O Exército da Noruega confirmou a selecção do sistema de artilharia de foguetes múltiplos K239 Chunmoo, desenvolvido pela sul-coreana Hanwha Aerospace, com o objectivo de fortalecer a capacidade de ataque a longa distância e o apoio de fogo. A decisão, anunciada oficialmente pelo Governo norueguês, integra um contrato avaliado em cerca de 2 mil milhões de dólares norte-americanos e constitui um passo central na modernização das forças terrestres do país.
K239 Chunmoo: fogo de precisão de longo alcance como prioridade operacional
De acordo com o Ministério da Defesa norueguês, o Chunmoo foi seleccionado para responder a um requisito considerado crítico: fogo de precisão de longo alcance. Esta prioridade tem sido reforçada pelas lições retiradas de conflitos actuais, incluindo a guerra na Ucrânia, onde a capacidade de atingir alvos a grande distância com rapidez e exactidão se revelou determinante.
O acordo inclui: - sistemas lançadores; - munições; - sistemas de apoio; - pacotes de formação e treino.
Até ao momento, não foram divulgados números oficiais sobre a quantidade exacta de unidades a adquirir.
Arquitetura modular e elevada mobilidade do sistema
O K239 Chunmoo é um sistema de artilharia de foguetes montado numa viatura táctica 8×8 de alta mobilidade. Foi concebido para utilizar módulos de lançamento permutáveis, o que permite empregar diferentes tipos de munições, incluindo: - foguetes guiados; - foguetes não guiados; - mísseis, incluindo soluções de perfil balístico.
Esta arquitectura modular oferece uma flexibilidade operacional significativa, ao permitir que o sistema seja ajustado tanto a missões de apoio de fogo táctico como a ataques de precisão em maior profundidade - uma característica particularmente valorizada pelas Forças Armadas norueguesas.
Calendário de entregas e pacote de implementação
Segundo os termos contratuais, a Hanwha Aerospace prevê: - entregar as unidades de lançamento e os materiais de formação entre 2028 e 2029; - fornecer foguetes e mísseis entre 2030 e 2031.
Este faseamento separa a introdução das plataformas e do treino inicial da disponibilidade plena do leque de munições, permitindo preparar doutrinas, manutenção e rotinas operacionais antes da entrada em serviço completa.
Integração com padrões da OTAN e factores de decisão
Declarações citadas por vários meios indicam que, em Oslo, a escolha do sistema sul-coreano foi sustentada por uma combinação de: - critérios técnicos; - prazos de entrega; - confiança na capacidade industrial e na continuidade do suporte.
O Chunmoo é visto como uma solução madura, com potencial de integração rápida e compatibilidade com os padrões operacionais da OTAN, factor relevante para a actuação conjunta com forças aliadas.
Modernização da artilharia norueguesa: sinergias com os obuses K9
A decisão surge após a confirmação, por parte do Governo norueguês, da aquisição e incorporação de um novo lote de obuses autopropulsados K9, ampliando ainda mais a capacidade de fogo indirecto. Com esta combinação, a Noruega consolida uma estrutura de artilharia mais moderna, articulando: - obuses autopropulsados (fogo indirecto sustentado); - sistemas de artilharia de foguetes de longo alcance (alcance, rapidez e saturação/precisão).
Ao concentrar estas capacidades numa linha tecnológica coerente, o país reforça a padronização e a evolução progressiva do seu poder de fogo terrestre.
Impacto estratégico no Norte da Europa e no flanco Ártico
Do ponto de vista estratégico, a adopção do K239 Chunmoo enquadra-se no esforço norueguês de reforçar a dissuasão e a capacidade de resposta rápida, num ambiente marcado pela degradação do contexto de segurança no Norte da Europa e no flanco árctico. A combinação de mobilidade, alcance e precisão deverá permitir ao Exército da Noruega apoiar de forma mais eficaz forças nacionais e aliadas em cenários de elevada intensidade.
Sustentação, treino e prontidão em ambiente exigente
A integração de um sistema como o Chunmoo implica também assegurar cadeias de manutenção, abastecimento de munições e formação contínua das guarnições e equipas técnicas. Em especial, a prontidão operacional depende de rotinas robustas de treino e de uma logística capaz de manter o sistema disponível durante períodos prolongados, incluindo em operações com elevada cadência de fogo.
Além disso, num país com condições climáticas e geográficas desafiantes, a mobilidade em viaturas 8×8 e a necessidade de operar em ambientes frios e remotos reforçam a importância de procedimentos de apoio e manutenção adaptados, garantindo que o sistema mantém desempenho consistente quando projectado para áreas de difícil acesso.
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