Há quem pense nas corujas como presença garantida na paisagem rural. Mas entre celeiros antigos que desaparecem, cavidades naturais cada vez mais raras e jardins demasiado “limpos”, estas aves noturnas acabam encostadas à margem. Se tem uma varanda, quintal ou jardim, há um gesto simples que pode fazer diferença real - e ajudar a proteger várias ninhadas ao longo de muitos anos.
Na prática, não é preciso muito para lhes dar uma vantagem importante. O ponto fraco destas aves raramente é a capacidade de caçar ou de resistir à noite; o problema está no lugar onde tudo começa: o sítio seguro para nidificar.
Porque é que as corujas precisam da nossa ajuda com mais urgência do que parece
As corujas parecem robustas: cerca de 20 centímetros, penugem densa, olhos atentos e uma adaptação perfeita à escuridão. Mas a sua maior fragilidade está precisamente no local onde a reprodução começa - o ninho.
Antigamente, as corujas encontravam esconderijos em abundância: árvores ocas, celeiros, estábulos, torres de igrejas. Essas estruturas estão a desaparecer. Árvores velhas são abatidas, edifícios são renovados, aberturas são tapadas. Para estas aves, uma paisagem “arrumada” pode tornar-se vazia e hostil.
Em muitas regiões da Europa, as corujas continuam a ser aves relativamente comuns - mas os locais seguros para nidificar estão cada vez mais escassos.
Há ainda outro fator: a época de reprodução, no fim de março e em abril, é especialmente sensível. Nessa fase, ouve-se muitas vezes o conhecido chamamento “hu-hu” dos machos, acompanhado de vocalizações mais agudas das fêmeas. Os casais formam-se e, poucos dias depois, impõe-se sempre a mesma questão: onde é que vão pôr os ovos?
Corujas na Europa: mais frequentes do que se pensa - e ainda assim ameaçadas
Muita gente imagina que as corujas são espécies raras e exóticas. Não é bem assim. Em países da Europa Central existem dezenas de milhares de casais reprodutores, sobretudo em áreas rurais e mais isoladas. Quem prestar atenção à noite pode ouvi-las com facilidade e, por vezes, até vê-las no facho dos faróis durante uma viagem.
“Coruja” é, na verdade, um termo abrangente. Inclui mais de 250 espécies em todo o mundo. Na Europa, entre outras, contam-se:
- coruja-do-mato – provavelmente a espécie mais comum em florestas e parques
- mocho-de-orelha e mocho-de-poupa – espécies pequenas que gostam de cavidades em árvores
- bufo-real – o grande e impressionante representante com penachos salientes
- coruja-das-torres e coruja-do-nabal – espécies esguias, frequentes em paisagens abertas
Apesar desta variedade, muitos efetivos enfrentam os mesmos obstáculos: falta de locais de nidificação, colisões com automóveis e menos pequenos mamíferos em campos demasiado simplificados. É por isso que um detalhe aparentemente pequeno no jardim pode ganhar uma importância enorme.
O fator decisivo no jardim: um simples ninho artificial
O que as corujas realmente precisam agora não é de comedouros, nem de iluminação especial, nem de gadgets caros. O que procuram acima de tudo é um abrigo seguro para criar os filhos.
Um ninho artificial robusto substitui as cavidades de árvores e as aberturas de antigos celeiros que desapareceram. Deve ser colocado no fim do inverno ou no início da primavera e pode ser usado durante anos por várias gerações.
Um único ninho artificial bem instalado pode garantir, durante muitos anos, a segurança de um casal de corujas e das suas crias.
Uma postura típica tem três a quatro ovos. A incubação dura cerca de um mês. Nesse período, as aves adultas dependem totalmente de um local protegido, seco e tranquilo. Se esse refúgio faltar, a ninhada acaba muitas vezes por falhar por completo.
Como deve ser um ninho artificial adequado para corujas
O ninho ideal depende da espécie. Para corujas pequenas em jardins e aldeias, é possível construir um modelo que sirva várias espécies. O essencial está em alguns pontos-chave:
| Componente | Recomendação |
|---|---|
| Material | Madeira grossa e não tratada (mín. 18–20 mm) |
| Abertura | Relativamente pequena, redonda ou oval, apenas o necessário |
| Interior | Rugoso ou com ripas, para ajudar as crias a trepar |
| Teto | Bem saliente, para impedir a entrada de chuva |
| Revestimento | Uma camada de palha ou aparas de madeira para amortecer |
A entrada não deve ser demasiado grande. Caso contrário, martas, gatos ou corvídeos podem entrar e esvaziar o ninho. Uma abertura mais pequena é um bom compromisso entre acesso para a coruja e proteção contra predadores.
Como instalar corretamente o ninho artificial no jardim
O melhor ninho não serve de muito se ficar no sítio errado. Algumas regras básicas evitam erros:
- pelo menos três a quatro metros de altura, de preferência mais
- num local calmo e pouco iluminado
- com ligeiro avanço do telhado ou copa das folhas para proteger da chuva e do calor
- fixação firme - a caixa não deve balançar com o vento
- sem acesso direto de gatos ou martas através de ramos ou vedações
Quem não tiver uma árvore grande pode também instalar o ninho numa parede de um celeiro ou na fachada da casa, desde que a zona tenha pouca atividade durante a noite.
Fazer em casa ou comprar - ambas as opções funcionam
Quem tem jeito para trabalhos manuais pode construir o ninho artificial em casa. Com um plano simples, algumas tábuas e uma serra, a caixa fica pronta numa tarde. Muitas associações de conservação da natureza disponibilizam instruções de construção.
Para quem não se sentir à vontade, existem modelos já feitos. Podem ser encontrados em lojas especializadas, em grandes superfícies de bricolage ou em lojas online. O importante é que pareça sólido: madeira espessa, parafusos resistentes e nada de contraplacado fino, que incha ao fim de dois invernos.
Mais importante do que a perfeição é haver, de facto, um local seguro para nidificar - cada ajuda conta.
O que mais os proprietários de jardim podem fazer pelas corujas
O ninho artificial é o maior trunfo, mas não é o único. Quem quiser apoiar as corujas a longo prazo pode tornar o terreno um pouco mais “amigo das corujas”.
Mais presas, menos stress
As corujas alimentam-se sobretudo de ratos e outros pequenos mamíferos. Onde tudo é cortado rente, pavimentado ou coberto com brita, falta alimento. Por isso, ajuda muito:
- manter faixas de relva alta ou cantos por cortar no jardim
- ter montes de madeira e pedra como abrigo para pequenos mamíferos
- evitar venenos para ratos
- reduzir a iluminação exterior contínua
O abandono dos venenos é, de longe, um dos pontos mais importantes. As corujas comem ratos envenenados e muitas vezes morrem de forma dolorosa, sem que se perceba logo a causa.
Perguntas frequentes – e o que é melhor evitar
Quem vê uma coruja no jardim pela primeira vez costuma ficar com dúvidas. Algumas regras simples ajudam a evitar erros comuns.
- Não alimentar: as corujas são caçadoras excelentes. Os pontos de alimentação só as colocam em risco e atraem ratos.
- Não abrir os ninhos: espreitar para dentro da caixa perturba a incubação e pode levar ao abandono.
- Não “resgatar” crias precipitadamente: as corujas jovens parecem muitas vezes indefesas no chão, mas continuam a ser alimentadas pelos pais.
Só se uma cria estiver claramente ferida ou em perigo imediato - por exemplo, numa estrada ou com um gato ao pé - é que se deve contactar um centro de recuperação de fauna selvagem.
Porque é que agora é o melhor momento
Quem agir no fim do inverno ou no início da primavera está a escolher o momento certo. Nessa fase, as aves estão ativamente à procura de novos locais de nidificação. Mesmo que a caixa fique vazia no primeiro ano, vale a pena ter paciência. Muitas corujas observam potenciais cavidades durante meses antes de se instalarem.
O mais interessante é perceber a rapidez com que uma pequena medida altera o dia a dia: de repente, volta-se a ouvir chamadas à noite, vêem-se sombras de asas ao crepúsculo e, por vezes, encontram-se egagrópilas por baixo da caixa. E, de passagem, as aves ajudam a controlar populações de ratos - um “serviço” natural, sem químicos.
Portanto, quem tiver uma árvore, uma parede sossegada ou um celeiro disponível pode ainda ser anfitrião nesta época. Um ninho artificial resistente, alguma palha e uns parafusos bastam para ajudar uma família de corujas a passar a época de reprodução em segurança.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário