No final de 2025, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou a Capacidade Operacional Plena (FOC) do sistema de armas F-39 Gripen E, um marco que consolidou a integração do caça na arquitectura nacional de defesa aérea. Na sequência desse passo decisivo, a FAB assinou, a 26 de Janeiro de 2026, em São Paulo, um novo acordo técnico com a GE Aerospace destinado a assegurar apoio abrangente aos motores F414-GE-39E que equipam os caças suecos construídos pela Saab.
Acordo FAB–GE Aerospace para o apoio completo dos motores F414-GE-39E
O entendimento aprofunda a cooperação entre as duas entidades e garante acesso a assistência técnica avançada, formação especializada e serviços de defesa orientados para manter a prontidão da frota. Na prática, trata-se de um reforço da sustentação logística e técnica necessária para preservar níveis elevados de disponibilidade operacional à medida que o F-39 Gripen E ganha maior expressão no inventário da FAB.
Com este acordo, a FAB passa a dispor de dados técnicos e de serviços essenciais para a integração, operação, ensaios e manutenção dos F414-GE-39E. Nos termos estabelecidos, a GE Aerospace irá disponibilizar:
- Programas específicos de formação;
- Manuais técnicos e documentação de referência;
- Representação local no Brasil, reforçando a capacidade do pessoal nacional para manutenção e prontidão.
Em paralelo, a MDS Aero Support Corporation integrará o esforço de suporte através do fornecimento de bancos de ensaio e desenhos técnicos, alargando a base de apoio tecnológico dentro do país e diversificando os meios disponíveis para actividades de teste e manutenção.
Declarações da GE Aerospace e enquadramento ITAR
A propósito do acordo, Asha Belarski, Directora-Geral de Apoio ao Cliente e Sustentação para Defesa e Sistemas na GE Aerospace, sublinhou que este passo “representa mais um capítulo na relação de longa data entre a GE Aerospace e a Força Aérea Brasileira”. Acrescentou ainda que a disponibilização de formação e suporte contribuirá para reforçar o sucesso operacional da frota Gripen e para a expansão da capacidade de defesa do Brasil.
O acordo está enquadrado nas regras do International Traffic in Arms Regulations (ITAR), que regulam a transferência de dados técnicos e serviços associados a material de defesa, assegurando que a cooperação internacional decorre dentro dos requisitos legais aplicáveis.
Ensaios determinantes para a Capacidade Operacional Plena (FOC) do F-39 Gripen E
A confirmação da FOC no final de 2025 resultou de uma sequência de validações críticas, incluindo:
- Certificação do reabastecimento em voo com a aeronave de transporte táctico Embraer KC-390 Millennium;
- Primeiro lançamento real do míssil ar-ar MBDA Meteor;
- Exercícios de tiro do canhão Mauser BK-27.
Com estas validações, o sistema Gripen alcançou plena maturidade tecnológica e ficou efectivamente integrado no sistema de defesa aérea nacional.
Calendário revisto do programa F-X2 e entregas até 2032
De acordo com o planeamento revisto do programa F-X2, a Saab e a Embraer irão concluir a entrega das 36 aeronaves Gripen E/F encomendadas pela FAB em 2032. O novo calendário, ajustado por razões industriais e orçamentais, prevê a entrega de uma única unidade em 2026, seguida de um ritmo de produção crescente nos anos posteriores.
Apesar dos atrasos face ao plano inicial, a continuidade do programa mantém-se como eixo estruturante para:
- Consolidação de capacidades estratégicas;
- Ampliação da transferência de tecnologia;
- Reforço da Base Industrial de Defesa do Brasil.
Sustentação, formação e autonomia operacional na frota Gripen
A incorporação de apoio técnico directo da GE Aerospace tende a reduzir riscos de indisponibilidade associados a ciclos de manutenção e a necessidades de diagnóstico avançado, sobretudo quando articulada com recursos locais como bancos de ensaio e documentação técnica detalhada. Este tipo de arranjo, ao combinar suporte do fabricante com capacidade instalada no país, é decisivo para estabilizar prazos de reparação e padronizar procedimentos de manutenção em toda a cadeia.
Em complemento, a aposta em formação especializada - alinhada com manuais e boas práticas actualizadas - aumenta a consistência na execução de tarefas críticas, melhora a rastreabilidade técnica e facilita a evolução de doutrinas de sustentação à medida que a frota acumula horas de voo e experiência operacional.
O F-39E como pilar da defesa aérea após o F-5M Tiger II
Com a sustentação progressiva da frota Gripen e o novo suporte aos F414-GE-39E, a Força Aérea Brasileira consolida uma posição de liderança regional na aviação de combate. Equipado com radar AESA, sistemas de guerra electrónica de nova geração e mísseis ar-ar MBDA Meteor BVRAAM, o F-39E está destinado a tornar-se a pedra angular da defesa aérea do país nas próximas décadas, acompanhando a retirada do F-5M Tiger II nos anos vindouros.
Imagens utilizadas para fins ilustrativos.
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