Para a Honda, o destino não passa por um mundo exclusivamente feito de automóveis elétricos a bateria, mas sim por chegar à neutralidade carbónica. E esta ideia não é propriamente uma novidade: a Toyota, sua compatriota e rival, defende-a há anos.
Foi Jay Joseph, presidente e diretor-executivo da Honda Austrália, que o voltou a sublinhar numa entrevista à publicação Drive, lembrando que a grande meta do construtor japonês é atingir a neutralidade carbónica até 2050.
Mas, como o responsável da Honda Austrália explicou, os elétricos a bateria não são o único caminho para lá chegar:
“Os elétricos a bateria não são o objetivo. Veículos elétricos melhores são um caminho para alcançar a neutralidade carbónica, mas não necessariamente o único.” Jay Joseph, presidente e CEO da Honda Austrália
Os elétricos “melhores” a que se refere não se limitam aos 0 Series, os modelos arrojados e futuristas que a marca japonesa vai lançar a partir de 2026. Jay Joseph recordou também que a Honda está a desenvolver baterias de estado sólido, uma tecnologia em que são depositadas grandes esperanças para o automóvel elétrico do futuro.
Mesmo não sendo a única via para alcançar a neutralidade carbónica, o executivo australiano admite que os elétricos a bateria são “o caminho óbvio a curto e médio prazo”, embora tenha acrescentado que “vamos desenvolver outras tecnologias que nos ajudem a alcançar isso também”.
Quais são as outras tecnologias?
Jay Joseph apontou uma que é particularmente cara à Honda: a tecnologia fuel cell, ou pilha de combustível a hidrogénio. Continuam a ser automóveis elétricos, mas a eletricidade é gerada a bordo, dispensando uma bateria de grande capacidade.
O construtor japonês foi um dos pioneiros nos fuel cell, lançando o primeiro modelo há mais de 20 anos, em 2002. Isto foi mais de uma década antes de a Toyota apresentar o Mirai. Hoje, a Honda vende um CR-V fuel cell, mas, tal como acontece na Toyota ou na Hyundai, o seu peso comercial é residual face ao dos elétricos a bateria.
Apesar das vantagens - reabastecimentos rápidos e emissões de escape reduzidas a água -, as desvantagens da pilha de combustível a hidrogénio continuam a pesar muito mais. Os custos de produção do hidrogénio verde e a rede ainda muito limitada de distribuição e armazenamento continuam a ser obstáculos enormes à expansão desta tecnologia.
Fuel cell não é a única tecnologia
Há outras soluções que a Honda poderá explorar na corrida para a neutralidade carbónica, tal como a Toyota tem feito. Ainda que todas acabem por esbarrar, de uma forma ou de outra, na questão do hidrogénio.
Uma delas passa por usar o próprio hidrogénio como combustível num motor de combustão, substituindo a gasolina, que tem origem fóssil. A outra consiste em combinar hidrogénio e dióxido de carbono para produzir combustíveis sintéticos, um caminho que também tem sido seguido pela Porsche.
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