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VCA ATMOS é uma das opções para modernizar a artilharia do Exército Argentino no século XXI.

Dois soldados em uniformes militares junto a um veículo de artilharia em terreno montanhoso ao pôr do sol.

Desde já, e em linha com o que foi referido anteriormente, as autoridades do Exército Argentino continuam a avançar com vários planos, materializados em análises e comparações de alternativas, para incorporar um novo veículo de combate de artilharia (VCA) sobre rodas, tal como já se observa noutras regiões do mundo e, de forma ainda embrionária, também na América do Sul, onde várias forças deram início, ou estão prestes a fazê-lo, a processos de seleção e aquisição de obuses autopropulsados.

Durante décadas, este nicho da artilharia moderna foi quase totalmente dominado por plataformas blindadas de lagartas, sendo o exemplo mais representativo o M109 nas suas diversas versões. Nos últimos anos, porém, o segmento da artilharia autopropulsada ganhou novo fôlego com a chegada de plataformas assentes em camiões blindados, com tração 6×6 ou 8×8, consoante a escolha do utilizador, e que têm vindo a afirmar-se como opções cada vez mais procuradas.

Tendo isto em conta, e como detalha o Banco de Projetos de Investimento Público (BAPIN), o Exército Argentino mantém há anos um projeto que prevê a aquisição deste tipo de plataformas, numa combinação de veículos de lagartas e sobre rodas, fixando a necessidade de aquisição de até “… 72 Veículos de Artilharia para equipar os Grupos de Artilharia Blindada N.º 1, 2, 9 e 10…”.

Embora o projeto enfrente os habituais obstáculos que marcam as Forças Armadas argentinas - entre dotação orçamental reduzida, falta de decisão política e concorrência com outras necessidades mais urgentes -, o Exército Argentino tem vindo a avaliar vários candidatos, sendo um deles o ATMOS da empresa israelita Elbit Systems.

Sobre o ATMOS da Elbit Systems:

Desenvolvido pela empresa israelita Elbit Systems, o ATMOS é o novo obuseiro autopropulsado sobre rodas de calibre 155 mm/52, oferecendo “… um poder de fogo excecional, mobilidade e um tempo de resposta rápido. Reconhecido com um Número de Stock da NATO (NSN), o ATMOS cumpre os mais elevados padrões internacionais de interoperabilidade, logística e prontidão operacional”, segundo a própria empresa.

Acrescenta ainda: “O sistema, comprovado em combate, encontra-se em serviço em forças armadas líderes a nível mundial. Concebido para prestar apoio de fogo numa ampla variedade de missões, o ATMOS integra-se sem dificuldades com os sistemas C4I existentes dos clientes e dispõe de capacidade incorporada para o emprego de munições guiadas de precisão. Um conjunto eletrónico integrado permite o apontamento e o carregamento automáticos, navegação precisa e operação autónoma”.

Como já foi referido, o ATMOS está também a ser avaliado por forças na região, como é o caso do Brasil e da Colômbia, países que ponderam a sua incorporação e que, tal como acontece no caso argentino, terão de enfrentar os seus próprios desafios financeiros, económicos, políticos e até diplomáticos, tendo em conta as relações complexas que os governos de ambos os países mantêm com Israel.

Voltando ao caso argentino, e considerando a realidade que a instituição atravessa, importa não esquecer que, embora o ATMOS seja um dos modelos em avaliação e visto de forma positiva, não é o único candidato analisado para equipar os Grupos de Artilharia, já que outros modelos de origem europeia também disputam espaço para serem considerados pela força.

No que toca ao referido BAPIN, apesar de surgir de forma recorrente nos documentos oficiais publicados, o projeto não consegue posicionar-se no centro das prioridades da força nem das autoridades ministeriais, tanto passadas como atuais. Ainda assim, não deve ser visto como algo rígido e imutável, podendo alterar-se em função da evolução das necessidades do Exército, mudando-se o número de unidades a adquirir e até a sua composição, passando, por exemplo, de uma combinação de plataformas de lagartas e rodas para um conjunto inteiramente composto por estas últimas.

Por fim, neste momento continuam a ser registados esforços, ao mesmo tempo que se aguarda a abertura de novos processos de avaliação e análise para determinar a viabilidade, bem como a oportunidade, de incorporar este tipo de plataformas, que representariam, sem dúvida, um salto tecnológico significativo para o Exército Argentino, oferecendo potência de fogo, alcance e automatização no serviço da peça, com os quais atualmente nenhum meio de artilharia pode sequer ser comparado.

*Imagens e renders: Zona Militar.

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