Ao longo de 2025, a Corporação Aeronáutica Unida (UAC) concluiu a entrega de aeronaves de combate e bombardeiros destinados a equipar as Forças Aeroespaciais Russas (VKS). Entre essas entregas, destacaram-se os caças Sukhoi Su-35S e os caça-bombardeiros Su-34; além disso, no final do ano, foi igualmente noticiada a entrega de bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-160M, numa versão modernizada do aparelho. Ainda assim, entre as entregas oficialmente divulgadas por vários canais, sobressaía uma ausência - até agora - em relação ao avião de combate mais moderno ao serviço das VKS: o caça furtivo Sukhoi Su-57, de quinta geração.
Encomenda firme de 76 Su-57 para as Forças Aeroespaciais Russas
Desde que o primeiro contrato de produção foi assinado em 2019, no âmbito do fórum internacional ARMY, em Moscovo, o Ministério da Defesa russo mantém uma encomenda firme que abrange um total de 76 caças Su-57 produzidos pela UAC, estando 2027 definido como o prazo para a conclusão desta primeira série de aeronaves.
Com base em informações divulgadas por várias fontes de inteligência de fontes abertas (OSINT) e nos dados tornados públicos pelo consórcio Rostec - que publica oficialmente as entregas de equipamento às Forças Armadas Russas - estimou-se que foram entregues dez (10) Su-57 em 2022, onze (11) em 2023, e que, em 2024, o Ministério da Defesa russo anunciou a expectativa de receber um total de vinte e dois (22).
Até ao momento, a última entrega oficial de caças furtivos Su-57 ocorreu em dezembro de 2024, conforme comunicado pelo consórcio. Ao longo de 2025, porém, nem a UAC nem a Rostec divulgaram oficialmente a entrega de novas aeronaves. Apenas através de imagens que se tornaram virais em abril surgiram especulações sobre a entrega de dois aparelhos que saíram da linha de produção da fábrica de Komsomolsk-on-Amur. Graças a essas imagens, foi possível observar que a dupla de aeronaves ostentava os números táticos, ou seriais, “Vermelho 25” (RF-81796) e “Vermelho 26” (RF-81797).
Su-57: produção, dúvidas e hipóteses sobre exportação
A situação relativa ao estado da produção do Su-57 apenas adensa dúvidas e alimenta hipóteses sobre o caça furtivo, bem como sobre a sua eventual exportação para terceiros países através de uma versão derivada designada Su-57E, que, segundo as informações disponíveis, teria a Força Aérea argelina como primeiro operador.
A partir daqui, podem avançar-se várias hipóteses: numa leitura mais otimista, as entregas terão sido efetivamente realizadas, mas não foram comunicadas publicamente; numa interpretação mais pessimista, as Forças Aeroespaciais não terão recebido qualquer unidade nova durante o ano de 2025.
Esta segunda hipótese só reforçaria as dúvidas quanto à verdadeira capacidade do complexo industrial russo para sustentar várias linhas de produção de aeronaves em simultâneo. Como se tem observado, o esforço fabril parece ter sido concentrado nos principais meios usados na guerra contra a Ucrânia - nomeadamente os Su-34, essenciais para missões de apoio e ataque, e os Su-35S, caças de superioridade aérea mais avançados da família Su-27.
Em programas aeronáuticos desta complexidade, a cadência de entregas raramente depende apenas da montagem final. A integração de sistemas eletrónicos, os testes dos motores e a validação de revestimentos e assinaturas reduzem frequentemente o ritmo aparente de produção, sobretudo em plataformas furtivas. Por isso, a ausência de anúncios públicos num determinado ano não implica, por si só, ausência total de atividade industrial; pode também significar que os trabalhos foram deslocados para fases menos visíveis do processo.
O que foi dito em Komsomolsk-on-Amur sobre a produção em série do Su-57
Ao mesmo tempo, não deve ser ignorado que, em outubro passado, foi noticiado diretamente da fábrica aeronáutica de Komsomolsk-on-Amur que a produção em série da aeronave já tinha começado. Nas palavras do vice-diretor-geral da KnAAPO, E. Korshikov, no âmbito de um documentário assinalando o 40.º aniversário do Su-27, afirmou: “Já estamos em produção em série da aeronave de quinta geração, sobretudo para o Ministério da Defesa. E já iniciámos o fabrico de protótipos do avião tático ligeiro (Su-75), com base no Su-57.”
Além disso, a coexistência de várias linhas de produção sugere uma priorização muito pragmática por parte da indústria russa: primeiro respondem-se às necessidades operacionais imediatas e só depois se acelera a expansão de programas mais sofisticados. Em termos práticos, isto ajuda a explicar porque razão alguns modelos ganham visibilidade e outros permanecem discretos, mesmo quando continuam a evoluir tecnicamente.
Por fim, para além do número atual de Su-57 entregues - que empalidece quando comparado com os seus equivalentes ocidentais e chineses, como o F-35 e o J-20 -, nos últimos meses foi relatado progresso no desenvolvimento de novos bocais de escape e de sistemas de propulsão para o caça furtivo russo. Isto pode indicar que 2025 foi um ano mais centrado no aperfeiçoamento e na maturação da plataforma, deixando a produção em segundo plano, enquanto se dava prioridade a outros modelos, como os já referidos Su-34 e Su-35S.
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