O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina continuou a dar passos no projecto de aquisição de armamento individual portátil. Um relatório recente de qualificação técnica, datado de 3 de novembro de 2025, concluiu com uma formulação e avaliação favoráveis, o que confirma o avanço desta iniciativa.
De acordo com esse relatório, o Estado-Maior Conjunto passou já a uma primeira fase do programa intitulado “Aquisição de Armamento Individual Portátil para melhorar a capacidade de defesa e combate a curta distância das Forças Armadas, nas unidades militares do território nacional”. O plano prevê um investimento inicial de $ 35.897.688.750, equivalente a cerca de 24,5 milhões de dólares.
Ensaios técnicos com pistolas, carabinas, espingardas e lança-granadas
No início de 2025, o Estado-Maior Conjunto levou a cabo um conjunto de avaliações técnicas com vários fabricantes estrangeiros. Nessa fase, foram testadas pistolas, carabinas, espingardas, metralhadoras ligeiras de 7,62 mm e lança-granadas de 40 mm. Embora não tenham sido divulgados detalhes oficiais, os concorrentes avaliados provinham dos Estados Unidos, da Europa e de Israel.
Para esta avaliação técnica, era necessário completar provas com pistolas de 9 mm, com e sem supressor; carabinas de 5,56 mm com canos de cerca de 368 mm e 292 mm; espingardas de 7,62 mm com canos de aproximadamente 406 mm e 368 mm; metralhadoras ligeiras com cano longo e cano de 406 mm; e lança-granadas de 40 mm, tanto em versão individual como para montagem na espingarda.
Como se tinha noticiado anteriormente, estava inicialmente prevista uma Avaliação Técnica Operacional, que incluía a recepção do material dos vários candidatos convidados. Um dos objectivos era permitir que pessoal das Forças Armadas da Argentina testasse o armamento em território nacional. No entanto, acabou por ser decidido enviar comissões aos países de origem dos fabricantes, o que levantou dúvidas sobre o alcance dos ensaios, já que estes não decorreriam sob as condições e exigências locais, nem nos ambientes geográficos específicos da Argentina, nem perante os seus potenciais utilizadores.
Tal como sucedeu com o mais recente relatório de qualificação técnica, a anterior direcção do Estado-Maior Conjunto não divulgou informações oficiais sobre o alcance, os objectivos e os marcos do projecto. A ausência de certezas alimentou especulações, num contexto em que a falta de transparência acabou por ser justificada com o já ultrapassado conceito local de “segredo militar”.
Favoritos na modernização do armamento portátil: a família IWI Arad
Apesar do silêncio do Estado-Maior Conjunto sobre a evolução do processo, foram conhecidos alguns pormenores relativos aos modelos em análise, incluindo os favoritos. Entre estes, destacou-se a família de espingardas IWI Arad.
A meio de 2025, fontes ouvidas indicaram que o Ministério da Defesa procurava avançar com a definição de um primeiro contrato para formalizar a compra das espingardas IWI ARAD. O acordo contemplaria a aquisição da versão em calibre 5,56 × 45 mm (ARAD 5) e da versão em 7,62 × 51 mm (ARAD 7), embora nessa altura ainda não tivessem sido reveladas quantidades negociadas.
Essa intenção de aquisição surgia num momento de aproximação crescente entre a Argentina e Israel, uma dinâmica que também se estendia ao sector da defesa. Porém, a passagem do tempo acabou por colocar vários projectos em pausa, situação que poderá ser retomada em 2026 caso se mantenha a opção pela espingarda israelita.
A modernização do armamento portátil das Forças Armadas é um requisito antigo e recorrente. Grande parte da tropa da Marinha, do Exército e da Força Aérea Argentina continua a utilizar material com décadas de serviço que, apesar de ainda não estar obsoleto, já ficou atrás em termos de ergonomia, peso e capacidades.
A escolha de uma família de armas mais moderna e modular também pode trazer vantagens práticas para a cadeia logística. A uniformização de calibres e plataformas tende a simplificar a instrução, facilitar a manutenção e reduzir a variedade de sobressalentes necessários, factores que se tornam especialmente relevantes quando se procura melhorar a prontidão operacional em diferentes unidades e especialidades.
Ao mesmo tempo, qualquer decisão final sobre este tipo de compra costuma ter impacto directo no planeamento de adestramento e na substituição gradual de sistemas antigos. Numa força armada, a introdução de novo armamento não depende apenas do preço de aquisição, mas também da integração com acessórios, ópticas, supressores e acessórios de transporte, além da adaptação doutrinária dos militares que o irão empregar.
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