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Porta-aviões **Fujian (Tipo 003)**: China prepara a sua plena capacidade operacional em 2026

Pessoal militar prepara avião de caça num porta-aviões ao pôr do sol no mar calmo.

O Fujian (Tipo 003), porta-aviões da Marinha do Exército de Libertação Popular da China, deverá atingir a Capacidade Operacional Plena ao longo de 2026, num passo decisivo para a consolidação das capacidades navais do país. Com esta evolução, a China avança na integração da sua terceira unidade deste tipo, com o objetivo de alargar a sua presença em águas distantes e reforçar a sua projeção estratégica.

Segundo informações divulgadas por meios oficiais chineses, o Fujian passará durante 2026 de uma capacidade operacional inicial para uma capacidade de combate plena, o que implicará a realização de treinos em águas longínquas. Este tipo de exercício assinalaria a sua incorporação na sequência de destacamentos oceânicos, seguindo o precedente do porta-aviões Shandong, que em abril de 2023 realizou a sua primeira missão de treino no Pacífico Ocidental.

O Fujian destaca-se por ser o primeiro porta-aviões chinês equipado com um sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves, desenvolvido integralmente no país. Depois de concluir o seu primeiro ensaio no mar, de oito dias, em maio de 2024, no qual foram avaliados os sistemas de propulsão e energia, o navio foi oficialmente incorporado na Marinha a 5 de novembro de 2025, marcando o início de uma fase caracterizada pela operação simultânea de três porta-aviões.

Após a entrada ao serviço, o Fujian realizou a sua primeira missão de treino de fogo real no mar, na qual participaram diferentes tipos de aeronaves embarcadas, incluindo os caças J-35, J-15T e J-15DT, bem como a aeronave de alerta precoce KJ-600. Durante estas atividades, foram executados vários ciclos de lançamento por catapulta e recuperação, além de exercícios de navegação em formação e de operações coordenadas de busca e salvamento.

Paralelamente a estas atividades, nos últimos meses foram registados progressos no desenvolvimento da componente aérea embarcada, incluindo a possível integração de novos mísseis antinavio YJ-15 nos caças J-15T. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram estas aeronaves equipadas com dois mísseis, um sob cada asa, o que indicaria um alargamento das capacidades ofensivas do grupo aéreo embarcado.

Fujian e a expansão da capacidade de combate da China

No início de abril, o porta-aviões Fujian foi novamente detetado a realizar exercícios no mar de Bohai, ao largo da cidade de Qinhuangdao, segundo imagens de satélite obtidas por meios de inteligência de fontes abertas. Nestas atividades, o navio operou acompanhado por, pelo menos, uma unidade de escolta, possivelmente uma fragata, o que sugere a continuidade de testes orientados para a integração do grupo de combate.

Especialistas em assuntos militares sublinham que o treino em águas distantes será determinante para validar a plena capacidade operacional do Fujian. Segundo o analista Wei Dongxu, “quando virmos o Fujian a operar com a sua carga aérea completa e a demonstrar a capacidade de lançar e recuperar aeronaves ao longo de todo o convés, poderemos considerar que a sua capacidade de combate está plenamente desenvolvida”. O especialista acrescenta ainda que estes destacamentos irão decorrer em ambientes mais complexos, com possíveis interferências externas e maiores exigências em termos de coordenação e resposta.

A evolução do Fujian também representa um teste importante à maturidade da aviação naval chinesa. A integração de uma catapulta eletromagnética, de aeronaves de alerta precoce e de caças com diferentes funções aumenta a complexidade operacional, mas também eleva significativamente o alcance, a velocidade de resposta e a capacidade de sustentação das operações aéreas a partir do mar.

À medida que a Marinha chinesa amplia a experiência de operação com múltiplos porta-aviões, a componente logística e a coordenação com navios de escolta tornam-se cada vez mais relevantes. O desempenho do Fujian em missões prolongadas, longe das bases costeiras, será um indicador importante da capacidade de Pequim para manter grupos navais mais autónomos e com maior raio de ação.

Imagens meramente ilustrativas.

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