O Grupo Volkswagen mantém-se sob um cenário especialmente exigente: a procura na China - o seu maior mercado individual - continua enfraquecida, ao mesmo tempo que as tensões comerciais entre a Europa e os EUA voltam a ganhar intensidade.
Neste contexto, a necessidade de cortar despesa tornou-se central. Apesar de já estar em execução um programa aprovado no final de 2024, a Manager Magazin indica que poderá estar iminente a luz verde para um novo plano com a ambição de redução de custos em 20% até 2028, com o propósito de fazer regressar as margens do grupo a níveis considerados sustentáveis.
Novo plano de redução de custos no Grupo Volkswagen até 2028
De acordo com a mesma fonte, a proposta terá sido levada à administração pelo diretor-executivo, Oliver Blume, e pelo diretor financeiro, Arno Antlitz, durante uma reunião interna realizada em Berlim, a meio de janeiro. Não terão sido especificadas, nessa ocasião, as áreas exatas onde a tesoura será aplicada, mas a hipótese de encerramento de fábricas não terá ficado fora da conversa.
Entre os elementos que continuam a pesar na estrutura de custos, destacam-se:
- os níveis elevados de investimento em software;
- o desenvolvimento em paralelo de motores de combustão interna e de soluções 100% elétricas.
Um porta-voz da Volkswagen salientou que o grupo já concretizou poupanças de dezenas de milhares de milhões de euros, o que ajudou a amortecer impactos geopolíticos desfavoráveis, incluindo as tarifas impostas pelos EUA. Na conferência anual de resultados agendada para 10 de março, será apresentada uma atualização ao programa de eficiência lançado no final de 2024.
Para além da poupança direta, um plano desta dimensão tende a envolver decisões sobre portefólio de produtos, complexidade industrial e racionalização de plataformas. Na prática, reduzir variantes e uniformizar componentes pode ter um efeito relevante no custo por unidade, sobretudo num período de transição tecnológica acelerada.
Também a pressão competitiva, em particular no mercado chinês, obriga a respostas rápidas: ciclos de desenvolvimento mais curtos, maior integração de software no veículo e uma proposta de valor capaz de enfrentar marcas locais cada vez mais agressivas em preço e tecnologia. Tudo isto pode ampliar a urgência de ganhos de eficiência.
Pressão adicional nas fábricas alemãs
As especulações sobre novos cortes ganharam força depois de o jornal alemão Handelsblatt ter reportado que o programa de eficiência atualmente em vigor não terá atingido as metas definidas para 2024. Segundo a publicação, as principais unidades alemãs - Wolfsburg, Emden e Zwickau - ficaram abaixo dos objetivos internos de utilização, enquanto a fábrica de veículos comerciais de Hanover continua a evidenciar custos elevados.
Importa recordar que, no final de 2024, a administração e o sindicato chegaram a um entendimento que previa mudanças profundas nas operações do grupo na Alemanha, incluindo mais de 35 mil saídas e uma redução da capacidade produtiva.
Ainda assim, a líder sindical Daniela Cavallo assegurou que o acordo firmado exclui o fecho de unidades e despedimentos por razões operacionais. “Com este acordo, excluímos expressamente o encerramento de fábricas e despedimentos por motivos operacionais”, declarou em comunicado.
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