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Capim-das-pampas: porque é visto como uma ameaça em França

Homem com chapéu de palha a apanhar plantas decorativas num jardim florido ao pôr do sol.

Ainda se vê em muitos jardins, nas bermas das estradas e junto a novos loteamentos: o capim-das-pampas, com as suas panículas cor de creme. Durante muito tempo foi uma planta da moda para quem gostava de decoração e de jardins boémios. Mas, desde 2023, a espécie integra em França uma lista de proibição, com possíveis multas pesadas para o comércio e para novas plantações. O que está por trás desta decisão e o que é que isso significa para os jardineiros amadores - também no espaço de língua alemã?

Porque é que o capim-das-pampas é considerado um risco em França

O capim-das-pampas, conhecido botanicamente como Cortaderia selloana, é originário da América do Sul. As plantas formam touceiras enormes, muitas vezes com mais de dois metros de altura e quase a mesma largura. As panículas ornamentais parecem inofensivas, mas, do ponto de vista ecológico, representam um problema sério.

Cada panícula produz centenas de milhares de sementes extremamente leves. O vento transporta-as a grandes distâncias. Por isso, a planta surge em dunas, taludes, terrenos abandonados e bermas de estradas - longe do canteiro original do jardim.

O capim-das-pampas afasta as plantas nativas, empobrece os habitats e altera a paisagem.

Por esse motivo, a espécie é classificada como uma “espécie exótica invasora”. Trata-se de plantas que não são autóctones e que se espalham tão rapidamente que empurram para segundo plano as espécies locais. No caso do capim-das-pampas, juntam-se vários fatores:

  • produção extrema de sementes e dispersão a longa distância pelo vento
  • grande capacidade de competição em solos pobres e em locais com pouca manutenção
  • quase ausência de inimigos naturais na Europa
  • sistema radicular muito resistente, difícil de remover

A estes fatores somam-se riscos concretos no dia a dia: as folhas são afiadíssimas, o que complica o trabalho no jardim e pode causar ferimentos. O pólen pode afetar fortemente pessoas alérgicas. E, além disso, as touceiras secas funcionam como combustível e podem favorecer incêndios perto das habitações.

O que França proibiu concretamente desde 2023

Em 2023, França travou em definitivo. Com uma portaria de âmbito nacional, o capim-das-pampas foi incluído numa lista de plantas proibidas, com base na legislação ambiental francesa e num regulamento da UE sobre espécies invasoras.

Para o material vivo, as regras são claras. Entre as proibições contam-se:

  • introduzir plantas ou sementes no país
  • possuir ou manter plantas vivas com capacidade de reprodução
  • comercializar, vender, oferecer ou trocar
  • transportar plantas e partes de plantas que ainda possam reproduzir-se
  • plantar deliberadamente ou deixar naturalizar

Os viveiros tiveram de escoar os seus stocks, e os paisagistas já não podem usar a planta em novas instalações. As panículas secas para arranjos florais, por outro lado, são consideradas pouco problemáticas: já não estão vivas e, por isso, não se podem espalhar.

Quem, em França, continue a comercializar capim-das-pampas vivo apesar da proibição arrisca penas pesadas - em teoria, até três anos de prisão e 150 000 euros.

Na prática, as autoridades concentram-se sobretudo em grossistas, importadores e novas plantações. Uma touceira antiga e isolada num jardim privado raramente entra na mira, embora a regra também se aplique, em termos jurídicos, a particulares.

Os proprietários têm de remover o capim-das-pampas de imediato?

Quem já plantou o seu capim-das-pampas antes de 2023 não tem de o arrancar de um dia para o outro em França. Não existe, a nível nacional, uma obrigação de remoção total imediata.

Ainda assim, a responsabilidade recai claramente sobre o dono do terreno: deve impedir que a planta continue a espalhar-se. Na prática, isso significa:

  • cortar sistematicamente as inflorescências antes de se formarem sementes
  • não dividir a touceira nem a mudar para outro ponto do jardim
  • nunca oferecer ou vender plântulas ou fragmentos
  • usar luvas, roupa resistente e óculos de proteção em qualquer intervenção

As autoridades ambientais são especialmente sensíveis quando o jardim fica junto a dunas, margens de rios ou zonas húmidas. Nesses locais, aconselham vivamente a remoção gradual e completa dos exemplares, muitas vezes com apoio técnico, porque as touceiras grandes só saem da terra com maquinaria pesada ou com grande esforço físico.

Muito importante: os restos de corte e os pedaços de raízes não devem ir para a compostagem. Mesmo pequenas sobras podem rebentar de novo ou voltar a semear-se. O recomendado é colocar tudo em sacos resistentes e entregar num ecocentro ou num ponto de recolha de resíduos verdes.

Que alternativas existem para um jardim ornamental

A imagem típica das gramíneas altas e leves pode ser obtida facilmente no jardim sem promover uma planta invasora. Muitas espécies oferecem efeitos decorativos semelhantes, mas são muito mais fáceis de manter e mais compatíveis com a natureza.

Gramíneas de substituição populares para canteiros

  • Stipa tenuissima (capim-das-fetas fino): hastes finas e pendentes, que se movem ao vento, ideais para jardins naturalistas.
  • Molinia (molinia ou erva-dos-pântanos): espécie autóctone com panículas delicadas, que no outono ganham tons dourados.
  • Festuca glauca (festuca-azul): pequenas touceiras com folhas azul-acinzentadas, boas para jardins frontais e vasos.
  • Miscanthus (capim-chinês, apenas cultivares não invasivas): alto e vistoso, com panículas imponentes.

Muitas destas espécies não servem apenas para enfeitar. Dão abrigo a insetos, ajudam a estabilizar taludes e, depois de bem estabelecidas, exigem pouca manutenção.

Como devem reagir os jardineiros amadores em Portugal, na Alemanha, Áustria e Suíça

Na Alemanha, na Áustria e na Suíça, não existe neste momento uma proibição uniforme à escala europeia para o capim-das-pampas, mas as regras podem variar de região para região. Quem quiser plantar de novo deve informar-se previamente sobre a situação no respetivo estado federal ou cantão e optar de preferência por alternativas autóctones.

Nos jardins já existentes, vale a pena olhar com atenção: quão perto está a gramínea de espaços abertos, margens de rios ou áreas protegidas? Já aparecem plântulas jovens nas imediações? Quanto mais a planta começa a escapar ao controlo, mais razões existem para reduzir o seu número.

Cada dono de jardim decide, em parte, se as espécies invasoras se espalham - ou se o seu espaço continua a ser um refúgio para as espécies nativas.

Porque é que as plantas invasoras são tão problemáticas para a natureza

O capim-das-pampas é apenas um exemplo entre muitos. Também o loureiro-cerejo, a budleia ou o Heracleum mantegazzianum são frequentemente discutidos de forma crítica pelos especialistas. O princípio é o mesmo: espécies não autóctones adaptam-se bem ao clima, quase não têm inimigos naturais e aproveitam as lacunas da paisagem.

Com isso, deslocam plantas nativas, que são vitais para insetos, aves e pequenos mamíferos. Um arbusto aparentemente atraente ou uma gramínea decorativa pode, assim, desencadear um efeito em cadeia: menos diversidade vegetal, menos alimento, menos locais de nidificação.

Muitas plantas invasoras também alteram o solo ou o regime da água. Fazem mais sombra, acumulam certas substâncias ou secam o terreno mais depressa. Isso torna ainda mais difícil a recuperação das espécies locais, mesmo depois de as exóticas serem removidas.

Dicas práticas para um jardim bonito, mas amigo da natureza

Quem não quiser abdicar do valor ornamental das gramíneas altas pode seguir algumas regras simples:

  • ao comprar novas plantas, perguntar de forma direcionada por espécies autóctones ou sem problemas conhecidos
  • ler os rótulos: levar a sério a indicação “invasiva” e, em caso de dúvida, escolher outra espécie
  • em plantas com crescimento agressivo, verificar com regularidade se estão a avançar para as áreas vizinhas
  • cortar as inflorescências de espécies problemáticas antes de amadurecerem
  • em caso de incerteza, contactar os serviços locais de ambiente ou associações de proteção da natureza

Quem pensar em substituir o capim-das-pampas pode fazê-lo por fases: primeiro remove as panículas, depois, no outono ou no início da primavera, arranca a touceira ou reduz o seu volume com vários cortes. Em seguida, o espaço pode ser preenchido de imediato com outra gramínea ornamental ou com um arbusto amigo dos insetos.

Assim, o jardim mantém o apelo visual sem criar, a médio e longo prazo, problemas nas paisagens vizinhas. O capim-das-pampas pode ser fotogénico - mas, em muitas regiões da Europa, já não tem lugar num projeto de jardim sustentável.

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