No dia de hoje, 26 de novembro, o protótipo do novo submarino Hai Kun de construção nacional (número de casco SS-711), desenvolvido para a Marinha de Taiwan, realizou o seu sexto teste no mar depois de concluir uma sequência de avaliações à superfície nas águas próximas do porto de Kaohsiung. Esta saída teve como foco a validação de elementos críticos, nomeadamente o sonar, o sistema de propulsão e os registos de operação do submarino. Chegou a circular a possibilidade de ser efectuado o primeiro mergulho da unidade, mas essa manobra acabou por não acontecer. Ainda assim, vários meios de comunicação locais em Taiwan referem que a entrega poderá ocorrer no próximo mês de junho.
Enquadramento do programa do submarino Hai Kun (SS-711)
O Hai Kun tinha, inicialmente, a entrada em testes no mar prevista para abril do ano anterior, com entrega apontada para o fim de novembro. Contudo, o primeiro ensaio foi adiado para 17 de junho, acumulando-se atrasos ao longo dos meses por diferentes factores. Mais tarde, a 28 de novembro, após completar o quinto teste à superfície, a CSBC comunicou que o submarino tinha transitado para a fase de ensaios com operações submersas.
Durante o mês de novembro, o Instituto Nacional Chung-Shan de Ciência e Tecnologia (NCSIST) e fontes da Marinha confirmaram que o protótipo executou testes adicionais de navegação, calibrações de sistemas e avaliações de estabilidade. Entre as verificações realizadas estiveram manobras de guinada, controlo direccional e a confirmação do desempenho do sistema de propulsão diesel-eléctrica. Segundo responsáveis citados pela imprensa local, apesar dos atrasos já registados, o protótipo continuava a ser considerado “dentro do planeamento”.
Um ponto particularmente relevante num programa deste tipo é a passagem gradual de ensaios à superfície para validações submersas, porque é nessa fase que se comprovam, em condições reais, a estanqueidade, a segurança e a integração entre sensores, propulsão e controlo. Em paralelo, a progressão dos testes costuma incluir métricas de ruído, comportamento em diferentes velocidades e profundidades, e a robustez dos procedimentos de emergência, que são determinantes para a aceitação operacional.
Preparação do futuro primeiro mergulho do Hai Kun
Embora o primeiro mergulho não se tenha concretizado nesta prova, a CSBC descreveu o conjunto de procedimentos necessários para garantir que o submarino consegue operar em profundidade de forma segura e por períodos prolongados. Antes de cada mergulho, é obrigatório cumprir um ciclo de actividades prévias organizado em quatro etapas principais:
- Planeamento de cargas
- Inspecção de cargas
- Verificação de sistemas
- Exercícios práticos
Planeamento e inspecção de cargas
No planeamento de cargas, é definida a capacidade necessária para combustível, pessoal, água potável, alimentos, ar pressurizado, armamento, munições e equipamento de salvamento e de controlo de avarias, tendo em conta a distância a percorrer, a duração e as condições meteorológicas previstas para a missão. Em seguida, calcula-se o peso total e a sua distribuição, assegurando a estabilidade do navio e evitando perda de controlo ou inclinações perigosas.
Já na fase de inspecção, os itens são carregados e verificados individualmente com base em listas de controlo. Depois, é feito um inventário completo a bordo para remover quaisquer cargas temporárias ou excedentárias. Por fim, os dados são actualizados de modo a confirmar a estabilidade global do submarino.
Verificação de sistemas e exercícios (sonar, propulsão e segurança)
O estaleiro indicou que a verificação de sistemas é comparável a “uma inspecção pré-voo de uma aeronave”. Nesta etapa confirma-se a correcta vedação de portas e compartimentos estanques, bem como o funcionamento dos sistemas hidráulicos, eléctricos, de ar e de controlo. Também é validada a operacionalidade dos sistemas de supressão de incêndios, detecção de fugas, iluminação de emergência, balsas salva-vidas e rotas de evacuação.
A CSBC sublinhou que qualquer falha em ambiente submerso pode tornar-se crítica, pelo que a segurança é tratada como o eixo central de todo o processo. A etapa final consiste nos exercícios, durante os quais a guarnição treina procedimentos básicos de navegação, operação de armas e comunicações, além de simulações de resposta a emergências como avarias de motor, falhas de energia, alagamentos ou incêndios.
Tripulação e reforço com a 256.ª Esquadra
Nos cruzeiros de teste, para além da tripulação regular, seguem igualmente técnicos especializados, o que aumenta de forma significativa o número de pessoas a bordo. A CSBC explicou que, por se tratar do primeiro submarino construído em Taiwan, a empresa não dispunha, numa fase inicial, de pessoal de submarinos suficiente e plenamente qualificado para constituir uma tripulação de ensaio. Por esse motivo, foram excepcionalmente integrados militares da 256.ª Esquadra da Marinha para apoiar as actividades de teste.
Este tipo de integração entre estaleiro, técnicos e Marinha é comum em programas inaugurais, porque permite transferir conhecimento para a operação e manutenção futuras, ao mesmo tempo que acelera a validação de procedimentos. Além disso, a consolidação de rotinas de treino e de listas de verificação padronizadas tende a reduzir riscos na passagem para ensaios mais exigentes, como os testes em profundidade e a avaliação do desempenho do sonar em diferentes perfis de navegação.
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