Saltar para o conteúdo

Motores Wankel e microalgas no futuro da Mazda

Carro desportivo cinza Mazda Vision Wankel em exposição junto a motor rotativo num cubo de vidro.

No Salão de Tóquio 2025, a Mazda escolheu um protagonista para mostrar para onde quer ir - e não é só uma questão de linhas e proporções. O Vision X-Coupe, um concept de quatro portas com mais de cinco metros de comprimento, aponta a próxima evolução da linguagem Kodo e serve também como ensaio geral para a visão tecnológica da marca.

Mais do que um exercício de estilo, o Vision X-Coupé funciona como montra para soluções novas, com o destaque a estar onde muitos esperam: debaixo do capô.

Wankel regressa como força motriz

Sob o longo capô, o Mazda Vision X-Coupe esconde um sistema híbrido plug-in que junta um motor Wankel birotor turbo a um motor elétrico, para uma potência máxima combinada de 510 cv.

A diferença face ao MX-30 R-EV é clara: ali, o Wankel atua apenas como gerador (não está ligado às rodas). Neste concept, faz parte integrante da propulsão. Vale lembrar que desde o RX-8 que não existe um Mazda a usar um Wankel como motor de tração.

Segundo a Mazda, o sistema híbrido plug-in permite até 160 km em modo 100% elétrico, e a autonomia total sobe para cerca de 800 km quando se combinam as duas motorizações.

Pegada de carbono negativa é o objetivo

Este conjunto motriz tem ainda mais cartas na manga por causa do combustível utilizado. A Mazda tem-se posicionado como uma das grandes defensoras de combustíveis não fósseis no caminho para a neutralidade carbónica, sem depender exclusivamente dos 100% elétricos para lá chegar.

O Wankel birotor é alimentado por um combustível sintético neutro em carbono, derivado de microalgas. Emite menos 90% de CO2 quando comparado com um motor convencional a gasolina, mas o Vision X-Coupe tem outro «truque»: integra um sistema de “captura móvel de carbono” no escape, que permite reduzir em mais 20% as emissões de CO2.

O resultado? Pode reduzir as emissões de carbono em até 110% - não fica apenas neutro em carbono, passa a ser negativo. Ou seja, quanto mais é conduzido, mais carbono é reduzido.

A longo prazo, com tecnologias de captura de carbono e o uso de combustíveis sintéticos, a marca de Hiroshima diz que poderá mesmo “evoluir para um fabricante com pegada de carbono negativa”, captando mais CO2 do que aquele que emite.

Vislumbre do futuro

Acima de tudo, o Mazda Vision X-Coupé é um vislumbre do que a marca quer para o seu futuro, tanto em design como em tecnologia.

Não se espera que este concept dê diretamente origem a um modelo de produção, mas as soluções apresentadas - incluindo as do seu sistema de propulsão singular - poderão, de uma forma ou de outra, influenciar os próximos lançamentos da Mazda.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário