A nova fragata furtiva Tipo 054B Luohe (545), a primeira unidade da mais recente geração de escoltas concebida para a Marinha do Exército Popular de Libertação da China (PLAN), já terá atingido a plena operacionalidade, segundo informações divulgadas recentemente por canais oficiais chineses. Esta indicação surge em simultâneo com o primeiro aniversário da sua entrada ao serviço, em janeiro de 2025, alimentando a ideia de que o programa está a progredir a um ritmo acima do habitual para a aceitação e integração de um navio de projecto totalmente novo.
Entrada ao serviço e um ciclo de adopção mais rápido do que o normal
A Luohe foi oficialmente incorporada em 22 de janeiro de 2025, numa cerimónia realizada na base naval de Qingdao, na província de Shandong. Desde essa data, a fragata terá sido submetida a uma sequência exigente de testes, fases de treino e avaliações operacionais, conseguindo, em cerca de um ano, consolidar competências em áreas críticas como a aplicação de tecnologias furtivas, o emprego de sistemas de comando e controlo e a integração entre sensores e armamento.
Exercícios de avaliação com condições próximas do combate
Nas últimas semanas, o navio largou para um novo exercício de avaliação desenhado para reproduzir circunstâncias semelhantes às de um cenário de combate real. De acordo com o relato oficial, a guarnição foi confrontada com situações inesperadas e ordens emitidas com reduzido tempo de preparação, com o objectivo de medir a capacidade de reacção sob pressão, a gestão de emergências a bordo e a coordenação - domínios apontados como essenciais para alcançar o patamar de operacionalidade agora referido.
Fragata furtiva Tipo 054B: evolução directa da Tipo 054A
A fragata Tipo 054B é apresentada como uma evolução directa da classe Tipo 054A, mantendo a mesma lógica de procurar um compromisso entre custos de construção e de operação e um conjunto equilibrado de capacidades. O resultado é uma plataforma polivalente com deslocamento estimado em cerca de 5 000 toneladas.
Ainda assim, esta nova geração introduz melhorias relevantes face à anterior, incluindo menor assinatura radar, progressos na arquitectura de combate e um aumento do poder de fogo. Em teoria, estas características permitem-lhe operar tanto em missões de escolta e protecção de grupos-tarefa como de forma autónoma, em mares e oceanos distantes, alinhada com a política externa e naval da China.
Construção, cronologia e sistemas principais
Em particular, a Luohe foi construída pelo estaleiro Huangpu-Wenchong, em Guangzhou, e foi lançada ao mar em agosto de 2023. Mais tarde, de acordo com fontes de inteligência de fonte aberta (OSINT), a fragata iniciou ensaios de porto e de navegação no final de janeiro de 2024, culminando com a sua entrada ao serviço em janeiro de 2025.
Entre os elementos de maior destaque contam-se:
- Um novo radar AESA a operar na banda S
- Um sistema de lançamento vertical de mísseis com 32 células
- Capacidade para empregar mísseis supersónicos YJ-12
- Um canhão naval de 100 mm como armamento complementar
Emprego futuro, treino em águas distantes e a segunda unidade Qinzhou (555)
A expectativa é que a Luohe continue a alargar o seu perfil operacional através de treino em águas longínquas e que, mais à frente, possa integrar grupos aeronaval liderados por porta-aviões - uma função que tem vindo a ganhar peso dentro da doutrina naval chinesa. Em paralelo, a Marinha da China já dispõe de uma segunda unidade da classe, a Qinzhou (555), apresentada oficialmente em meados de 2025 e que também deu início a actividades de adestramento de natureza operacional, reforçando a leitura de um avanço contínuo do programa.
O que esta entrada em serviço sugere sobre a maturidade do programa
O facto de uma fragata furtiva Tipo 054B ser apontada como “plenamente operacional” ao fim de aproximadamente um ano sugere não apenas um esforço de treino intensivo, mas também uma aposta em processos de validação mais rápidos para acelerar a disponibilidade real de meios. Em programas desta natureza, a consolidação de rotinas de comando e controlo, a interoperabilidade interna entre sensores e armas e a prontidão da guarnição são tão determinantes quanto a própria tecnologia embarcada.
Além disso, a combinação entre menor assinatura radar e maior poder de fogo tende a ampliar o leque de missões plausíveis, desde a protecção de unidades de alto valor até operações independentes em áreas distantes. Na prática, isto pode traduzir-se em maior flexibilidade de presença naval, com impactos directos na forma como a PLAN sustenta missões prolongadas e projecção de força fora do seu litoral.
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