Saltar para o conteúdo

Choque: Certos ingredientes anulam quase todos os benefícios do tomate para a saúde.

Pessoa a deitar azeite numa frigideira com molho de tomate e ervas numa cozinha luminosa.

Muita gente corta tomates quase em piloto automático para tudo: saladas, massas, guisados e estufados. Só que a investigação em nutrição tem vindo a mostrar um pormenor importante: algumas combinações, apesar de parecerem “saudáveis”, podem reduzir de forma significativa a absorção do principal composto activo do tomate, o licopeno. Com algumas regras simples, é possível tirar muito mais partido deste clássico vermelho.

Tomates e licopeno: porque são tão benéficos

Os tomates fornecem vitaminas, minerais e uma boa dose de compostos bioactivos (os chamados fitoquímicos). O destaque vai para o licopeno, o pigmento responsável pela cor vermelha intensa. Este composto pertence à família dos carotenoides e é considerado um dos antioxidantes mais relevantes na alimentação.

O licopeno pode ajudar a proteger as células do stress oxidativo e, em estudos, surge frequentemente associado a potenciais benefícios para coração e vasos sanguíneos, bem como para a próstata.

Como o organismo não produz licopeno, dependemos da dieta para o obter - sobretudo através de tomate fresco, sumo de tomate, tomate triturado/passado, polpa, concentrado de tomate e também de alimentos como a melancia. E aqui entra o ponto decisivo: a quantidade que chega ao sangue não depende apenas de “comer mais tomate”; depende muito de como o combina no mesmo prato.

Investigação em nutrição: a combinação com ferro que trava o licopeno

Uma equipa de investigadores numa universidade dos EUA avaliou de que forma o corpo absorve licopeno quando os tomates são consumidos juntamente com alimentos ricos em ferro. No ensaio, voluntários saudáveis ingeriram um batido à base de tomate, em duas situações: uma com acompanhamento rico em ferro e outra sem esse reforço de ferro.

Os resultados nas análises ao sangue foram claros: nas refeições com muito ferro, aparecia menos licopeno na circulação.

Os cientistas descrevem que, na presença de ferro, a quantidade de licopeno absorvida ficou aproximadamente reduzida a metade, diminuindo de forma marcada o potencial efeito protector.

A explicação proposta é que ferro e licopeno competem no tubo digestivo por mecanismos de ligação e transporte. Na prática, uma parte do licopeno “perde a corrida” e acaba por ser eliminada, em vez de ser utilizada pelo organismo.

Alimentos ricos em ferro que podem reduzir a absorção do licopeno (tomates)

Ao incluir tomates nas refeições, vale a pena ter em mente estes alimentos com teor elevado de ferro, que podem interferir:

  • Lentilhas e outras leguminosas, como grão-de-bico e feijão
  • Produtos de soja, como tofu
  • Cereais integrais e cereais de pequeno-almoço enriquecidos com ferro
  • Espinafres e alguns outros vegetais de folha verde-escura
  • Carne vermelha e vísceras

Isto não significa que estas escolhas sejam “más”. Se costuma fazer molho de tomate com muita carne picada, ou um chili com lentilhas e tomate, está a aumentar o ferro - mas pode estar, ao mesmo tempo, a diminuir o aproveitamento do licopeno. Para quem tem ferro baixo, esta combinação pode fazer sentido. Já quem quer maximizar o “efeito tomate”, pode beneficiar de outra organização das refeições.

Como combinar tomates para maximizar o licopeno

A parte positiva é que a absorção do licopeno pode aumentar bastante com uma preparação acertada. Três factores contam muito: gordura, calor e os companheiros de prato.

Gorduras saudáveis: o licopeno precisa delas

O licopeno é lipossolúvel (dissolve-se em gordura). Sem gordura, uma parte passa pelo intestino sem ser absorvida. Por isso, os tomates funcionam melhor quando não são consumidos “a seco”.

  • Um bom fio de azeite por cima da salada de tomate
  • Abacate em cubos com tomate no pão ou numa salada
  • Nozes ou amêndoas polvilhadas sobre tomate assado

Pequenas porções de gorduras de boa qualidade - especialmente azeite, frutos secos e abacate - funcionam como um “amplificador” da disponibilidade do licopeno.

Calor moderado: tomate cozinhado pode superar o cru

Ao aquecer, as paredes celulares do tomate quebram-se e o licopeno fica mais acessível. Por isso, tomate cozinhado, estufado ou assado costuma fornecer mais licopeno disponível do que tomate cru.

Boas opções: - Molho de tomate caseiro com azeite - Sopa de tomate com um toque de gordura (por exemplo, um fio de azeite ou um pouco de natas) - Tomate assado no forno com ervas e um pouco de feta ou mozarela

Ainda assim, excesso de calor e cozeduras muito prolongadas podem prejudicar outros nutrientes sensíveis. Um cozer suave é suficiente.

Vitamina C e antioxidantes: melhor em equipa

Quando o tomate é combinado com outros antioxidantes e vitamina C, o conjunto parece trabalhar de forma particularmente eficaz no organismo. Parceiros coloridos são excelentes aliados:

  • Tomate e pimento em saladas ou legumes assados
  • Salada de tomate com laranja e ervas frescas
  • Massa com molho de tomate, manjericão e salsa

Quanto mais “colorido” for o prato, mais compostos protectores actuam em conjunto - e os tomates podem (e devem) manter o papel principal.

Dica extra (original): maturação, conservação e formato do tomate também contam

Nem todos os tomates entregam a mesma experiência nutricional. Em geral, tomates bem maduros tendem a ser mais ricos em compostos de cor e aroma, e costumam resultar melhor em pratos onde o licopeno é protagonista (molhos, assados, sopas). Sempre que possível, prefira tomates com cor uniforme e maturação adequada.

Outra nota prática: evite guardar tomates no frigorífico por longos períodos, porque o frio pode prejudicar textura e sabor. Para consumo no dia-a-dia, um local fresco e arejado é normalmente suficiente; se já estiverem muito maduros, pode refrigerar por pouco tempo e deixá-los voltar à temperatura ambiente antes de usar.

Quando os tomates não caem bem: histamina e sensibilidade individual

Apesar de serem saudáveis para a maioria das pessoas, os tomates podem causar desconforto em quem é sensível à histamina. Esta substância ocorre naturalmente em vários alimentos e, em pessoas susceptíveis, pode desencadear sintomas como dor abdominal, reacções cutâneas, dor de cabeça ou enxaqueca.

O risco aumenta quando a refeição junta vários componentes ricos em histamina, por exemplo: - Pizza com molho de tomate, salame e queijo curado - Massa com molho de tomate e muito parmesão - Antipasti com tomate (especialmente preparado/conservado), queijo e produtos fermentados

Além disso, o álcool pode dificultar a degradação da histamina. Um copo de vinho tinto com massa de molho de tomate, em pessoas sensíveis, pode agravar sintomas.

Em caso de sensibilidade à histamina, muitas vezes resulta melhor optar por tomate fresco bem maduro, em pequenas porções, em vez de molhos muito concentrados, concentrado de tomate ou preparações muito intensas.

Exemplos práticos de pratos com tomate (sem desperdiçar licopeno)

Se quer aplicar isto sem complicar a rotina, aqui ficam três ideias fáceis de adaptar:

  1. Salada mediterrânica de tomate: tomate, pepino, pimento, cebola roxa, bastante azeite e ervas frescas. Evite juntar leguminosas nesta refeição; em alternativa, acrescente azeitonas ou um pouco de feta.
  2. Massa rápida com tomate assado: tomate-cereja com alho e azeite no forno, depois misturar com massa cozida e manjericão fresco. Se quiser carne picada, use pouca - ou então reserve um prato mais “rico em ferro” para outra refeição.
  3. Pequeno-almoço com tomate: ovos mexidos com tomate em cubos, ervas e uma colher de queijo creme. Assim, o licopeno já começa o dia com o apoio da gordura.

Com que frequência comer tomates - e quando convém ter cautela

Para adultos saudáveis, uma porção diária de tomates ou produtos à base de tomate encaixa bem num padrão alimentar equilibrado. Pessoas com hipertensão, maior risco cardiovascular ou historial familiar de questões relacionadas com a próstata podem ter benefício adicional ao dar mais espaço ao tomate na alimentação - idealmente com acompanhamento médico, sobretudo se existir medicação ou condições específicas.

Quem tem intolerância à histamina deve testar a sua tolerância individual: começar com quantidades pequenas, em pratos simples, e evitar combinações com queijos curados, enchidos e álcool. Já em caso de défice de ferro, pode ser útil separar objectivos: por exemplo, uma refeição focada em ferro (lentilhas/leguminosas ou carne) e, noutra altura do dia, uma refeição com tomate + gordura saudável para potenciar o licopeno.

Parágrafo extra (original): estratégia simples de “separar refeições” para ferro e licopeno

Se quer beneficiar tanto do ferro como do licopeno, uma abordagem prática é organizar o dia por prioridades: uma refeição mais rica em ferro (com leguminosas, espinafres ou carne) e outra refeição onde o tomate seja a estrela, acompanhado de azeite e vegetais ricos em vitamina C. Esta alternância é fácil de manter e ajuda a evitar que um objectivo nutricional anule o outro.

Quando estas relações ficam claras, não é preciso cortar nos tomates. Pelo contrário: com combinações mais inteligentes, eles acertam melhor no sabor - e também no potencial benefício associado ao seu “activo vermelho”, o licopeno.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário