Produção, testes e calendário do programa taiwanês
Prevendo que esta entrega assinale o arranque formal da integração na sua frota de 66 unidades, a Força Aérea de Taiwan conta poder receber oficialmente o primeiro F-16 Block 70 durante o terceiro trimestre deste ano, isto é, antes do próximo mês de setembro. Se tal se confirmar, o programa de modernização em curso dará finalmente sinais concretos de progresso, depois dos atrasos que travaram a evolução prevista e da aprovação bem-sucedida de vários ensaios específicos a que foi sujeita a plataforma, desenhada à medida dos requisitos taiwaneses.
A novidade surge na sequência de uma recente deslocação do vice-ministro da Defesa de Taiwan, Hsu Szu-chien, aos Estados Unidos, com o objectivo de visitar a linha de produção dos novos F-16 Block 70 e assistir a alguns dos seus testes de voo. A informação acabou por ser confirmada pelo responsável da tutela, o ministro Ku Li-hsiung, que, após essa visita, afirmou no parlamento de Taiwan que a primeira aeronave estará nas mãos da Força Aérea antes de setembro.
Convém recordar que, tal como noticiámos no final do passado mês de março, a Lockheed Martin também já tinha dado sinais de progressos na entrega da nova plataforma. Nessa altura, a empresa referiu que estava a trabalhar em dois turnos para recuperar o calendário de produção perdido devido aos atrasos anteriores, um entendimento que foi acertado com Taipé para tentar regressar a um cronograma próximo do inicial. A questão é particularmente relevante, tendo em conta que estes aparelhos deverão substituir os Mirage 2000 em serviço na Força Aérea de Taiwan, cuja idade levanta preocupações entre os estrategas da ilha perante a modernização dos meios de combate chineses.
Os primeiros exemplares não chegam apenas para renovar a frota; a sua incorporação também será determinante para manter a prontidão operacional da força aérea e para assegurar a transição entre plataformas distintas. A entrada em serviço de um caça com este nível de integração digital exige formação adicional para pilotos e técnicos, bem como ajustamentos na manutenção, no apoio logístico e na gestão de peças sobresselentes.
No que respeita aos testes de voo realizados com os F-16 Block 70, estes começaram em dezembro de 2025, tendo como cenário os céus da Carolina do Sul, onde a Lockheed Martin dispõe de instalações nas quais o avião está a ser produzido. Nesta fase de ensaios, a empresa norte-americana afirma dar especial atenção a tudo o que diz respeito à compatibilidade entre sistemas, cablagem e software, com retorno imediato à linha de montagem para efectuar, o mais depressa possível, os ajustamentos necessários.
Em paralelo com os avanços na produção dos novos F-16 taiwaneses, importa sublinhar que o país já começou a receber os retornos financeiros acordados por ter sido parceiro da Lockheed Martin no desenvolvimento da variante Block 70, sendo o único que manteve a sua posição depois de outros países abandonarem o programa. Como assinalámos no início de março, isso traduziu-se em mais de 70 milhões de dólares em pagamentos e, segundo analistas locais, essa tendência deverá manter-se ao longo dos próximos cinco anos.
Para Taipé, este desfecho tem também um peso estratégico, uma vez que reforça a cooperação industrial com os Estados Unidos e ajuda a sustentar a actualização da sua aviação de combate num contexto regional cada vez mais exigente. A continuidade do programa é, por isso, vista como um indicador não só de capacidade de entrega industrial, mas também de compromisso político e militar entre os dois lados.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos
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