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Este motor a gasolina tem consumos que envergonham os Diesel

Carro elétrico desportivo cinza Horse H12 exposto em showroom moderno com jantes aerodinâmicas.

O potencial deste motor híbrido da Horse Powertrain já tinha sido apontado, mas agora surgem métricas concretas que ajudam a perceber a ambição do projecto. O novo H12 Concept, desenvolvido pela Horse Technologies em parceria com a Repsol, anuncia 44,2% de eficiência térmica máxima - ou eficiência térmica ao travão (BTE). Um patamar que, até há pouco tempo, era praticamente reservado aos Diesel mais sofisticados.

Além disso, a marca avança com um número ainda mais impactante no uso real: consumo inferior a 3,3 l/100 km em ciclo WLTP. Segundo a Horse, este resultado traduz-se numa redução de 40% quando comparado com a média dos automóveis novos registados na Europa em 2023.

44,2% de eficiência de pico no Horse H12 Concept

A eficiência térmica indica que percentagem da energia do combustível é efectivamente transformada em trabalho útil. Num motor a gasolina tradicional, chegar à faixa dos 35% a 38% já é considerado um excelente desempenho. Superar os 44% coloca o H12 Concept - uma evolução do tricilíndrico HR12 utilizado em vários modelos do Grupo Renault - num nível raramente observado fora do universo Diesel.

Na prática, uma eficiência mais elevada significa que o motor desperdiça menos energia em calor e perdas internas, podendo entregar a mesma mobilidade com menos combustível. É também um ganho importante num híbrido, onde o motor de combustão tende a trabalhar mais vezes em regimes “ideais”, maximizando as vantagens da arquitectura.

O que mudou para chegar a 17:1 e melhorar a combustão

Para atingir estes valores, a Horse aposta numa taxa de compressão muito elevada de 17:1, comparável à de motores Diesel. A esta base somam-se várias actualizações técnicas:

  • Novo sistema de recirculação de gases de escape (EGR)
  • Turbocompressor optimizado
  • Ignição de alta energia
  • Caixa de velocidades híbrida
  • Redução de perdas por atrito, incluindo novos lubrificantes desenvolvidos em parceria com a Repsol

Este conjunto de alterações procura melhorar a eficiência do ciclo de combustão e, ao mesmo tempo, limitar desperdícios mecânicos - uma combinação essencial para aproximar um motor a gasolina dos melhores resultados historicamente associados ao Diesel.

Consumo WLTP abaixo de 3,3 l/100 km e menos CO₂ com combustíveis renováveis

A colaboração entre a Horse e a Repsol inclui também a utilização de combustíveis renováveis fornecidos pela empresa espanhola. De acordo com ambas, um automóvel médio equipado com este sistema híbrido, a percorrer 12 500 km por ano, poderá poupar 1,77 toneladas de CO₂ face a um automóvel convencional equivalente.

Importa sublinhar que, para este tipo de abordagem, a disponibilidade e a consistência do combustível utilizado são determinantes. Em particular, a escala de distribuição e o grau de incorporação de componentes renováveis influenciam o impacto final nas emissões associadas ao uso do veículo.

Porque é que isto tem impacto imediato no parque automóvel europeu

A Horse chama a atenção para um facto estrutural: cerca de 97% do parque automóvel circulante europeu continua a ser composto por veículos com motor de combustão. Por isso, a empresa defende que soluções como o H12 Concept podem reduzir emissões de CO₂ de forma imediata, sem depender exclusivamente da substituição total do parque por outras tecnologias.

Este argumento ganha força em contextos onde a renovação do parque automóvel é lenta e onde a transição energética depende de vários factores em simultâneo - desde a capacidade industrial até à infra-estrutura e ao custo total para o consumidor.

“O Horse H12 Concept mostra como motores altamente eficientes e combustíveis renováveis conseguem cortar emissões já hoje, sem ser necessário esperar por soluções de amanhã.”
Patrice Haettel, COO da Horse Powertrain e CEO da Horse Technologies

Quando chega?

A Horse e a Repsol já construíram dois protótipos para validar o desempenho do H12 Concept. O passo seguinte passa por instalá-lo num veículo de demonstração, cuja apresentação está prevista ainda este ano. Só depois disso fica aberto o caminho para a industrialização.

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