No final de 2025, as Forças Armadas britânicas levaram a cabo a Operação Southern Sovereignty, um exercício militar conjunto realizado numa vasta zona do Atlântico Sul que incluiu as Ilhas Malvinas, as Ilhas Geórgia do Sul e a Ilha Ascensão. A operação articulou meios navais, aéreos e terrestres sob um comando único, com o propósito de avaliar a capacidade do Reino Unido para atuar em simultâneo em vários domínios e num espaço geográfico amplo, remoto e de difícil acesso.
O patrulheiro HMS Forth (P222), da classe River, teve um papel central ao longo da operação. Desdobrado de forma permanente a partir do porto militar de East Cove, nas Ilhas Malvinas, o navio funcionou como plataforma de comando e controlo, a partir da qual o Comandante das Forças Britânicas do Atlântico Sul, Brigadeiro Charlie Harmer, e a sua equipa coordenaram as ações conjuntas.
Desdobramento numa área de cerca de 3,9 milhões de km²
A Operação Southern Sovereignty decorreu numa área aproximada de 3,9 milhões de km² do Atlântico Sul, cobrindo um triângulo operacional entre as Malvinas, a Geórgia do Sul e a Ilha Ascensão. O exercício contou com a participação de unidades do Exército britânico, da Força Aérea Real (RAF) e da Marinha Real britânica (RN).
A bordo do HMS Forth embarcou um destacamento do Regimento Real Irlandês, que desempenha a função de Companhia de Infantaria Rotativa (RIC) nas Ilhas Malvinas. Em paralelo, outro destacamento da mesma unidade foi destacado para a Ilha Ascensão, demonstrando a capacidade das forças britânicas para manter uma presença integrada e coordenada em vários pontos do Atlântico Sul ao mesmo tempo.
Para além do treino tático, a operação serviu também para testar a articulação entre cadeias de comando, apoio logístico e comunicações em grande distância. Numa região onde as infraestruturas são limitadas e as condições meteorológicas mudam rapidamente, este tipo de exercício permite confirmar a rapidez de resposta, a interoperabilidade entre ramos militares e a capacidade de sustentar missões prolongadas longe do continente.
O componente aéreo esteve a cargo de caças Eurofighter Typhoon e de um avião de transporte A400M Atlas, a operar a partir do Complexo de Mount Pleasant, uma infraestrutura essencial para a projeção militar britânica na região.
Operações nas Ilhas Geórgia do Sul e apoio logístico
Durante o desenrolar do exercício, o HMS Forth navegou até às Ilhas Geórgia do Sul, situadas a cerca de 900 quilómetros a leste das Malvinas. Apesar de ser verão no hemisfério sul, o ambiente operacional manteve-se exigente, com temperaturas da água próximas dos 6 °C e a presença frequente de icebergs, devido à proximidade da Antártida.
Além dos objetivos estritamente militares, a operação incluiu uma vertente de apoio civil. Elementos da Marinha Real britânica e do Exército britânico colaboraram com o governo da Geórgia do Sul no transporte de materiais desde Maiviken Cove até Grytviken, o principal núcleo administrativo do território. A inexistência de estradas obrigou a que o percurso fosse realizado por terreno montanhoso, através de um esforço conjunto entre ambas as forças.
Com o apoio do governo local e do Serviço Antártico Britânico, a tripulação do HMS Forth desembarcou em Grytviken, onde também visitou a antiga estação baleeira e prestou homenagem junto ao túmulo do explorador polar Sir Ernest Shackleton.
Em ambientes tão isolados, a componente logística assume quase tanta relevância como a capacidade de combate. O transporte de pessoal e equipamento, a escolha de zonas de fundeio seguras e a adaptação a terrenos sem vias de comunicação são fatores decisivos para a execução de missões sustentadas no Atlântico Sul.
Declarações oficiais sobre o exercício
O comandante do HMS Forth, Grahame Graham-Flint, que assumiu o comando do navio em meados de dezembro, destacou o enquadramento operacional das Geórgia do Sul e afirmou que se trata de “um dos lugares mais espetaculares do planeta”. Sobre as atividades realizadas, acrescentou: “Visitámos Possession Bay, fundeámos em Stromness Harbour e parámos em King Edward Point, rodeados por icebergs, lobos-marinhos e montanhas cobertas de neve: um local verdadeiramente espetacular.”
Por sua vez, o Brigadeiro Charlie Harmer explicou o alcance do exercício conjunto e afirmou: “A Southern Sovereignty permitiu-me testar a nossa capacidade de projetar poder por toda a Área Operacional Conjunta e, em simultâneo, nos domínios marítimo, terrestre e aéreo.” Na mesma linha, acrescentou: “Embora tranquilize a população, em última análise contribui para a minha missão de dissuadir a agressão nas ilhas do Atlântico Sul e demonstra a soberania do Reino Unido em ação.”
Uma operação combinada e permanente
A Operação Southern Sovereignty insere-se no conjunto de atividades regulares que o Reino Unido realiza no Atlântico Sul, combinando treino militar, apoio logístico e presença operativa nos seus territórios ultramarinos. O HMS Forth, prestes a completar seis anos de operações contínuas a partir das Malvinas, continua a ser uma das principais plataformas navais britânicas para este tipo de missões na região.
Este tipo de exercício também reforça a mensagem estratégica de dissuasão e de continuidade da presença britânica numa área marcada pela distância, pelo clima severo e pela dispersão territorial. Ao juntar forças terrestres, aéreas e navais num único enquadramento operacional, a Marinha Real britânica procura demonstrar prontidão, coordenação e capacidade de resposta em todo o Atlântico Sul.
Imagens cedidas pela Marinha Real britânica.
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