Na terça-feira, 27 de fevereiro, o Exército Italiano comunicou a receção dos primeiros quatro novos veículos IFV Lynx KF41 no Centro de Experimentação Multifuncional do Exército Italiano (Ce.Poli.Spe), situado em Montelibretti. A entrega foi assinalada numa cerimónia realizada com representantes da joint venture Leonardo Rheinmetall Military Vehicles (LRMV), marcando o arranque formal do programa A2CS. Nesta fase inicial, já está contratualizada a entrega de 21 novos blindados à força.
Cerimónia de entrega e enquadramento estratégico
O ato contou com a presença de altas entidades militares e governamentais, incluindo o ministro da Defesa, Guido Crosetto, que sublinhou: “O cenário internacional exige uma Defesa em constante evolução, capaz de garantir a segurança do país e salvaguardar os interesses nacionais. Isso requer um modelo moderno, flexível e confiável, baseado em altos níveis de prontidão operacional, pessoal qualificado e capacidades tecnológicas avançadas. Nesse contexto, é entregue ao Exército Italiano o veículo blindado Lynx, fruto da cooperação industrial ítalo-alemã, com o objetivo de fortalecer os sistemas terrestres por meio da introdução de plataformas de vanguarda.”
Capacidades previstas para os Lynx KF41 (IFV) do Exército Italiano
Os Lynx KF41 destinados ao Exército Italiano estão concebidos para assumir um leque amplo de funções. Entre as missões previstas incluem-se:
- Apoio em combate a unidades de infantaria;
- Transporte de tropas;
- Funções de comando e controlo;
- Emprego como ambulância em cenários de emergência.
No caso específico dos quatro exemplares agora entregues, foi indicado que se encontram equipados com as torres Lance de 30 mm fabricadas pela Rheinmetall. Ainda assim, foi igualmente referido que esta configuração será, em breve, substituída pelo padrão escolhido para o restante da frota: a torre Hitfist de 30 mm da Leonardo.
Meta do programa A2CS, requisitos OTAN e aquisições complementares
O Governo italiano aponta como objetivo a conclusão do programa A2CS com a incorporação de cerca de 1.050 blindados Lynx KF41, visando modernizar a frota de IFVs e alinhá-la com os atuais requisitos da OTAN. Esta ambição traduzir-se-ia num investimento estimado em aproximadamente 15 mil milhões de euros.
Em paralelo, o esforço de reforço das capacidades terrestres é complementado por aquisições adicionais, nomeadamente:
- novos VCBR 8×8 VBM Freccia Plus;
- camiões Iveco SMR6 para missões de apoio logístico.
Para além da introdução de novas plataformas, a entrada em serviço de um IFV desta classe implica também trabalho estruturado ao nível de doutrina, formação e sustentação: desde a qualificação de tripulações e equipas de manutenção até à criação de cadeias de sobressalentes e procedimentos de interoperabilidade, aspetos críticos quando o objetivo é responder a padrões OTAN e garantir elevada prontidão operacional.
Cooperação Leonardo–Rheinmetall e o futuro carro de combate principal
Tirando partido da ligação entre a Rheinmetall e a Leonardo, o Exército Italiano procura igualmente desenvolver o que deverá ser o seu novo carro de combate principal. Esta orientação surge depois do cancelamento da intenção de compra de até 132 unidades do Leopard 2A8 da empresa alemã KNDS, que estavam destinadas a substituir os Ariete atualmente ao serviço. A alteração de rumo foi atribuída sobretudo a divergências relacionadas com a transferência de tecnologia exigida para assegurar a participação de empresas italianas no programa.
Neste contexto, o diretor-geral da Leonardo, Roberto Cingolani, declarou: “O início das entregas dos novos veículos blindados representa um marco importante no programa que conduzimos com o Exército Italiano. A aliança internacional entre a Leonardo e a Rheinmetall continua sendo uma referência fundamental para o fortalecimento da defesa nacional e o desenvolvimento de uma base industrial europeia sólida, integrada e competitiva. Consideramos esse compromisso essencial para garantir a segurança nacional e europeia, bem como a autonomia estratégica.”
A dimensão industrial do programa tende também a ganhar relevância na padronização de sistemas (por exemplo, torres, sensores e comunicações) e na preparação de diferentes variantes a partir da mesma plataforma, o que pode simplificar a logística e aumentar a flexibilidade operacional - sobretudo quando se combinam perfis tão distintos como combate, evacuação sanitária e comando e controlo.
Créditos das imagens: Leonardo – Exército Italiano
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