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Rússia atualiza os S-350 e S-400 com novos radares AESA para reforçar a defesa aérea

Militar com headset e tablet opera sistema de defesa antimísseis móvel em terreno aberto ao pôr do sol.

Com base na divulgação de novas imagens nas redes sociais e em meios locais, analistas passaram a assinalar que os sistemas antiaéreos S-350 e S-400 das Forças Armadas Russas terão sido modernizados com novos radares AESA. O objectivo desta actualização seria aumentar a capacidade de detecção de alvos, ao mesmo tempo que se melhora a resistência destas plataformas a ataques electrónicos capazes de degradar o seu desempenho em combate - um factor decisivo nos campos de batalha actuais.

S-350 e S-400 russos: mais alcance, melhor detecção e maior sobrevivência

No caso dos S-350, os sistemas terão recebido um novo radar 96L6-TsP, baseado numa matriz dupla, acompanhado por três módulos passivos do tipo 96L6-VP. De acordo com as descrições divulgadas, esta integração dar-lhes-ia a possibilidade de detectar ameaças furtivas e, em simultâneo, operar de forma “encoberta”, sem necessidade de manter o radar principal ligado.

Já os S-400 mais recentes teriam sido preparados para funcionar com radares do tipo Yenisei, o que lhes permitiria seguir potenciais ameaças a voar a velocidades hipersónicas. Além disso, refere-se que a plataforma passaria a detectar aeronaves com baixa secção transversal de radar a distâncias entre 150 e 200 quilómetros, enquanto alvos convencionais poderiam ser identificados até 600 quilómetros.

Importa recordar que ambos os sistemas integram uma arquitectura de defesa aérea mais ampla, montada pela Rússia para proteger o seu espaço aéreo através de várias camadas de resposta. Nesse esquema, os S-350 surgem como meios vocacionados para neutralizar alvos a média distância, enquanto os S-400 representam uma solução com maiores capacidades, incluindo a possibilidade de acompanhar vários alvos em simultâneo. Um nível ainda superior é ocupado pelos S-500, cujas características permitem interceptar objectivos a grande altitude e que já foram alvo de especulação quanto à possível integração dos radares Yenisei.

Modernização acelerada com base na experiência de combate

Para além disso, convém sublinhar que a Rússia tem vindo a trabalhar há algum tempo na modernização das capacidades dos seus principais sistemas de defesa aérea, sobretudo com base nas lições retiradas dos combates na Ucrânia. A título de exemplo, foi em Dezembro passado que o director executivo da fabricante de armamento Almaz-Antey, Yan Novikov, afirmou a propósito dos S-400: “Uma destas respostas é o enorme potencial de modernização do sistema de mísseis de defesa aérea S-400, que nos permite atenuar rapidamente as ameaças emergentes durante a operação militar especial. Graças a este potencial, o Triumph adquiriu novas capacidades e propriedades que, em geral, não são típicas dos sistemas de defesa aérea.”

Esta evolução enquadra-se numa tendência mais ampla de adaptação tecnológica, em que os sistemas antiaéreos deixam de depender apenas do alcance de intercepção e passam também a privilegiar a integração em rede, a resistência à guerra electrónica e a flexibilidade operacional. Em cenários de conflito contemporâneos, onde a saturação por drones, mísseis e contramedidas electrónicas é cada vez mais comum, estas melhorias podem ser tão importantes como o próprio aumento do alcance de detecção.

Possível oferta aos clientes estrangeiros

Por fim, é relevante notar que, segundo reportes de meios locais, também se discute a hipótese de estas inovações virem a ser disponibilizadas aos clientes internacionais dos sistemas em causa. A informação não é irrelevante, tendo em conta, por exemplo, que Nova Deli continua a negociar com Moscovo a eventual compra de novos S-400 para reforçar os seus inventários já existentes, que provaram a sua eficácia durante a chamada Operação Sindoor, inserindo-se assim num processo mais vasto de modernização militar em curso no país.

Se estas actualizações forem efectivamente incorporadas nas versões exportadas, isso poderá aumentar ainda mais o valor estratégico destes sistemas no mercado internacional, sobretudo entre países que procuram soluções de defesa aérea de longo alcance capazes de operar num ambiente marcado por interferência electrónica intensa e por ameaças cada vez mais velozes e difíceis de rastrear.

Créditos das imagens a quem de direito

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