Já passou a marca de meio milhão de Renault Clio vendidos em Portugal - um número que ajuda a perceber por que razão este utilitário francês é praticamente uma instituição por cá.
E não se trata apenas de popularidade ou de preço. Ao longo de várias gerações, o Clio foi juntando argumentos muito sólidos para o mercado de usados: conforto, espaço qb, segurança de topo com cinco estrelas Euro NCAP, equipamento essencial para a vida de hoje e custos que, na generalidade, não assustam.
Neste guia de compra, o foco está na quinta geração. Chegou em 2019 e está já a ser substituída - a sexta geração deverá estrear-se no início de 2026. Neste artigo e vídeo sobre a evolução do modelo explicamos o que mudou, o que deve observar e que motores fazem mais sentido, para o ajudar a escolher entre as cerca de 1400 unidades atualmente anunciadas em Portugal no Pisca Pisca:
Evolução primeiro, ousadia depois
Quando a quinta geração do Renault Clio foi apresentada, não faltaram críticas ao desenho exterior, por ser demasiado próximo do antecessor. Parecia mais uma atualização do que um modelo novo. Mas o enorme êxito da quarta geração levou a Renault a seguir a lógica de que em equipa que ganha não se mexe.
O rival Peugeot 208, que recebeu também uma nova geração no mesmo ano, era mais marcante e distinto, tanto por fora como por dentro, mas isso não impediu o Clio de fazer aquilo que sempre fez: vender como pãezinhos quentes… ou será melhor dizer baguetes quentes?
Ainda assim, o modelo não ficou parado no tempo. Em 2023 recebeu uma atualização que lhe deu uma frente mais expressiva e ousada. Mudaram para-choques, faróis, grelha e assinatura luminosa - além de passar a usar o novo logótipo da marca do losango -, alinhando-se com a nova linguagem definida por Gilles Vidal, o mesmo designer que, curiosamente, esteve por trás do desenho do 208.
Pode ver a evolução na galeria abaixo:
Na unidade que testámos no vídeo acima - Clio 1.0 TCe - essa ousadia fica um pouco mais discreta por se tratar de uma versão de entrada, com o nível de equipamento Evolution.
Para ter o impacto visual mais completo, terá de olhar para as versões R.S. Line e, mais tarde, Esprit Alpine (a partir do restyling), de aspeto mais desportivo. São mais apelativas, em parte também pelas jantes maiores (17″ em vez de 16″), mas o ganho em estilo traz algum compromisso no conforto.
Utilitário com ambições familiares
Se o exterior evoluiu de forma contida, o habitáculo foi mesmo uma pequena revolução, com o Clio a apostar forte na digitalização: do painel de instrumentos (7″ ou 10″) ao ecrã central tátil (7″ ou 9,3″) do sistema de infoentretenimento, que na versão maior fica em posição vertical.
Infelizmente, esta geração nunca recebeu o sistema OpenR Link, baseado em Google, que hoje encontramos nos Renault mais recentes. Ainda assim, o Easy Link que equipa este Clio tinha uma utilização adequada e já era compatível com Apple CarPlay e Android Auto.
Os comandos físicos não foram esquecidos, com destaque para a climatização, que conta com três botões rotativos generosos e pequenos ecrãs integrados - uma solução simples e funcional, tão útil agora como quando apareceu.
De resto, sendo um utilitário, e por isso com materiais que estão longe de ser os mais macios, o Clio apresenta uma construção sólida - a unidade testada no vídeo tinha mais de 30 mil quilómetros e não revelou ruídos parasitas.
Outro trunfo do Clio é a bagageira de 360 litros, uma das maiores do segmento, ficando muito perto de propostas de classe acima. Atrás, o espaço é razoável - apenas os ocupantes mais altos podem sentir alguma limitação - e, em conjunto com o sistema Isofix, permite ao Clio assumir sem dramas um papel familiar.
Motorizações para todos os gostos
Um dos grandes argumentos da quinta geração do Renault Clio é a variedade de motorizações disponíveis: gasolina, Diesel, GPL e híbrido. Só falta mesmo a versão elétrica, mas essa lacuna foi primeiro preenchida pelo Zoe e, mais tarde, pelo nostálgico 5.
Na prática, a gama parece quase sempre ter a solução certa para as nossas necessidades: gasolina, Diesel, GPL e híbrido. A única ausência é mesmo a motorização elétrica, mas essa função já foi assegurada primeiro pelo Zoe e agora pelo evocativo 5.
A unidade que pode ver no vídeo acima vinha equipada com a motorização de entrada em Portugal: 1.0 TCe de 90 cv, associado a caixa manual de seis velocidades. Pode parecer modesto - sobretudo numa era de elétricos muito potentes -, mas não é. O peso contido do Clio garante prestações suficientes para o dia a dia, sem receio da autoestrada.
Este três cilindros de um litro é também bastante mais agradável do que o antigo 0.9 TCe, e os consumos são bastante razoáveis: no Spritmonitor, regista uma média de cerca de 6,1 l/100 km.
Se quiser poupar na conta do combustível, o Clio responde com a versão Eco-G, ou seja, bi-fuel (gasolina/GPL). Usa o mesmo 1.0 TCe, mas passa a debitar mais 10 cv, ficando nos 100 cv no total. É, muito provavelmente, a escolha mais sensata da gama.
Para quem faz muitos quilómetros, existe o conhecido 1.5 dCi (100 cv) - esta geração do Clio ficará, aliás, como a última com opção Diesel. O Renault Clio E-Tech híbrido, sem necessidade de ligação à tomada, foi uma novidade absoluta nesta geração e promete mais prestações (140 cv) e consumos mais baixos (média de 5,0 l/100 km nos registos do Spritmonitor). Pode ser o melhor aliado de quem circula sobretudo na cidade.
Ao volante
É fácil encontrar uma boa posição de condução no Clio. Em andamento, consegue aquela combinação muito típica dos melhores franceses: bom conforto e comportamento equilibrado. Não é referência absoluta em nenhum destes campos, mas também não falha em nenhum.
Um Ford Fiesta é mais divertido, um Volkswagen Polo é mais refinado e um Citroën C3 é mais confortável, mas o Renault Clio consegue um equilíbrio muito convincente entre essas qualidades.
Evolução dos preços do Renault Clio
Como já referimos neste Usado da Semana, em Piscapisca.pt encontramos cerca de 1400 unidades de todas as gerações do Clio à venda. Se nos concentrarmos na quinta geração, há perto de 390 unidades, com preços entre os 11 mil euros e pouco mais de 25 mil euros - pode consultar todas as unidades do Renault Clio seguindo esta ligação.
Os dados da consultora MotorCV, que junta os valores reais de transação no mercado de usados, mostram a evolução/depreciação dos preços do Renault Clio (5.ª geração) ao longo dos anos:
Tenha em conta que estes valores são apenas indicativos. O nível de equipamento, a quilometragem e a motorização influenciam de forma relevante o preço final de cada Clio.
No geral, entre os utilitários, o modelo francês continua com preços competitivos face aos rivais, sendo uma das propostas mais equilibradas do segmento.
Custos de utilização
De forma geral, a quinta geração do Renault Clio, apesar de recente, tem boa reputação no mercado. Neste relatório disponibilizado pela MotorCV pode consultar as principais operações de recolha desta geração do Renault Clio:
Para reforçar a confiança na compra, sempre que possível peça o histórico de manutenção. No Piscapisca.pt vai encontrar centenas de unidades com histórico completo e garantia, além de modelos certificados.
Problemas crónicos? Não são conhecidos. O motor 1.0 TCe é, em regra, fiável, mas convém respeitar o plano de manutenção. O caso mais comum pode estar em ruídos da válvula de descarga do turbo (wastegate), normalmente sem gravidade e com custo de reparação moderado.
Os primeiros Clio desta geração também ficaram conhecidos por alguns problemas eletrónicos - dificuldades no arranque e solavancos -, mas entretanto foram corrigidos com atualizações de software. Nada que ponha em causa a fiabilidade do modelo.
O Clio E-Tech híbrido tem a mecânica mais complexa e é a que merece mais atenção caso esteja a pensar numa. Há registos de problemas ao nível da caixa de velocidades, sobretudo fugas de óleo, bem como o aparecimento de mensagens de erro. É essencial confirmar um histórico completo do automóvel para perceber se já teve alguma intervenção. O truque aqui é dar preferência às unidades mais recentes.
Quanto às peças de substituição ou desgaste, os valores também são competitivos, como pode ver na tabela abaixo:
A nossa escolha para o Renault Clio
São muitas as qualidades que atravessam toda a gama Renault Clio: da variedade de motorizações competentes ao nível de equipamento - mesmo nas versões mais básicas, tem tudo o que se espera de um carro moderno -, passando pela versatilidade, já que funciona muito bem como carro de família.
Qual o Clio que deve escolher? Preferencialmente, um de 2023 em diante, ou seja, o Clio reestilizado. Além das mudanças estéticas, ganhou mais equipamento de segurança e conectividade, e a versão híbrida foi melhorada.
Quanto à motorização, o Clio 1.0 TCe convenceu-nos bastante. Mostrou ser poupado e adequado ao que promete. Melhor ainda só a versão a GPL, que permite baixar de forma significativa a fatura do combustível.
Alternativas ao Renault Clio
Não faltam alternativas ao Renault Clio, a começar pelo já referido Peugeot 208. O compatriota tem uma imagem mais requintada, por fora e por dentro, mas nem todos se adaptam ao i-Cockpit e o motor 1.2 PureTech continua a levantar dúvidas.
O Volkswagen Polo é a opção mais conservadora. A oferta de equipamento costuma ser mais limitada, mas o rigor de construção está entre os melhores da classe. Sem sair do Grupo Volkswagen, temos o SEAT Ibiza, mais interessante de conduzir, embora menos confortável, compensando com um dos habitáculos mais espaçosos do segmento.
Para quem procura mais prazer ao volante, é impossível não falar do Ford Fiesta, a referência dinâmica da categoria, mas que peca pela oferta de espaço e pelo apetite nem sempre comedido do 1.0 EcoBoost.
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