A industrialização de robôs humanóides entrou numa fase de aceleração clara, com empresas a quererem passar rapidamente dos protótipos para as linhas de produção. Um sinal disso é o plano da startup chinesa Agibot - focada em robôs com Inteligência Artificial (IA) incorporada - que anunciou o início da produção dos seus modelos na Europa, em parceria com o fornecedor automóvel Minth Group.
“O objetivo é colocar os nossos robôs diretamente nas fábricas, adaptados às necessidades industriais locais”, disse William Shi, diretor-executivo da Agibot na Europa. Apesar de ter sido fundada há apenas três anos, a empresa afirma já deter cerca de 40% da quota de mercado global no segmento e ter produzido mais de 5000 robôs humanóides até ao início de 2026.
A tecnologia da Agibot destaca-se por apostar em sistemas de IA capazes de interagir fisicamente com o ambiente - os chamados sistemas de “IA incorporada” - em contraste com soluções digitais que operam apenas no plano virtual.
O portefólio da empresa reúne vários modelos. Entre eles está o X2, um robô compacto capaz de dançar, realizar acrobacias e desempenhar funções de receção e atendimento; o G2, pensado para ambientes industriais, equipado com braços duplos e navegação autónoma - com um preço a rondar os 117 mil dólares por unidade (cerca de 100 mil euros à taxa de câmbio atual) -; e o D1, um robô quadrúpede orientado para tarefas de inspeção e logística. Todos os modelos funcionam como plataformas configuráveis, ajustáveis às necessidades específicas de cada cliente.
A escolha do Minth Group como parceiro não é por acaso. “Como parceiro estratégico global da Agibot, o Grupo Minth atuará como seu Distribuidor de Valor Agregado (VAD) para o mercado europeu, impulsionando conjuntamente a implantação localizada e a adoção em larga escala de robôs inteligentes incorporados em toda a Europa”, lê-se num comunicado.
Com mais de dez fábricas em países como a Alemanha, a França e o Reino Unido, e mais de 15 anos de presença no mercado europeu, o grupo garante capacidade de produção local e disponibiliza ambientes industriais onde os robôs podem ser treinados para tarefas específicas antes de serem integrados nas linhas de montagem.
Segundo a presidente do Minth Group, Chinglien Wei, “escalar a produção de robôs humanóides exige mais do que avanços tecnológicos: requer capacidades de localização robustas, sistemas de produção fiáveis e suporte operacional a longo prazo”.
Quando chegam?
A produção europeia deverá arrancar ainda este ano, com um aumento gradual de escala previsto para os dois anos seguintes. A Agibot acredita que a procura industrial vai crescer à medida que fabricantes automóveis e fornecedores testem a integração de robôs humanóides em tarefas de montagem, logística e operações de serviço.
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