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Reino Unido confirma a entrega final dos F-35 até ao final de 2033

Piloto militar em fato de voo junto a um caça furtivo estacionado numa pista ao nascer do sol.

F-35 furtivos, Marinha Real e Força Aérea Real

Após uma breve audição parlamentar realizada na Câmara dos Lordes, o Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que os Estados Unidos entregarão o último dos 75 caças furtivos F-35 adquiridos pelas Forças Armadas britânicas até ao final de 2033. Estas aeronaves são fundamentais para consolidar as capacidades de ataque dos grupos de combate de porta-aviões da Marinha Real e para avançar com os planos da Força Aérea Real destinados a restabelecer o componente aéreo da dissuasão nuclear. A confirmação traduz uma alteração do calendário face ao plano inicial e adia a data em que ambos os serviços poderão operar o número total de aeronaves previsto.

Com base nas breves citações disponíveis, pode afirmar-se que a pergunta sobre a aquisição dos F-35 foi apresentada por Lord Alan West, barão West de Spithead: “Perguntar ao Governo de Sua Majestade quando esperam ter recebido as 74 (sic) aeronaves F-35.” A resposta foi dada por Lord Vernon Coaker, barão Coaker e alto responsável da pasta da defesa no Reino Unido, que declarou: “O Ministério espera receber a sua 75.ª aeronave F-35 até ao final de 2033.” Tanto a pergunta como a resposta foram submetidas por escrito e estão disponíveis publicamente no sítio do Parlamento britânico.

Em novembro passado, o Reino Unido tinha anunciado uma frota de 41 caças furtivos, com a meta de atingir 48 aeronaves até ao final do ano - um esforço que, segundo as informações disponíveis, continua em curso. Essas declarações foram feitas por Louise Sandher-Jones, que exerce as funções de ministra para os Veteranos e as Pessoas no governo britânico, deixando claro que ainda faltam entregar várias F-35 para cumprir o calendário acordado.

Até à data, os aparelhos entregues pertencem à variante B do caça desenvolvido pela empresa norte-americana Lockheed Martin. A sua principal vantagem está na capacidade de operar a partir dos porta-aviões da classe Rainha Isabel da Marinha Real, sendo também utilizados em conjunto com a Força Aérea Real a partir de RAF Marham. Em particular, ambos os ramos assinalaram recentemente a obtenção da Capacidade Operacional Plena para operações embarcadas, um marco alcançado a bordo do HMS Príncipe de Gales durante o destacamento do ano passado, conhecido como Operação Mastro Alto.

F-35A, dissuasão nuclear e bases aéreas no Reino Unido

Voltando ao ponto inicial, importa recordar que a confirmação da compra de 12 novos F-35A foi anunciada por Londres já em junho de 2025, na véspera da publicação da Revisão Estratégica da Defesa apresentada pelo novo governo trabalhista. Como já tinha sido referido, esta aquisição destina-se a formar um esquadrão de aeronaves capaz de transportar bombas termonucleares B61-12 de fabrico norte-americano, sendo esta variante a única certificada para essa missão.

Em pormenor, estas doze aeronaves ficarão ao serviço da Força Aérea Real, com RAF Marham, em Norfolk, como provável base principal, enquanto RAF Lakenheath é considerada uma alternativa possível. Ambas as bases destacam-se por dispor de instalações de armazenagem que, apesar de necessitarem de modernização após quase duas décadas desde a retirada das últimas bombas nucleares norte-americanas do país, poderiam albergar as armas destinadas a ser integradas na dissuasão nuclear do Reino Unido, reduzindo assim a dependência da atual força de mísseis lançados a partir de submarinos.

A chegada faseada destas aeronaves também implica um trabalho contínuo de integração de software, manutenção e formação das tripulações. Num programa como o F-35, a disponibilidade operacional depende não apenas da entrega das células, mas também da cadeia logística, dos simuladores e das atualizações de missão, fatores que tendem a influenciar o ritmo a que uma força consegue declarar novas capacidades.

Do ponto de vista estratégico, a combinação entre as variantes B e A permite ao Reino Unido repartir missões entre a projeção de poder naval e a dissuasão nuclear aérea, reforçando a interoperabilidade com aliados da NATO. Na prática, isto significa que a frota não é avaliada apenas pelo número de aviões entregues, mas também pela capacidade de os sustentar, modernizar e empregar em cenários distintos.

Imagens usadas apenas para fins ilustrativos

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