Saltar para o conteúdo

Sköll: o UGV da S2T pensado para vigilância fronteiriça e uso militar

Soldado em uniforme camuflado controla veículo blindado autónomo em terreno árido com montanhas ao fundo.

O desenvolvimento de novos veículos não tripulados já não se limita às plataformas aéreas. Hoje, o leque de soluções inclui também drones marítimos e, como se vê cada vez mais, veículos terrestres não tripulados. É neste contexto que surge o Sköll, um UGV desenvolvido pela Serviços e Soluções Tecnológicas S.A. (S2T), filial tecnológica da FAMAE, para responder às exigências crescentes do Exército do Chile neste segmento.

Durante a Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE), a Zona Militar falou com Rodrigo Becerra, chefe de Operações da S2T, junto ao Pavilhão “G”, para conhecer o estado atual do programa, as características do veículo, as suas capacidades e os passos seguintes.

Num cenário em que as forças terrestres procuram ampliar a vigilância sem expor pessoal, este tipo de plataforma ganha relevância por ser modular e adaptável. A combinação de sensores, comunicações remotas e possibilidade de integração de diferentes cargas permite ajustar o veículo a tarefas de reconhecimento, patrulhamento e apoio a operações em ambientes exigentes.

Outro ponto central neste tipo de solução é a ligação com os sistemas de comando e controlo. Quando um veículo consegue operar de forma remota, reunir dados em tempo real e identificar automaticamente zonas de interesse, a tomada de decisão torna-se mais rápida e a resposta no terreno pode ser melhor coordenada.

Sköll, um nome nórdico para uma plataforma não tripulada

Quanto à designação, o Sköll segue a linha adoptada pela S2T noutros desenvolvimentos, como o sistema de controlo de tiro de artilharia Ragnar, recorrendo a nomes da mitologia nórdica. Neste caso, a inspiração vem de Sköll, o lobo que, segundo a tradição nórdica, perseguia o Sol todos os dias.

Becerra explicou que a ideia por trás do nome também ajuda a reflectir a filosofia do sistema: “É um lobo inquieto, que está sempre à procura do seu alvo. Parte da lógica de que esta plataforma permite operá-la à distância, desde 400 metros até 200 ou 500 quilómetros, ou mais, consoante as comunicações por satélite que consigamos implementar, ou aquilo que o cliente pretender”.

Sensores, radar e operação remota no Sköll

Sobre as capacidades do veículo, o responsável da S2T sublinhou que o Sköll tem utilização civil e militar, podendo também ser armado.

“Esta plataforma tem uso civil e militar. Tem capacidade para ser armada. Neste momento, a configuração que está a ver é uma configuração para emergência fronteiriça. Tem um radar de 3 quilómetros; pode ser equipado com um radar de 10 quilómetros. Trata-se de um radar de vigilância terrestre que está montado, além de um sistema electro-óptico”, referiu.

Acrescentou ainda que a plataforma integra uma câmara diurna e uma câmara térmica, bem como câmaras de 360 graus e um sistema de radares apoiado por inteligência artificial.

“Isso permite ao utilizador vigiar à distância e definir pontos de controlo. O veículo desloca-se sozinho no terreno e, quando detecta pontos de interesse, pode alertar o utilizador para o local para onde deve apontar e avançar. Com isso, pode pedir apoio de efectivos militares”, explicou.

Um desenvolvimento concebido e fabricado no Chile

Questionado sobre a base do projecto, Becerra esclareceu que o Sköll não resulta de uma adaptação directa de uma plataforma 6×6 já existente, mas sim de um consórcio com a Easy Solutions, empresa com larga experiência no desenvolvimento de UGV para mineração.

“Não. O desenvolvimento é um consórcio entre a Easy Solutions, que é uma empresa com grande experiência no desenvolvimento de UGV para a mineração. Mas, tendo em conta as necessidades das forças terrestres, decidimos desenhá-lo de raiz. Para isso, apoiámo-nos em plataformas já existentes.

Por isso, foi idealizado, desenhado, desenvolvido e fabricado completamente aqui no país”, afirmou.

Segundo o responsável, a proximidade da S2T às estruturas militares facilita a identificação de necessidades operacionais concretas. A empresa, recordou, tem mais de 15 anos de experiência com sistemas de armas e nasceu no seio das Forças Armadas.

“É uma proposta tecnológica, porque a S2T já tem mais de 15 anos de experiência a trabalhar com sistemas de armas. Nascemos dentro das Forças Armadas, por isso conhecemos as necessidades reais das nossas forças de Arica a Punta Arenas.

Este sistema está preparado para trabalhar desde 5.000 metros de altitude até ao nível do mar. Como também já desenvolvemos outros sistemas, como sistemas de controlo de tiro, e dispomos de sistemas informáticos, já conhecemos bem e mantemos uma relação muito próxima com as Forças Armadas; por isso, entendemos claramente quais são as necessidades”, afirmou.

Provas no terreno e certificação militar

A plataforma já foi testada em ambiente operacional, mas a empresa quer avançar para uma fase mais exigente de validação.

“Sim. O passo seguinte é iniciar os processos de certificação. O sistema já foi testado no terreno, mas queremos levá-lo ao limite para o deixar com padrões militares a 100%”, explicou Becerra.

O veículo já dispõe, de acordo com o responsável, de um nível militar de base. Ainda assim, a S2T quer submetê-lo a ensaios mais severos para verificar o comportamento em cenários extremos.

“Embora o veículo já tenha um padrão militar, porque inclui todos os sistemas, por exemplo, os pneus são blindados, é um 6×6 independente, tem blindagem de 8 milímetros, resiste a disparos de 9 mm até 7,62 mm, tem uma carga útil de 5 toneladas, e agora queremos levá-lo a condições mais extremas para poder trabalhar, por exemplo, com neve ou com a carga máxima no deserto, e ver como funciona a interferência electromagnética. Queremos realizar todas essas certificações militares com o veículo”, referiu.

Possíveis pacotes de missão e integração de armamento

Quando questionado sobre uma eventual incorporação futura de armamento remoto ou de outros pacotes de missão, Becerra respondeu que, para já, não há uma decisão concreta nesse sentido. Ainda assim, a plataforma foi pensada com essa flexibilidade em mente.

“Não, por agora, obviamente. Mas, entre os usos que já identificámos para as capacidades desta plataforma, é possível armá-la. Dada a sua mobilidade versátil e a comunicação remota, é possível integrar sistemas de foguetes, colocar radares com sistemas de alerta precoce para a instalar numa cota elevada e apoiar sistemas antiaéreos.

Também pode ser integrada com sistemas electrónicos, como os que o Exército está hoje a instalar nos Marder, para que se torne num sistema autónomo e automático. Como este veículo não transporta tripulação, à distância consigo ver onde devo fazer a defesa e utilizá-lo num emprego 100% de combate”, explicou.

Próximas etapas do programa

Quanto ao calendário, a S2T planeia iniciar em breve a fase formal de validação.

“Dentro das próximas três semanas, vamos iniciar os processos de ensaio de certificação; essa é a primeira etapa. E pretendemos que, até Novembro, já possamos ter uma segunda versão mais orientada para o uso bélico a 100%”, concluiu.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário