Alargada | 93,1 kWh | até 585 km |
| Tração integral, Desempenho | 93,1 kWh | (até 585 km, consoante versão) |
A adoção de LFP pode ser especialmente interessante para quem privilegia uso diário e consistência ao longo do tempo, já que esta química é frequentemente associada a boa robustez em ciclos de carga - um ponto relevante num SUV pensado para fazer muitos quilómetros.
Equipamento de topo: no XPeng G9 2026 quase tudo parece “versão completa”
Se há algo que se mantém no XPeng G9, é a sensação de estar perante um automóvel com uma lista de equipamento de série acima do comum - mesmo quando comparado com o que muitas marcas reservam para níveis de luxo.
Um exemplo prático é o fecho suave das portas: basta encostar a porta para que esta finalize o fecho automaticamente, sem esforço adicional.
No interior, existem quatro ambientes de cores e materiais, com destaque para o novo Castanho Café. Em qualquer um deles, a XPeng refere que cerca de 95% das superfícies são macias ao toque, evitando arestas e rugosidades desconfortáveis. Os bancos são revestidos a pele e utilizam 26 mm de espuma de recuperação lenta, com um desenho ergonómico em 12 camadas.
No percurso que fizemos - combinando cidade, estrada e autoestrada - fica a sensação clara de que o habitáculo cria um “casulo”: a insonorização está num nível muito alto e o conforto é um dos pontos mais fortes do conjunto.
Para isso contribui (e muito) a suspensão pneumática inteligente de dupla câmara, acompanhada por amortecedores com regulação eletromagnética. Mesmo com jantes de 21 polegadas e um conjunto a rondar as 2,5 toneladas, a serenidade a bordo mantém-se impressionante.
E o equipamento vai mais longe: bancos dianteiros e traseiros aquecidos, ventilados e com massagens. E não se trata de um sistema genérico: com o Pacote Bancos e Áudio de Gama Alta, a XPeng inclui massagens Shiatsu de 10 pontos, desenvolvidas em conjunto com especialistas em ortopedia.
Tecnologia ao serviço de quem viaja
À frente, há dois ecrãs táteis com quase 15 polegadas cada, acompanhados por um ecrã mais pequeno dedicado à instrumentação. O ecrã do passageiro dianteiro está orientado para entretenimento e não permite, por exemplo, abrir a navegação para assumir um papel de copiloto.
Ainda assim, o G9 continua a surpreender em detalhes: pode incluir um modo de meditação e um purificador de ar do habitáculo, com filtragem pensada para lidar com pólenes.
Mesmo com um teto panorâmico de grandes dimensões em vidro prateado - que, segundo a XPeng, consegue bloquear 99,99% da radiação UV e reduzir a temperatura interior até 8 ºC -, a climatização mostrou capacidade para manter uma temperatura estável e confortável a bordo.
Vale também notar a abordagem cada vez mais digital: a lista de assistências à condução é extensa, existem atualizações remotas sempre que necessário e a chave tradicional perde protagonismo. No XPeng G9, pode ser substituída por um cartão ou pelo telemóvel, com acesso a uma aplicação para consultar e controlar várias funções do automóvel.
Som e conforto: Dynaudio, 20 altifalantes e Dolby Atmos
Para quem dá prioridade ao áudio, o Pacote Bancos e Áudio de Gama Alta inclui um sistema desenvolvido com a Dynaudio, com 20 altifalantes (incluindo unidades integradas nos bancos) e som envolvente com Dolby Atmos - que, durante o nosso contacto, se revelou muito competente.
Edição especial: acabamento total em preto
Quando chegar ao mercado, no último trimestre deste ano, o XPeng G9 2026 contará com uma versão específica, a Edição Preta. Como o nome sugere, distingue-se por acabamentos exteriores e logótipos em preto integral.
As jantes de 21 polegadas surgem escurecidas e as pinças de travão adotam um tom laranja bem vivo, criando contraste com o resto do conjunto.
Para já, ainda não há preços definidos para Portugal, mas esta atualização do XPeng G9 promete intensificar a pressão sobre os seus rivais mais diretos no segmento dos SUV elétricos de grande porte.
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