Saltar para o conteúdo

Plano de eletrificação da Mazda deu um passo importante

Carro elétrico desportivo Mazda EV 2030 vermelho exibido numa sala moderna com carregador ao fundo.

A Mazda acaba de dar mais um passo decisivo na sua estratégia de eletrificação, ao assinar um acordo para a construção de uma nova fábrica de baterias - um movimento-chave para sustentar a expansão do automóvel elétrico na sua gama.

Mazda e a eletrificação: fábrica de baterias em Iwakuni para acelerar o automóvel elétrico

Segundo o comunicado oficial, as novas instalações ficarão situadas em Iwakuni, no Japão, e terão como missão principal produzir módulos de baterias. Para isso, serão utilizadas células cilíndricas de iões de lítio fornecidas pela Panasonic Energy Co.

A unidade terá cerca de 190 mil m² e foi desenhada para atingir uma capacidade anual de 10 GWh, um investimento estratégico de grande relevância para a Mazda, tanto pela escala como pelo impacto na sua cadeia de fornecimento.

A construção deverá arrancar em novembro de 2025, com início de operações previsto para 2027 - uma calendarização alinhada com a próxima etapa do plano de eletrificação do construtor.

A marca sublinhou ainda o carácter histórico do projecto: “A Fábrica de Iwakuni será uma base fundamental para a nossa estratégia global. A construção destas novas instalações marca um passo importante na transição da Mazda”. Importa lembrar que, desde 1992, aquando da abertura da Fábrica Hofu No. 2, a Mazda não inaugurava uma nova unidade de produção no Japão.

Três fases até 2030: eletrificação sem abandonar a combustão

Tal como tinha indicado há cerca de três anos, a Mazda mantém o ritmo na transição para a eletrificação. Esta evolução não significa o desaparecimento imediato da combustão, mas até 2030 a marca de Hiroshima pretende colocar um foco particular no automóvel elétrico e em todo o ecossistema que o acompanha.

O plano está organizado em três fases, estando actualmente em curso a segunda fase, que arrancou este ano. Este período estende-se até 2027 e contempla o lançamento de mais modelos elétricos à medida que se aproxima essa data. Já a terceira fase, com início previsto em 2028, além de incluir novos elétricos, integra também a produção de baterias - exactamente o ponto em que se enquadra a nova fábrica.

Um detalhe relevante é que a aposta em módulos com células cilíndricas de iões de lítio tende a dar à Mazda maior flexibilidade na evolução tecnológica (por exemplo, em densidade energética e gestão térmica), ao mesmo tempo que reduz dependências externas numa componente crítica do custo de um automóvel elétrico.

Também do ponto de vista industrial, produzir localmente módulos de baterias pode facilitar a padronização e a escalabilidade de futuras plataformas, algo particularmente importante num mercado em rápida mudança e com exigências crescentes em matéria de eficiência e emissões.

Gama elétrica na Europa: MX-30 R-EV e 6e

Actualmente, na Europa, a Mazda tem apenas dois elétricos à venda:

  • MX-30 R-EV (com extensor de autonomia)
  • 6e, que deriva directamente do Deepal SL03, do grupo chinês Changan

Nenhum destes modelos utiliza as baterias cilíndricas que a Mazda vai produzir, pelo que é expectável que surjam novidades na oferta elétrica da marca japonesa ao longo dos próximos dois anos, à medida que a estratégia industrial e de produto se aproxima dos marcos definidos para 2027 e 2028.

Reutilizar baterias: sustentabilidade, economia circular e Sweep Energy Storage System

Para lá da produção de baterias, a Mazda tem reforçado a vertente de sustentabilidade e economia circular. A empresa anunciou recentemente a participação num projecto de reaproveitamento de baterias usadas em parceria com a Toyota.

O sistema, chamado Sweep Energy Storage System, recorre a baterias provenientes de veículos elétricos e híbridos da Toyota. Estas baterias são ligadas à rede eléctrica para fornecer energia à fábrica da Mazda em Hiroshima, contribuindo para uma utilização mais eficiente de recursos e para a redução do desperdício associado ao fim de vida dos componentes.

Este tipo de solução pode ainda ajudar a estabilizar consumos industriais e a gerir melhor picos de procura energética, dando uma segunda vida a baterias que, embora já não estejam no ponto ideal para uso automóvel, continuam úteis em aplicações estacionárias.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário