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Mercedes-AMG prepara um novo motor V8: mais leve, mais sonoro e longe do fim

Carro desportivo Mercedes-Benz AMG cinzento metálico com detalhes laranja, visto em estúdio minimalista.

O motor V8 da Mercedes-AMG continua vivo em Affalterbach

Esqueça a moda da redução de cilindrada levada ao extremo: a Mercedes-AMG confirmou que está a desenvolver um novo V8 para suceder ao muito elogiado M178 biturbo. E não, não estamos perante um híbrido recarregável disfarçado de carro musculado.

Em declarações à revista Car and Driver, Michael Schiebe, diretor-executivo da AMG, deixou claro que em Affalterbach o número de cilindros continua a ter peso: a marca está, de facto, a trabalhar num novo motor V8.

Esse bloco deverá ser mais eficiente sem obrigar, necessariamente, a recorrer a uma unidade elétrica híbrida recarregável. “Não precisamos necessariamente de ir tão longe na hibridização”, explicou Schiebe, referindo-se à preferência dos puristas pelo GT 63 Pro em vez do GT 63 S E-Performance.

Em termos simples, a equação parece ser esta: mais emoção mecânica, menos massa para transportar. E é precisamente essa combinação - som, resposta e carácter - que continua a seduzir muitos clientes da Mercedes-AMG.

Além disso, o V8 mantém um papel que vai muito além dos números de potência. Para a AMG, ele funciona como um elemento identitário, quase uma assinatura, sobretudo num mercado em que muitos rivais apostam em motores mais pequenos e em sistemas elétricos para compensar a perda de desempenho. No papel, isso pode parecer uma solução sensata; na estrada, porém, há quem continue a preferir a linearidade e a presença de um oito cilindros tradicional.

Boas notícias e más notícias para o motor V8 da Mercedes-AMG

Enquanto outros fabricantes contam cilindros como quem faz dieta, a Mercedes-AMG está a fazer cálculos de outra natureza. Há procura, há clientes e há margem. E, quando existe margem, há V8 - pelo menos fora da Europa. Para os europeus, como veremos já de seguida, a história pode não ser tão animadora.

Mas antes disso, vale a pena sublinhar o que os fãs da gasolina querem ouvir: a marca alemã não pretende limitar este motor aos modelos atuais. A intenção passa também por o instalar noutros modelos em que, até agora, nunca tinha sido possível conjugar uma mecânica tão prestigiada. Quais serão esses modelos? Ainda teremos de esperar para descobrir.

A Europa, claro, continua a fazer contas àquilo que é ou não permitido, e o prazo de 2035 mantém-se em vigor. Ainda assim, o continente europeu não é o centro de tudo, e a Mercedes sabe-o bem. Nos Estados Unidos, no Médio Oriente e na Ásia há espaço, procura e entusiasmo suficientes para manter viva esta aposta. Segundo Schiebe, a AMG quer continuar a dar corpo aos sonhos dos clientes - embora os europeus possam já não ter tanta liberdade para sonhar como tinham antes.

Do ponto de vista industrial, faz sentido que a AMG mantenha várias soluções em paralelo: uma base mecânica pode ser adaptada a diferentes mercados, níveis de emissões e objectivos comerciais, sem que o carácter do modelo desapareça. É uma forma de preservar a essência da marca enquanto se navega por regras cada vez mais apertadas.

Agora, resta saber durante quantos anos mais o V8 da AMG conseguirá fintar o relógio da regulação. Mas uma coisa parece certa: a despedida, quando chegar, poderá ser em grande estilo. Entretanto, há outras lendas a regressar:

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