A CLEPA - Associação Europeia de Fornecedores Automóveis - lançou um apelo direto à Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através de uma carta aberta a pedir medidas urgentes para defender a concorrência leal, manter a capacidade de inovação e proteger as cadeias de valor europeias.
A associação sublinha que, sem uma resposta rápida, a Europa arrisca perder não só fábricas, mas também autonomia estratégica. “Se deixarmos degradar as nossas cadeias de valor, vamos perder fábricas e autonomia estratégica”, alerta. “Corremos o risco de trocar a soberania tecnológica europeia por uma dependência permanente de regiões de baixo custo e com menor regulação.”
Segundo a CLEPA, a Comissão não está a assegurar condições de concorrência justas para os fornecedores automóveis europeus. A associação argumenta que as empresas europeias enfrentam uma desvantagem estrutural face a concorrentes estrangeiros apoiados pelo Estado, que recorrem a dumping de preços, recebem subsídios distorcivos, beneficiam de sobrecapacidade e lidam com tarifas unilaterais.
O impacto na indústria é relevante: um estudo da consultora Roland Berger estima que até 350 mil empregos europeus podem desaparecer até 2030 se nada for feito.
Os dados de 2025 mostram ainda que as importações de componentes automóveis oriundas da China chegaram aos 8,2 mil milhões de euros, refletindo uma inversão acentuada: há cinco anos, a Europa tinha um excedente comercial de quase sete mil milhões de euros; hoje, regista um défice de 0,7 mil milhões.
O que está a ser proposto?
Para responder a estes desafios, a CLEPA apresentou um conjunto de medidas concretas para reforçar a competitividade e a autonomia da indústria automóvel europeia.
Uma das propostas centrais está ligada à nova categoria M1E proposta pela Comissão Europeia - um veículo elétrico compacto e acessível -, com a criação de um “veículo europeu” que tenha pelo menos 75% de componentes produzidos localmente (excluindo baterias). Desta forma, a maior parte do valor acrescentado ficaria gerada dentro da Europa.
A associação defende também que subsídios públicos, contratos de aquisição e outros incentivos só sejam canalizados para projetos que criem valor efetivo na região, promovendo cadeias de valor mais resilientes e empregos qualificados. Além disso, a CLEPA propõe limiares progressivos e específicos para tecnologias críticas, como os sistemas elétricos e eletrónicos, para garantir que o investimento em inovação e digitalização continue ancorado no continente.
“Os fornecedores automóveis da Europa estão a investir fortemente na descarbonização e na digitalização. Uma definição clara e ambiciosa de ‘veículo europeu’ é essencial para garantir que a transformação da mobilidade, bem como o valor e os empregos que esta cria, permaneçam ancorados na Europa. Deixem-nos escolher soberania em vez de dependência. Vamos escolher o valor europeu”, concluiu a CLEPA.
Reação nacional
Em Portugal, a AFIA - Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel - manifestou novamente o seu apoio à posição da CLEPA.
Para José Couto, presidente da AFIA e membro da direção da CLEPA, “a transição para a mobilidade de baixas emissões e a digitalização exigem investimento, escala e previsibilidade. Apoiar a proposta da CLEPA é escolher soberania industrial, reforçar a resiliência das cadeias de valor e proteger a capacidade tecnológica da Europa.”
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