A primavera está finalmente a arrancar e a terra aquece - agora és tu que decides, com poucos gestos, quão colorido o teu jardim vai ficar no verão.
Quem, em abril, pega no plantador, garante meses de cor no canteiro, na varanda ou no terraço. A terra morna e ainda húmida faz com que bolbos e tubérculos ganhem ritmo muito depressa. Muitos jardineiros amadores já pensam em tomates e legumes, mas são precisamente os bolbos florais que criam agora a base para um verão que continua florido até ao outono.
Porque abril é o mês discreto ideal para as plantas bolbosas
Em abril, o jardim parece acelerar. O solo ainda conserva a humidade residual do inverno e, ao mesmo tempo, as temperaturas sobem. Para as plantas de floração estival, esta combinação é praticamente perfeita: nem encharcada, nem fria, mas com calor suficiente para formar raízes depressa.
Quem planta em abril dá às suas plantas bolbosas uma raiz estável - e poupa muito trabalho de rega mais tarde.
Tubérculos bem enraizados lidam muito melhor com períodos secos. Vão mais fundo no solo e conseguem aí encontrar a humidade que ainda resta. Isso reduz o stress das plantas e evita que tenhas de andar sempre com o regador atrás delas.
Em muitas zonas de Portugal e também noutras regiões de clima semelhante, o período entre março e maio é adequado para os bolbos de verão. Em áreas planas e amenas podes começar mais cedo; em zonas mais altas ou mais expostas, abril costuma ser a janela mais segura, porque o risco de geada no solo diminui.
Como plantar bolbos e tubérculos em abril sem erros
Antes sequer de pensares na enxada, vale a pena fazer uma verificação rápida aos tubérculos e bolbos. Devem estar firmes ao toque, sem zonas apodrecidas e sem bolor. Exemplares enrugados, moles ou muito já brotados é melhor deitar fora.
Preparar o solo - aqui começa o sucesso
As plantas de verão odeiam o encharcamento. Por isso, solta bem a terra e, se necessário, mistura-lhe areia ou gravilha fina. Solos pesados e argilosos precisam muitas vezes de uma camada extra de drenagem no cova de plantação, por exemplo com brita miúda ou areia grossa.
- Soltar as zonas compactadas com a forca de cavar
- Incorporar matéria orgânica, como composto
- Evitar depressões onde a água se acumula ou melhorá-las com drenagem
Em vaso, a regra é simples: usa apenas recipientes com furos de escoamento e coloca uma camada de argila expandida ou gravilha antes de encher com terra.
A regra prática para a profundidade certa de plantação
Para quase todos os tubérculos de verão, aplica-se a mesma regra fácil: coloca-os a uma profundidade entre duas e três vezes e meia a sua altura. Exemplo: se um tubérculo de dália tiver cerca de 5 centímetros de altura, enterra-o a 12 a 15 centímetros de profundidade.
A ponta ou o olho do tubérculo deve ficar virado para cima; os tubérculos achatados, como os do tipo begónia, entram na terra com o lado ligeiramente côncavo voltado para cima. Depois de os colocar, tapa o buraco com terra solta, pressiona de leve e rega bem.
Uma rega profunda logo após a plantação costuma ser suficiente para vários dias - a terra deve ficar húmida, não encharcada.
Uma camada fina de cobertura morta com aparas de casca, aparas de relva ou folhas ajuda o solo a não secar tão depressa e mantém a humidade mais tempo junto às raízes.
As 7 melhores plantas bolbosas para flores de junho a outubro
Em abril, crias a base para uma imagem de jardim que se mantém até à primeira geada. Estas sete espécies são consideradas especialmente fiáveis, resistentes e generosas - mesmo para quem está a começar.
Dália - a clássica das flores XXL
As dálias costumam entrar em cena a partir de junho ou julho e florescem até à primeira geada. Para o arranque em abril, coloca os tubérculos em terra bem solta, num local com sol pleno. Em zonas mais frias, pode ser necessário algum tipo de proteção ligeira contra o frio, por exemplo manta térmica por cima da área recém-plantada durante a noite.
As variedades altas precisam, na maioria das vezes, de uma estaca para apoio. Conforme a variedade, encontras flores simples, semi-duplas ou enormes e arredondadas - ideais também como flor de corte para o vaso.
Lírio - uma nuvem perfumada e elegante no canteiro de verão
Os lírios dão altura, estrutura e muitas vezes um perfume intenso ao jardim. Planta os bolbos a cerca de três vezes a sua altura, em terra permeável e rica em húmus. Um local luminoso, mas não demasiado quente, é o ideal. Muitas espécies florescem de junho a agosto.
Uma dica prática: a “cabeça” do lírio gosta de sol, enquanto o “pé” prefere sombra. Plantas com folhagem baixa à frente ajudam a manter a zona das raízes um pouco mais fresca.
Begónia tuberosa - manchas de cor para zonas sombrias
A begónia tuberosa é perfeita para áreas de meia-sombra a sombra, por exemplo debaixo de árvores, em varandas viradas a norte ou junto a paredes da casa. Normalmente começa a florir em julho e prolonga-se até ao outono.
Importante: não leves os tubérculos cedo demais para o exterior sem proteção. Quem vive em zonas mais expostas deve primeiro forçá-los dentro de casa e só depois, em maio ou junho, colocar os vasos no exterior. As variedades de flor dobrada são especialmente apreciadas para floreiras e suspensões.
Gladíolo - a diva esguia e dramática
Os gladíolos dão espigas florais espetaculares em muitas cores - dos tons pastel aos matizes mais intensos e escuros. Preferem locais quentes e soalheiros, com solo solto e rico em nutrientes.
Como os caules ficam muito altos, podem inclinar-se facilmente com o vento. O melhor é prever logo estacas ou uma estrutura de suporte, para poderes prender as plantas de forma leve. Quem quiser prolongar a floração pode plantar novos tubérculos de duas em duas semanas.
Canna - ambiente tropical para canteiro e vaso
As cannas trazem consigo uma sensação de férias. A folhagem robusta e as cores fortes das flores dão ao canteiro um toque exótico. Os tubérculos precisam de um local quente e soalheiro, bem como de uma boa disponibilidade de nutrientes. Um solo permeável e rico em húmus ajuda a evitar o apodrecimento.
Em regiões amenas, os tubérculos podem passar o inverno no solo; em zonas mais frias, é melhor retirá-los no outono e guardá-los num local sem geada.
Crocosmia - arcos flamejantes para espaços vazios no canteiro de vivazes
As crocosmias formam hastes florais elegantes e arqueadas em tons de laranja, amarelo ou vermelho. Não crescem tão volumosas como as cannas, mas encaixam muito bem em canteiros mistos de vivazes. Um local solarengo e drenado realça especialmente bem as cores.
Com os anos, as plantas alastram lentamente através de pequenos tubérculos. Quem quiser controlar isso pode retirar partes da touceira de tempos a tempos e oferecê-las a outras pessoas.
Agapanto - o rei das plantas de vaso
O agapanto, muitas vezes chamado de lírio-do-Nilo em Portugal, mostra com gosto as suas impressionantes bolas florais em vaso. No canteiro, só resulta mesmo em regiões muito amenas. A planta precisa de bastante sol, adubações regulares e vasos relativamente apertados - assim produz ainda mais flores.
De junho a agosto, enfeita terraços e entradas com as suas bolas azuis ou brancas. No inverno, prefere ficar sem geada, por exemplo numa garagem ou numa escada luminosa.
Quando floresce o quê? Um resumo rápido
| Planta | Época de plantação (abril) | Floração prevista | Local |
|---|---|---|---|
| Dália | a partir de meados de abril | junho a outubro | Sol |
| Lírio | abril | junho a agosto | Sol a meia-sombra |
| Begónia tuberosa | abril, com proteção contra geada | julho ao outono | Meia-sombra a sombra |
| Gladíolo | abril a maio | verão | Sol |
| Canna | abril, em local quente | julho ao outono | Sol |
| Crocosmia | abril | julho a agosto | Sol a meia-sombra |
| Agapanto | abril em vaso | junho a agosto | Sol |
Com truques simples, a floração pode durar muito mais
Se queres plantar uma vez e colher alegria durante meses, deves prestar atenção a alguns pormenores na manutenção e na combinação das espécies. Uma boa adubação de base com composto ou um adubo orgânico de libertação lenta alimenta as plantas durante muitas semanas. Mais tarde, basta aplicar, de poucas em poucas semanas, um fertilizante líquido na água de rega, sobretudo nas plantas em vaso.
Também convém cortar regularmente as hastes já murchas. Muitas espécies concentram então a energia na formação de novos botões, em vez de produzirem sementes. No caso das dálias e das begónias, isso nota-se claramente.
- Primeira adubação no momento da plantação
- Camada de cobertura morta para evitar a secura
- Estacas firmes para variedades altas
- Remover flores murchas rapidamente
- Vigiar pragas e ataques de fungos
O que os principiantes muitas vezes subestimam - e como evitar erros
Há dois aspetos que causam frustração com frequência: solo demasiado húmido e profundidade errada. Se os tubérculos ficarem em água, apodrecem. Se forem enterrados demasiado fundo, demoram imenso a romper a superfície. Se forem colocados muito à superfície, tombam mais facilmente ou secam.
Outro erro clássico é a impaciência. Muitas bolbosas de verão levam o seu tempo até aparecer o primeiro rebento. Se, nessa altura, alguém começar a escavar “para ver se já nasceu”, acaba por danificar a planta jovem. O melhor é marcar o local com um identificador de plantação e esperar serenamente.
Quem tem crianças pode aproveitar a plantação de bolbos de forma lúdica. Cada pessoa fica responsável por uma espécie e observa qual delas germina mais depressa. Assim, nasce quase sem dar por isso uma pequena experiência de jardinagem, que continua a interessar os mais novos também no verão.
As plantas de floração estival de tubérculos e bolbos combinam de forma excelente com vivazes clássicas e com flores anuais. Dessa maneira, crias canteiros vivos, com alturas, cores e formas diferentes - e o teu jardim mantém-se com aspeto renovado até bem entrado o outono.
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