Uma reunião recente entre responsáveis do Ministério da Defesa argentino e a Diehl Defence pode abrir espaço, na Argentina, para os produtos do fabricante alemão - entre eles o míssil ar-ar IRIS-T, pensado para equipar os novos F-16 Fighting Falcon da Força Aérea Argentina.
No encontro entre o Tenente-Coronel (R) Lic. Daniel Enrique Martella, Secretário de Assuntos Internacionais para a Defesa, e o Engenheiro Helmut Rauch, CEO da Diehl Defence, a empresa germânica “…apresentou os seus produtos de tecnologia avançada, com especial destaque para os mísseis ar-ar e para os seus sistemas de defesa aérea…”, referiu a pasta da Defesa.
Face às necessidades das Forças Armadas argentinas em sistemas de defesa de curto e médio alcance, a Diehl Defence também pode preencher o segmento dos mísseis ar-ar com o IRIS-T. Esta solução poderia ser aplicada aos F-16 AM/BM Fighting Falcon da Força Aérea Argentina, como alternativa ou complemento aos AIM-9M Sidewinder de origem norte-americana.
Convém recordar que a Força Aérea Argentina apresentou um pedido de aquisição de um pacote de armamento para os seus F-16, iniciativa comunicada oportunamente pelo Departamento de Estado dos EUA em outubro de 2024. O pacote previa a compra de mísseis ar-ar de médio alcance AIM-120-C8 AMRAAM, bombas de uso geral MK-82 de 500 libras, bombas guiadas por laser GBU-12 Paveway II, rádios tácticas e diverso equipamento adicional.
De forma curiosa, nesta primeira fase não foi incluído o pedido de mísseis ar-ar de curto alcance AIM-9 Sidewinder, armamento que poderá estar previsto na compra ao governo da Dinamarca ou reservado para uma segunda etapa. Ainda assim, a disponibilidade do míssil norte-americano não impede que seja complementado pelo IRIS-T, como já aconteceu com alguns utilizadores de F-16 MLU, casos da Noruega e da Tailândia, por exemplo.
Míssil ar-ar IRIS-T
O Diehl Defence IRIS-T é um míssil de 5.ª geração desenvolvido em conjunto por Alemanha, Suécia, Grécia e Noruega. O Canadá teria abandonado o projecto, enquanto a Espanha entrou como parceira no processo de aquisição. Os primeiros passos para o desenvolvimento do IRIS-T foram dados na década de 1990, tendo os primeiros exemplares entrado ao serviço em 2005.
Concebido como substituto ou complemento do AIM-9 Sidewinder, o IRIS-T foi desenhado com diâmetro, comprimento, massa, centro de gravidade e interface compatíveis com os do míssil norte-americano. Ao mesmo tempo, incorporou várias inovações para garantir as capacidades exigidas a um míssil ar-ar de curto alcance de última geração, do tipo all-aspect.
Entre os pontos fortes do IRIS-T destacam-se o seu sensor infravermelho de alta resolução, que lhe dá capacidade de discriminação de alvos e resistência a contramedidas de vários tipos. Segundo o fabricante, a sua distância de aquisição é compatível com todo o envelope cinemático do míssil, que ultrapassaria os 25 quilómetros.
No que toca a manobrabilidade e velocidade, a combinação do motor de combustível sólido com o controlo vectorial de empuxo confere-lhe uma agilidade notável (+60g) para enfrentar diferentes tipos de alvos. O IRIS-T pode atingir uma velocidade máxima de Mach 3. A sua letalidade é assegurada por uma ogiva fragmentária de alto explosivo, que funciona com impacto directo e com um sensor de espoleta de proximidade.
Entre os operadores de F-16 Fighting Falcon, a Noruega, a Grécia e a Tailândia optaram pelo IRIS-T. No caso norueguês, com a substituição dos seus F-16 AM/BM por F-35A Lightning II, os mísseis foram doados à Ucrânia. Por sua vez, a Real Força Aérea da Tailândia é outro dos utilizadores do IRIS-T nos seus F-16 MLU.
Fabrico e manutenção de mísseis AIM-9 Sidewinder
Ao longo dos anos, a Diehl Defence também se dedicou ao fabrico das diferentes variantes do míssil ar-ar de curto alcance AIM-9 Sidewinder. Actualmente, a empresa presta manutenção e modernização de mísseis AIM-9L através da sua subsidiária Diehl Retrofit Missile Systeme.
*Imagem de capa ilustrativa. Créditos: Forsvaret – Torbjørn Kjosvold
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