Mas quem poda os arbustos certos em março é recompensado no verão.
Entre os primeiros botões e as últimas geadas nocturnas, o jardim decide mais do que parece. O jardineiro televisivo Monty Don e outros especialistas apontam cinco plantas concretas em que uma poda em março pode significar uma floração exuberante ou, pelo contrário, uma estação decepcionante.
Porque é que a poda de março prepara o arranque da floração
Quando os dias ficam mais longos e as temperaturas começam a subir devagar, muitas plantas voltam a acelerar o metabolismo. É precisamente nessa fase que as lenhosas respondem melhor a uma poda de manutenção. Nessa altura, a planta concentra a energia em rebentos novos e vigorosos - e é aí que mais tarde se formam as flores.
Na poda de primavera, os primeiros ramos a sair são os secos, doentes ou danificados. Esses rebentos consomem energia e impedem a entrada de luz para o interior da planta. Ao removê-los, mais ar e mais sol chegam aos ramos que ficam. O resultado é menos risco de doenças fúngicas e um crescimento mais denso e saudável.
Quem poda em março orienta a força da planta para os rebentos novos - e, com isso, para mais flores e muitas vezes para flores maiores.
Monty Don recomenda fazer esta poda na primeira quinzena de março, assim que surgirem os novos botões. Em especial, beneficiam os arbustos que florescem em madeira nova: muitas roseiras, budleias, algumas clematis e certas hortênsias.
A regra simples de Monty Don para uma poda correta
Para que a poda resulte, Monty Don resume tudo numa única orientação: “Cortar sempre para algo.” Por trás desta fórmula simples está um princípio essencial.
Cada corte deve terminar pouco acima de uma gema viva ou de um rebento lateral, nunca no meio de madeira morta. A planta envia então os nutrientes para esse ponto e aí inicia um novo crescimento forte. Se ficar um toco nu, este seca com frequência, transforma-se numa porta de entrada para fungos e destaca-se de forma desagradável no arbusto.
Em regiões de clima mais ameno, muitos jardineiros têm vontade de pegar na tesoura ainda em fevereiro. Os especialistas desaconselham isso enquanto houver risco de geadas fortes. Os rebentos jovens podem escurecer de uma noite para a outra e morrer. Esperar mais um pouco até março aumenta a probabilidade de o verde novo atravessar a fase fria sem danos.
Para a poda, o ideal são tesouras de bypass bem afiadas, que cortam como uma tesoura e não esmagam como um alicate. Lâminas limpas deixam feridas mais regulares e reduzem o risco de doença. Os rebentos finos e macios também podem ser encurtados com tesouras domésticas bem limpas.
Outro cuidado útil é desinfetar a ferramenta quando se passa de uma planta doente para outra saudável. Um pano com álcool ou uma solução desinfetante suave ajuda a limitar a transmissão de fungos e bactérias. E vale a pena escolher um dia seco: com menos humidade, as feridas cicatrizam melhor e a planta sofre menos.
Estas 5 plantas devem ser podadas em março
1. Rosas - o clássico do programa de primavera
As rosas estão no topo da lista de quase todos os profissionais em março. Segundo especialistas de centros de jardinagem britânicos, este é o momento certo quando os botões começam a inchar ligeiramente, mas ainda não rebentaram por completo.
- Cortar todos os ramos mortos, enegrecidos ou danificados até encontrar madeira saudável.
- Retirar os ramos que crescem para dentro e os que se cruzam, para manter o centro arejado.
- Cortar os rebentos verticais logo acima de uma gema virada para fora, para que a roseira cresça para o exterior e não para o interior.
- Nas roseiras arbustivas, reduzir normalmente entre um terço e metade do comprimento.
As roseiras trepadeiras recebem um tratamento um pouco diferente: os ramos principais mantêm-se, enquanto os ramos laterais de floração são encurtados para poucas gemas. Assim, a planta preserva a forma, mas volta a rebentar com força em vários pontos.
2. Clematis de floração tardia - para que as flores não fiquem apenas no topo
As clematis que florescem no verão e até ao início do outono - muitas vezes classificadas como grupo 3 - formam as flores apenas na madeira nova. Se as longas varas não forem cortadas, as flores acabam concentradas lá no alto da estrutura, deixando pouco para ver à altura dos olhos.
Em março, os jardineiros experientes reduzem estas clematis de forma acentuada:
- Encurtar cada vara até encontrar gemas vigorosas na zona inferior.
- Eliminar por completo a madeira velha e ressequida.
- No final, deixar uma estrutura de base leve, mas resistente.
A recompensa é clara: a planta rebenta com força a partir da base e distribui depois a floração de forma muito mais uniforme.
3. Budleia - menos madeira, mais panículas florais
Sem poda, a budleia tende rapidamente a transformar-se num emaranhado de madeira velha com poucas flores no topo. Como floresce nos rebentos novos, tolera muito bem uma poda mais forte.
Em março, muitos profissionais procedem assim:
- Remover totalmente as inflorescências velhas.
- Cortar todos os ramos para uma estrutura baixa e firme, muitas vezes à altura do joelho ou da anca.
- Eliminar por completo os ramos fracos ou os que crescem para o interior.
A partir desta base compacta surgem, na primavera, muitos rebentos novos com panículas longas e densas. Ao mesmo tempo, o arbusto mantém-se num tamanho manejável e tem menos tendência para tombar.
4. Lavateras e fúcsias - uma poda de renovação em vez de madeira envelhecida
A lavatera cresce depressa, lenhifica rapidamente e depois tende a abrir-se e a tombar. Uma intervenção forte em março ajuda a manter o arbusto jovem:
- Cortar todos os ramos para cima de alguns ramos principais fortes.
- Fazer os cortes apenas ligeiramente acima de gemas bem visíveis.
- Remover por completo os ramos muito velhos e frágeis.
As fúcsias são um pouco mais sensíveis. Muitos jardineiros esperam até aparecerem os primeiros rebentos novos. Nessa altura, a planta mostra claramente que partes continuam vivas.
Procedimento típico em fúcsias de jardim resistentes:
- Retirar todos os caules totalmente castanhos e secos.
- Encurtar os restantes ramos para cerca de dez centímetros acima do solo.
- Cortar sempre imediatamente acima de gemas saudáveis.
Desta forma, forma-se uma estrutura nova e compacta, que no auge do verão oferece muito mais botões florais.
5. Certas hortênsias - bolas grandes graças a uma poda ousada
Dois grupos de hortênsias também beneficiam de uma poda decidida em março: as hortênsias-de-panícula (Hydrangea paniculata) e as hortênsias-arbustivas, como a ‘Annabelle’ (Hydrangea arborescens). Ambas florescem em rebentos novos.
| Tipo de hortênsia | Poda em março | Resultado |
|---|---|---|
| Hortênsia-de-panícula | Retirar as inflorescências velhas e encurtar cada ponta de ramo até um par de gemas fortes. | Arbusto bem formado, com muitas panículas firmes no fim do verão. |
| Hortênsia-arbustiva | Poda forte e baixa, deixando apenas tocos robustos, com poucas gemas acima do solo. | Rebentos novos vigorosos e inflorescências muito grandes e arredondadas. |
Quem for demasiado cauteloso nestas podas acaba muitas vezes com ramos longos e finos, e flores relativamente pequenas. A poda mais forte parece radical no início, mas produz ramos mais estáveis e capazes de suportar melhor a floração.
Até onde se pode cortar, na prática?
Muitos jardineiros amadores receiam cortar “demais”. Observar o tipo de planta ajuda muito. Se a espécie floresce em madeira nova, uma poda forte em março é quase sempre possível e, muitas vezes, desejável. Se, pelo contrário, floresce na madeira do ano anterior, convém ser muito prudente ou esperar até depois da floração.
Um conselho simples de aplicação prática: antes de cortar, confirme rapidamente a que grupo pertence a planta. Pequenas etiquetas no arbusto, uma nota no telemóvel ou um registo no diário de jardinagem evitam enganos na primavera seguinte.
Dicas práticas para começar a primavera com plantas saudáveis
Depois da poda, vale a pena olhar para o solo. Uma camada fina de composto à volta da zona das raízes fornece nutrientes para o novo crescimento. Em solos muito pesados, juntar um pouco de areia ou gravilha fina também ajuda a evitar encharcamento.
Quem fizer muitas podas de uma só vez pode sobrecarregar os arbustos. Em casos de rejuvenescimento de exemplares muito negligenciados, o mais sensato é repartir o trabalho por dois ou três anos. Assim, mantém-se folhagem suficiente para alimentar as raízes e a planta recupera com mais estabilidade.
Para jardins pequenos ou varandas aplicam-se as mesmas regras em escala reduzida: também as roseiras em vaso, as clematis em recipientes ou as hortênsias compactas no terraço agradecem uma poda bem pensada em março. Com alguns cortes certeiros, uma estrutura aparentemente despida transforma-se num ponto de destaque denso e cheio de flores - muitas vezes de forma mais impressionante do que o aspeto do fim do inverno faria supor.
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