A Mercedes-Benz teve um 2025 mais exigente, fechando o ano com 1 800 800 automóveis entregues em todo o mundo, o que representa uma queda de 9% em comparação com 2024.
A marca aponta um contexto mais competitivo e o efeito de tarifas como os principais fatores por detrás desta evolução, num ano em que a pressão sobre preços e a disputa por quota se intensificaram em vários mercados.
Queda transversal nos segmentos da Mercedes-Benz
A descida fez-se sentir em todas as gamas. O segmento principal e o segmento de entrada - pilares do volume da marca - recuaram cerca de 10%, com 1 049 600 e 483 000 unidades, respetivamente.
Já o segmento de luxo, que inclui Mercedes-AMG, Maybach, Classe G, Classe S, GLS, EQS e EQS SUV, registou uma redução mais contida, de 5%, totalizando 268 000 veículos entregues.
Eletrificação: elétricos em baixa, híbridos recarregáveis em alta
Apesar da chegada de novos modelos elétricos, como o CLA - que ajudou a impulsionar as vendas de elétricos em 3% no quarto trimestre de 2025 -, as entregas de veículos totalmente elétricos diminuíram 9%, para 168 000 unidades.
Em sentido inverso, as vendas de híbridos recarregáveis cresceram 9%, contribuindo para estabilizar o total de veículos eletrificados, que se fixou em 368 600 unidades.
Um ponto relevante, sobretudo na Europa, é que o desempenho dos eletrificados tende a depender não só da oferta de produto, mas também de fatores externos como infraestrutura de carregamento, incentivos e condições de utilização em cidade e autoestrada - variáveis que podem acelerar ou travar a adoção, mesmo com lançamentos recentes.
Europa: melhor ano em elétricos, com quota de 40%
Na Europa, 2025 tornou-se o melhor ano da Mercedes-Benz em vendas de elétricos, com uma quota de 40%. Mercados como França e Dinamarca destacaram-se ao atingirem recordes de vendas de veículos totalmente elétricos.
Sinal vermelho para a Mercedes-Benz em quase todos os mercados
Ainda assim, no total acumulado de 2025, a Mercedes-Benz apresentou quebras em praticamente todas as geografias. A exceção foi o seu mercado de origem, a Alemanha, onde as vendas ficaram estáveis nas 213 200 unidades.
Considerando o mercado europeu no seu conjunto (incluindo a Alemanha), as entregas desceram cerca de 1%, para 634 600 automóveis.
Na Ásia, que continua a ser o maior mercado da marca, as vendas caíram 16%, fixando-se em 747 000 unidades. A China destacou-se pela negativa, com -19% e 551 900 veículos vendidos.
Na América do Norte, foram comercializados 320 600 automóveis, correspondendo também a uma queda de cerca de 12%. Só nos EUA, as vendas atingiram 284 600 unidades.
O único conjunto de mercados em crescimento foi o Resto do Mundo, com uma subida de 17% e um total de 98 700 unidades entregues.
Perspetivas para 2026
A Mercedes-Benz entra em 2026 com a ambição de manter o maior programa de lançamentos de produto e tecnologia da sua história. Entre os pontos em destaque estão a atualização do Classe S, dos SUV GLE e GLS, e a chegada de novos elétricos como o GLB, o GLC e o CLA em versão carrinha.
Além disso, é aguardada a apresentação do primeiro modelo elétrico de produção com assinatura AMG, bem como uma atualização do Classe C, que poderá contemplar uma nova variante 100% elétrica.
Para a marca, 2026 será também um teste à capacidade de equilibrar volumes, eletrificação e posicionamento premium num cenário em que concorrentes aceleram lançamentos e ajustam preços, e em que decisões comerciais - como o impacto das tarifas e a gestão do mix de produto - podem ser determinantes para o desempenho global.
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