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Marinha Real britânica vigia quatro navios e um submarino russos no Canal da Mancha e no Mar do Norte

Marinheiro da marinha observa navios militares no mar com binóculos durante dia claro.

Durante a manhã de hoje, a Marinha Real britânica anunciou que concluiu uma operação de dez dias com meios aero-navais para acompanhar de perto quatro navios e um submarino da Marinha russa, após a passagem destes meios pelo Canal da Mancha e pelo Mar do Norte. Segundo a informação divulgada nos canais oficiais da instituição, a missão envolveu o HMS Somerset, o HMS St. Albans, o HMS Mersey e o RFA Tideforce, além de helicópteros navais mobilizados para reforçar a vigilância.

Este tipo de missão é parte integrante da segurança marítima britânica e permite manter uma imagem atualizada do que se passa nas rotas mais movimentadas junto ao Reino Unido. Para além do acompanhamento imediato de contactos de interesse, estas operações servem também para treinar a coordenação entre navios de combate, meios de apoio e aeronaves embarcadas, num contexto em que a cooperação com aliados continua a ser decisiva.

HMS Mersey, HMS Somerset e os navios russos acompanhados

Em maior detalhe, a Marinha Real britânica explicou que o HMS Mersey, em conjunto com o RFA Tideforce e um helicóptero Wildcat do 815.º Esquadrão Aéreo Naval, foi responsável por seguir a fragata russa Almirante Grigorovich, bem como o navio de desembarque da classe Ropucha Aleksandr Shabalin e o submarino Krasnodar, da classe Kilo.

Por sua vez, o HMS Somerset, apoiado pelo seu helicóptero Merlin, intercetou o contratorpedeiro Severomorsk, da classe Udaloy, e o navio-tanque Kama, que navegava ao seu lado. Nessa fase da operação, a fragata HMS St. Albans juntou-se brevemente ao esforço para complementar o acompanhamento.

Aumento da atividade russa e resposta coordenada da OTAN

Comentando a crescente atividade naval russa nas águas do Atlântico, o tenente George Hage, do HMS Mersey, afirmou: “O Mersey costuma ser uma das unidades de elevada prontidão para proteger as águas britânicas, juntamente com os seus navios gémeos HMS Tyne e Severn. Manter uma presença capaz de supervisionar a atividade russa em águas britânicas não é uma tarefa simples, sobretudo com o aumento da atividade nos últimos meses (…) Trabalhar com os nossos aliados continua a demonstrar o trabalho de equipa e a solidez que definem a Aliança da OTAN.”

Também importa sublinhar que o acompanhamento efetuado pela Marinha Real britânica enquanto os navios russos atravessavam o Atlântico contou com o apoio de outros parceiros europeus de Londres, incluindo aeronaves e embarcações destacadas pela França, pelos Países Baixos e pela Bélgica. Estes procedimentos já tinham sido observados noutras ocasiões, como aconteceu em 26 de janeiro, quando unidades britânicas e neerlandesas seguiram a corveta russa Boikiy e o petroleiro MT General Skobelev durante a sua passagem pelo Canal da Mancha.

Operação Ceto e o regresso do HMS Somerset

Convém ainda referir que a substituição do HMS St. Albans pelo HMS Somerset não esteve relacionada com qualquer falha técnica. Tratou-se, antes, de uma rotação programada no âmbito da Operação Ceto, a missão permanente da Marinha Real britânica destinada a vigiar possíveis atividades submarinas nas águas circundantes.

Segundo o comandante Matt Millyard, do HMS Somerset: “Desde que regressámos das operações em dezembro de 2025, tem sido feito um trabalho incrível para preparar o HMS Somerset para voltar às suas funções na Operação Ceto (…) Os próximos meses prometem ser uma combinação complexa de tarefas para o navio, mas estamos prontos e aguardamos com entusiasmo o desafio.”

Vigilância marítima e prontidão operacional

Para lá do acompanhamento imediato destes contactos, operações como esta mostram a importância de manter meios navais e aéreos prontos a responder rapidamente a movimentos inesperados em rotas estratégicas. Em simultâneo, reforçam a interoperabilidade entre forças aliadas e ajudam a preservar a liberdade de navegação em áreas de elevado tráfego marítimo.

Ao mesmo tempo, missões deste género funcionam como um teste real à capacidade de comando e controlo, exigindo comunicação permanente entre navios, helicópteros e centros de coordenação. É precisamente essa combinação de vigilância, dissuasão e cooperação multinacional que dá consistência à presença da OTAN no flanco marítimo europeu.

Créditos das imagens: Marinha Real britânica

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