A Força-Tarefa Conjunta do Paraguai (FTC), em coordenação com o Comando de Operações de Defesa Interna (CODI), intensificou a presença operacional em vários pontos do país para alargar o alcance da operação “Escudo Guarani”. A intervenção foi organizada por duas áreas geográficas - Norte e Sul - e envolveu efectivos do Exército, da Marinha, da Força Aérea e do Comando Logístico, além do apoio de unidades da Polícia Nacional, do Ministério Público e da Secretaria Nacional Antidrogas.
Escudo Guarani (FTC e CODI): departamentos visados e objectivo principal
As acções concentraram-se em quatro departamentos paraguaios:
- Amambay e Concepción, ambos na zona nordeste, fronteiriços com o Brasil;
- Caazapá, no sudeste do país;
- Itapúa, no sul, na fronteira com a Argentina.
O foco principal foi a erradicação de plantações de canábis (marihuana), medida que, segundo as autoridades, provocou perdas económicas superiores a 75 milhões de dólares norte-americanos (USD) para organizações criminosas.
Resultados divulgados: 500 000 kg erradicados e impacto financeiro acima de 75 milhões de USD
Em conferência de imprensa, o ministro da Defesa Nacional, general na reserva Óscar González, detalhou o balanço recente e o enquadramento das operações:
“Foram erradicados 500 000 quilos de marihuana nos últimos dias e o prejuízo económico para as organizações criminosas ultrapassa 75 milhões de dólares. Estamos a actuar desde a base: erradicar as plantações com apoio de força militar. O Presidente (Santiago Peña) deu orientações para que os trabalhos de erradicação continuem. Estas acções procuram também que os elementos militares persigam e apresentem à justiça estes terroristas. Os trabalhos decorreram em Concepción, Amambay, Caazapá e Itapúa.”
Continuidade do esforço interno contra redes criminosas transnacionais
As operações inserem-se na linha de actuação recente do Ministério da Defesa Nacional do Paraguai, em apoio aos organismos de segurança interna, com o objectivo de reduzir a capacidade de actuação de organizações criminosas transnacionais ligadas ao tráfico de droga. As autoridades apontam a existência de rotas e estruturas operacionais que atravessam Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai, com mobilidade entre fronteiras e logística ajustada à pressão policial e militar.
Além da erradicação de culturas ilícitas, este tipo de operação tende a privilegiar o controlo territorial e a interrupção de cadeias de abastecimento - desde áreas de produção até pontos de armazenamento e corredores de escoamento. Na prática, isso implica mobilização simultânea de meios terrestres e apoio interinstitucional para recolha de informação, actuação judicial e reforço de segurança em zonas críticas.
Intercepção aérea: aeronave com matrícula boliviana transportava 450 kg de cocaína
Nas últimas semanas, a Força Aérea Paraguaia (FAP) conseguiu interceptar uma aeronave com matrícula boliviana que teria como escala o território paraguaio para reabastecimento, antes de seguir para outro país. De acordo com as informações oficiais, transportava um carregamento de 450 kg de cocaína com origem na Bolívia.
Perante a intervenção de aeronaves de ataque Embraer A-29 Super Tucano da FAP, o avião suspeito foi forçado a alterar o plano e acabou por efectuar uma aterragem de emergência no Brasil, onde foi posteriormente capturado.
Cooperação regional e duração indefinida da operação
As autoridades paraguaias sublinharam a relevância do trabalho conjunto com as instituições de segurança da Bolívia, do Brasil e da Argentina para travar a expansão destas estruturas criminosas. A operação “Escudo Guarani” deverá manter-se por tempo indefinido, com mobilização de tropas militares em diferentes zonas do Paraguai, ajustando o dispositivo à evolução das rotas e da actividade das redes de tráfico.
Em paralelo, a continuidade da operação pressupõe coordenação estreita entre forças militares, polícia e órgãos de investigação, de forma a ligar a acção no terreno a processos criminais sustentados. Este alinhamento é frequentemente determinante para que os resultados da erradicação e das intercepções se traduzam também em desmantelamento de redes e redução efectiva da capacidade de recomposição das organizações.
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