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O lançamento das novas gerações do Porsche 718 Boxster e do 718 Cayman, ambos 100% elétricos, voltou a ser empurrado para mais tarde - e agora por um período superior ao que se pensava inicialmente.
No final do ano passado, Oliver Blume, presidente executivo da Porsche, já tinha explicado que a marca estava a enfrentar constrangimentos no abastecimento de baterias, o que obrigaria a adiar a chegada destes modelos, que estavam apontados para 2026. Segundo o jornal alemão Automobilwoche, esse prazo terá sido agora estendido para 2027.
Convém recordar que o 718 Boxster e o 718 Cayman deixaram de ser vendidos na União Europeia desde meados de 2024 - com exceção do GT4 RS e do Spyder RS -, sobretudo por causa da entrada em vigor de novas exigências de cibersegurança.
A intenção da Porsche era substituir estes desportivos de motor central diretamente por uma nova geração elétrica, mas esse objetivo volta a ficar mais distante.
Porsche 718 Boxster e Cayman elétricos: o que está a travar o lançamento?
A origem do problema está, em grande parte, na falência da Northvolt, a empresa sueca que iria assegurar o fornecimento de baterias para o futuro 718 elétrico. Perante esse revés, a Porsche passou a contar com o Cellforce Group, empresa que ajudou a criar em 2021, com o objetivo de produzir baterias na Alemanha.
Ainda assim, a forte pressão da concorrência asiática e a dificuldade em captar investimento externo acabaram por comprometer a sustentabilidade do projeto. De acordo com o jornal alemão, é bastante provável que essas baterias nunca cheguem sequer a equipar os desportivos da Porsche.
Mais recentemente, em março deste ano, a marca alemã reforçou a sua posição ao comprar uma participação maioritária na Varta, especialista em baterias, numa tentativa de garantir o fornecimento. Mesmo assim, os obstáculos na cadeia logística parecem manter-se e continuam a dificultar a passagem da Porsche para a mobilidade elétrica.
Este tipo de atraso tem impacto acrescido num modelo como o 718, porque os desportivos compactos dependem muito do equilíbrio entre peso, autonomia e dinâmica de condução. Numa categoria em que a sensação ao volante é decisiva, qualquer alteração técnica na bateria pode obrigar a compromissos difíceis.
Além disso, o caso mostra como a transição energética nas marcas premium não depende apenas da vontade de eletrificar a gama. Para manter o ritmo de lançamentos e, ao mesmo tempo, preservar versões a combustão noutros segmentos, os fabricantes acabam por ter de distribuir recursos por várias frentes em simultâneo.
Talvez demasiado cedo?
Os 718 Cayman e Boxster elétricos não são os únicos Porsche a sofrer atrasos. O construtor alemão também planeava lançar um SUV 100% elétrico de sete lugares, identificado internamente como K1. As previsões iniciais apontavam para 2027, mas o seu lançamento terá sido empurrado para o final da década.
Fabio Hölscher, analista da Wolfburg Research, considera que a Porsche poderá ter avançado demasiado depressa com a sua estratégia de eletrificação. “Como a adoção de elétricos está abaixo do esperado, a Porsche tem agora de desenvolver modelos adicionais a combustão e, ao mesmo tempo, lidar com os atrasos e com os custos elevados associados ao desenvolvimento dos elétricos”, disse à Automotive News.
Importa também lembrar que a Porsche tinha como meta, até 2025, fazer com que metade das suas vendas correspondesse a modelos elétricos ou híbridos plug-in. A ambição passava ainda por atingir 80% de vendas elétricas até 2030, mas essas metas foram entretanto classificadas como “irrealistas” pelo presidente executivo da marca.
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