Acordo com a Alemanha acelera a avaliação dos obuses sobre rodas RCH155
Dando mais um passo na renovação das suas capacidades de artilharia, o Exército britânico anunciou que os seus novos obuses sobre rodas RCH155, destinados à demonstração e à capacidade inicial, serão submetidos a testes e avaliação na Alemanha. Dessa forma, será possível medir o seu desempenho antes de uma futura compra de maior dimensão. Segundo as informações divulgadas, esta iniciativa integra um acordo conjunto assinado entre Londres e Berlim, no valor de mais de 52 milhões de libras, que permite ao Reino Unido aceder a um sistema de ensaio e avaliação em cooperação com pessoal alemão.
Importa recordar que os dois países são partes do Acordo Trinity House desde 2024, através do qual os respetivos ministérios da defesa procuram reforçar os laços já existentes. Este enquadramento oferece maior margem de manobra para atividades como as referidas acima. Para além dos próprios sistemas RCH155, a Alemanha e o Reino Unido comprometeram-se a partilhar dados de teste e acesso aos seus respetivos campos de ensaio, o que, em conjunto, ajuda a encurtar prazos e a reduzir os custos associados ao processo de aquisição e de entrada ao serviço.
A cooperação entre os dois países também é relevante do ponto de vista industrial e operacional. Ao trabalharem com critérios de avaliação comuns e com informação técnica partilhada, as forças armadas conseguem alinhar mais depressa os requisitos, preparar melhor a manutenção futura e simplificar a integração dos sistemas nas unidades de artilharia. No caso de equipamentos altamente automatizados, esta aproximação pode ainda reduzir o tempo necessário para formar as equipas e para validar procedimentos de emprego em operação.
Alcance, mobilidade e automatização do RCH155
No que toca às características técnicas do RCH155 - que irá substituir os envelhecidos sistemas de lagartas AS90 no Exército britânico - Londres destacou não apenas o seu alcance, mas também a mobilidade superior. Foi referido que o sistema é capaz de disparar até oito granadas por minuto, mesmo quando se desloca a velocidades de até 100 km/h. Acresce uma autonomia rodoviária de até 700 quilómetros, o que, em termos práticos, corresponde à distância entre Cornwall e Newcastle, ou seja, quase toda a extensão de Inglaterra, de sul para norte. A automatização é outro dos pontos fortes do obus autopropulsado, já que basta uma tripulação de dois militares para o operar: um condutor e um comandante.
Estas características levaram também a uma recente seleção do RCH155 pela própria Alemanha para equipar o seu Exército, no âmbito de um contrato de 1,2 mil milhões de euros para 84 unidades, que faz parte de uma encomenda mais ampla, prevista para 200 sistemas, destinada ao Heer. Medidas semelhantes foram adotadas pelo Exército suíço, que também procura substituir os seus envelhecidos modelos M109 KAWEST, embora tenha optado por instalar o sistema num veículo blindado Mowag Piranha IV 10×10, em vez das plataformas Boxer usadas nas variantes alemã e britânica.
RCH155, Exército britânico e a evolução da artilharia europeia
A combinação entre maior alcance, elevada cadência de tiro e capacidade de movimento rápido está a tornar o RCH155 numa solução particularmente apelativa para forças armadas que procuram modernizar a sua artilharia sem perder mobilidade tática. Num contexto em que a sobrevivência no campo de batalha depende cada vez mais da capacidade de disparar e reposicionar-se de imediato, sistemas como este ganham uma importância acrescida.
O desenvolvimento e a validação conjunta entre aliados europeus também sugerem uma tendência mais ampla: a de reduzir redundâncias na aquisição de defesa e de criar bases tecnológicas mais compatíveis entre exércitos parceiros. Se este modelo continuar a expandir-se, poderá acelerar futuras compras, facilitar a sustentação logística e reforçar a interoperabilidade no seio de operações multinacionais.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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