A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) realizou, pela primeira vez, um destacamento europeu do novo avião de guerra eletrónica EA-37B Compass Call, assinalando um marco importante na entrada operacional desta plataforma no teatro europeu. A aeronave chegou a 26 de janeiro à Base Aérea de Ramstein, na Alemanha, integrada numa digressão planeada para dar a conhecer o sistema a unidades aliadas e a militares da OTAN.
O EA-37B está atribuído ao 55.º Grupo de Combate Eletrónico, sediado na Base Aérea de Davis-Monthan, no Arizona. Esta presença na Europa constitui a primeira paragem de uma sequência de apresentações que inclui ainda a Base Aérea de Spangdahlem (Alemanha) e a RAF Mildenhall (Reino Unido). O objetivo é familiarizar forças parceiras com a nova plataforma dentro da área de responsabilidade da Força Aérea dos EUA na Europa (USAFE).
EA-37B Compass Call: estreia operacional no teatro europeu
É a primeira vez que o EA-37B Compass Call atua no teatro europeu, depois de já ter realizado duas digressões semelhantes na região do Indo-Pacífico. De acordo com a USAF, estas visitas foram concebidas para apoiar uma transição faseada rumo à capacidade operacional inicial do sistema, em paralelo com a retirada progressiva das aeronaves mais antigas EC-130H Compass Call.
No centro do seu emprego está a atuação no espectro eletromagnético, um domínio cada vez mais determinante nas operações militares modernas. Entre as missões principais do EA-37B encontra-se a aptidão para degradar e interromper sistemas adversários de comunicações, navegação e armas, bem como influenciar as cadeias de decisão do oponente.
Nesse sentido, o tenente-coronel Ronnie Smith, chefe-adjunto da Divisão de Operações Futuras da USAFE-AFAFRICA, afirmou: “À medida que entra em serviço operacional, a plataforma proporcionará domínio na tomada de decisões em todos os domínios daqui em diante”.
Capacidades e papel em operações conjuntas e aliadas da OTAN
O facto de a digressão europeia abranger várias bases aéreas sublinha a flexibilidade do EA-37B para se integrar em diferentes ambientes operacionais e estruturas de comando. A USAF realça que a aeronave foi concebida para funcionar como um nó crítico em operações conjuntas e de coligação, fornecendo capacidades especializadas de apoio a forças aéreas, terrestres e de operações especiais.
O capitão Tyler Laska, piloto do EA-37B no 41.º Esquadrão de Combate Eletrónico, referiu: “Um dos aspetos mais importantes para o sucesso num conflito é a superioridade da informação. Cada momento de hesitação que consigamos introduzir no processo de tomada de decisões do adversário aumenta a sobrevivência dos nossos homens e mulheres na linha da frente em todos os domínios”.
Para além da demonstração técnica, estas escalas europeias também servem para afinar procedimentos de interoperabilidade com a OTAN, incluindo coordenação de missões, partilha de lições aprendidas e integração com arquiteturas aliadas de comando e controlo. Num espaço operacional tão denso como o europeu, a harmonização de doutrina e o planeamento conjunto são determinantes para explorar o potencial do espectro eletromagnético sem comprometer a segurança e a eficácia de forças amigas.
Em paralelo, a presença em bases diferentes permite validar requisitos práticos de sustentação - desde logística e manutenção até preparação de equipas e infraestruturas - garantindo que a plataforma pode operar com previsibilidade em cenários variados. Esta componente é essencial para acelerar a passagem de atividades de demonstração para um emprego rotineiro em operações.
Evolução do programa EA-37B Compass Call
O programa EA-37B registou progressos decisivos nos últimos anos. Em agosto de 2024, a USAF recebeu oficialmente a primeira aeronave deste modelo, identificada com a matrícula 19-5591. A plataforma baseia-se no avião executivo Gulfstream G550 e foi modificada pela L3Harris. Numa fase inicial, esta unidade foi dedicada ao treino de tripulações em Davis-Monthan.
Na cerimónia de receção, o general Ken Wilsbach, comandante do Comando de Combate Aéreo, declarou: “Para um piloto, não há nada melhor do que receber um avião novo da fábrica e entregá-lo aos combatentes (…) Estamos prestes a disponibilizar capacidades avançadas, especialmente em combate eletrónico”.
Mais tarde, em maio de 2025, a Força Aérea dos Estados Unidos comunicou a realização do primeiro voo de treino do EA-37B, conduzido pelo 43.º Esquadrão de Combate Eletrónico, confirmando o avanço do sistema no caminho para a integração operacional plena.
Projeção internacional e adoção por aliados
A importância do EA-37B Compass Call também ficou evidente no plano internacional. Em julho de 2025, foi confirmado que a Força Aérea Italiana adquiriu duas aeronaves deste tipo por um valor aproximado de 300 milhões de dólares, tornando-se o primeiro aliado dos EUA a incorporar esta plataforma. A operação foi autorizada pelo governo norte-americano e envolveu a L3Harris e a BAE Systems.
Com este primeiro destacamento na Europa, o EA-37B Compass Call afirma-se como um dos principais sistemas de guerra eletrónica da Força Aérea dos Estados Unidos, num contexto em que o domínio e a gestão do espectro eletromagnético ganham relevância crescente nas operações militares contemporâneas.
Imagem de capa obtida a partir da Força Aérea dos EUA na Europa.
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