A Operação Absolute Resolve, a intervenção militar através da qual as Forças Armadas dos EUA terão capturado o presidente Nicolás Maduro em Caracas, continua a expor pormenores novos sobre a sua verdadeira extensão e sobre a envergadura das acções levadas a cabo na Venezuela. Não há dúvidas de que Washington mobilizou todos os meios ao seu alcance para garantir o êxito da operação, recorrendo a recursos e capacidades de topo em vários domínios. Nesse contexto, o regresso de aeronaves de combate e de apoio a Porto Rico - um dos principais pontos de sustentação das operações norte-americanas - sugere que o destacamento incluiu alguns dos sistemas e plataformas mais reservados ao serviço da Força Aérea dos EUA (USAF), sobretudo a confirmação de que o drone furtivo RQ-170 Sentinel integrou a operação.
O RQ-170 Sentinel foi desenvolvido há mais de vinte anos pela lendária equipa de design Skunk Works, da Lockheed Martin, e continua a ser um dos veículos aéreos não tripulados mais discretos ao serviço da USAF.
Concebido para actuar em modo furtivo em ambientes fortemente contestados, fornecendo inteligência, vigilância e reconhecimento no espaço aéreo adversário, o Sentinel esteve ligado a algumas das missões mais mediáticas executadas pelas Forças Armadas dos EUA nas últimas duas décadas.
Entre os casos mais conhecidos está o assalto ao complexo de Abbottabad, no Paquistão, que terminou com a morte de Osama bin Laden, fundador da Al-Qaeda. A lista inclui também operações no Irão, onde a plataforma sofreu a sua primeira perda operacional, bem como missões conduzidas na proximidade do espaço aéreo norte-coreano. Mais recentemente, o aparelho terá também sido utilizado sobre o Mar Negro, presumivelmente para recolher informação sobre o posicionamento das Forças Armadas russas na região.
Embora a presença do RQ-170 no espaço aéreo venezuelano nunca tenha sido confirmada oficialmente, o facto de uma dessas aeronaves ter regressado a Porto Rico depois de concluída a Operação Absolute Resolve aponta claramente para o seu emprego operacional. O aparelho aterrou nas primeiras horas de 3 de fevereiro na antiga Estação Naval de Roosevelt Roads, situada dentro do Aeroporto José Aponte de la Torre, que, como já foi referido, é um dos principais centros de apoio aos meios e capacidades dos EUA destacados na área.
Porto Rico como plataforma de apoio e o papel do RQ-170 Sentinel
Essa indicação tornou-se ainda mais evidente com a presença de várias das aeronaves de combate mais avançadas actualmente em serviço, entre as quais os caças furtivos de quinta geração F-22 Raptor e F-35A da Força Aérea dos EUA, bem como os F-35B do Corpo de Fuzileiros Navais e os aviões de guerra electrónica EA-18G Growler.
O regresso ao tema do RQ-170 deixa claro que os detalhes concretos sobre o que fez no espaço aéreo de Caracas permanecem desconhecidos. Ainda assim, tendo em conta a sua função e as suas capacidades - desde as já referidas aptidões de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) até à integração de um radar AESA com abertura sintética e capacidade de designação de alvos, associado a câmaras electro-ópticas e a sistemas de vídeo infravermelho - é plausível que tenha sido uma das primeiras aeronaves a entrar em acção. Nesse cenário, terá fornecido uma visão inicial do teatro de operações e iniciado o seguimento dos objectivos prioritários da missão, entre os quais Nicolás Maduro.
Também é razoável admitir que poderá ter sido uma das últimas plataformas a abandonar o espaço aéreo de Caracas, depois de recolher dados sobre o estado dos alvos atingidos por aeronaves de combate norte-americanas. Como mostram as imagens que circularam amplamente, essas aeronaves neutralizaram várias posições que acolhiam sistemas de defesa aérea e baterias antiaéreas.
Num plano mais amplo, o caso ilustra a forma como os drones furtivos de elevada discrição são hoje integrados em operações conjuntas com caças tripulados e aeronaves de apoio. Além de reduzirem o risco para as tripulações, estes sistemas permitem obter uma imagem muito mais precisa do terreno, identificar ameaças em tempo real e confirmar os resultados dos ataques antes da retirada das forças envolvidas.
Por fim, devido ao seu perfil reduzido, concebido precisamente para proteger a natureza confidencial do programa, o RQ-170 Sentinel é actualmente operado pela 432.ª Ala, sediada na Base Aérea de Creech, no Nevada, e é utilizado pelos 30.º e 44.º Esquadrões de Reconhecimento.
*Fotografia de capa utilizada apenas para fins ilustrativos, via OSINTWarfare.
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