Navantia levou a Estocolmo a sua experiência e competências no projecto, construção e apoio ao ciclo de vida de navios de combate de superfície, no âmbito do programa sueco para a aquisição de novas fragatas ligeiras da classe Luleå.
A iniciativa decorreu durante a escala no porto da capital sueca da fragata F-102 Almirante Juan de Borbón, da Marinha Espanhola, actualmente a actuar como navio-almirante do Grupo Marítimo Permanente da OTAN 1 (SNMG-1), uma das forças navais permanentes da Aliança com actividade centrada, sobretudo, nas águas do norte da Europa.
Visita institucional a bordo da F-102 e contactos de alto nível
A delegação da Navantia foi liderada pelo seu presidente, Ricardo Domínguez, que se deslocou a Estocolmo por ocasião desta escala. Durante a visita, a F-102 recebeu mais de uma centena de convidados, incluindo o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson; o ministro da Defesa Civil, Carl-Oskar Bohlin; o chefe da Marinha Sueca, almirante Johan Norlen; o director da Administração Sueca de Material de Defesa (FMV), almirante Fredrik Linden; além de representantes da indústria de defesa e dos meios de comunicação social.
O ministro da Defesa sueco foi recebido a bordo pelo almirante Chefe do Estado-Maior da Marinha Espanhola, Antonio Piñeiro, e pelo embaixador de Espanha na Suécia, Luis Cuesta.
Navantia e a proposta para o programa Luleå (fragatas ligeiras da classe Luleå)
Neste enquadramento, a Navantia apresentou a sua abordagem para as futuras fragatas ligeiras destinadas à Marinha Sueca. A proposta prevê a construção de quatro unidades, com a entrega das duas primeiras em 2030 e das duas restantes em 2031, concebidas em linha com os requisitos suecos e com capacidade para interoperar num ambiente OTAN.
De acordo com o que foi exposto pela empresa, o conceito inclui um modelo de apoio ao ciclo de vida orientado para assegurar, no longo prazo, a disponibilidade operacional dos navios.
Paralelamente, durante a estadia em Estocolmo, a equipa da Navantia realizou reuniões com empresas industriais e tecnológicas suecas, com o propósito de reforçar a cooperação e promover uma participação significativa da indústria local no projecto.
“A Navantia está em posição de ser um parceiro fiável para a Suécia, disponibilizando rapidamente uma capacidade naval plenamente operacional, totalmente alinhada com os requisitos suecos, juntamente com um apoio ao ciclo de vida melhorado com tecnologias digitais de última geração e uma estreita participação da indústria sueca”, afirmou Ricardo Domínguez, presidente da companhia.
Um aspecto frequentemente decisivo neste tipo de programas é a capacidade de estruturar, desde o início, um sistema de manutenção com dados e rastreabilidade, que reduza tempos de indisponibilidade e permita planear intervenções com base em condição real do equipamento. A referência a tecnologias digitais de última geração insere-se precisamente nesta tendência, com benefícios directos na previsibilidade de custos e na prontidão.
Também a integração industrial no país cliente tende a facilitar formação, suporte e cadeia logística, contribuindo para autonomia gradual na sustentação. Para a Suécia, a participação de fornecedores nacionais pode ainda servir objectivos de resiliência e segurança de abastecimento.
Contexto do YSF2030 e avaliação de alternativas pela FMV
Em paralelo a estes contactos, a FMV confirmou que está a analisar soluções alternativas “fora da plataforma” para o programa Ytstridsfartyg 2030 (YSF2030), para além da proposta nacional liderada pela Saab através da sua divisão Kockums.
O programa Luleå prevê a incorporação de quatro corvetas pesadas com capacidades de defesa aérea e de operação com helicópteros anti-submarinos. Embora o desenho-base tenha sido encomendado à Saab, com participação do construtor britânico Babcock, o Ministério da Defesa sueco atribuiu à FMV uma missão adicional para avaliar procedimentos alternativos de aquisição, incluindo produtos existentes de diversos fornecedores internacionais.
A FMV indicou que o processo de avaliação prosseguirá até ao final deste ano e que, devido ao carácter confidencial do procedimento, não serão divulgados mais detalhes.
Prazos exigentes, cooperação internacional e necessidades operacionais na OTAN
O calendário do programa Luleå é considerado particularmente apertado, com a ambição de colocar o primeiro navio ao serviço em 2030 e de ter as quatro unidades entregues até 2035. Neste contexto, fontes do sector apontam que recorrer a projectos estrangeiros já existentes pode ajudar a cumprir os prazos estabelecidos.
Desde a adesão da Suécia à OTAN, representantes da sua Marinha têm sublinhado a necessidade de dispor de navios capazes de operar para além do Mar Báltico, incluindo missões no Mar do Norte e operações anti-submarinas em zonas como a passagem GIUK, com funções secundárias de defesa aérea.
É neste cenário que a Navantia procura afirmar-se como um dos possíveis fornecedores internacionais para o programa, num processo que permanece em aberto e sob avaliação pelas autoridades suecas.
Imagem de capa da fragata da classe Luleå apresentada apenas para fins ilustrativos.
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