Num esforço conjunto entre civis e as Forças Armadas, a Ucrânia desenvolveu a sua própria versão do avião de ataque “Spooky” para travar as sucessivas vagas de drones russos Shahed e Geran. Uma reportagem exclusiva recente do canal francês TF1 levantou o véu sobre o modo como esta unidade opera em conjunto com uma aeronave ligeira de transporte, um An-28 adaptado para a missão.
Graças à cobertura detalhada da TF1, volta a ficar patente a criatividade da Ucrânia na resposta à ameaça representada pelos drones russos. Esta capacidade ganha ainda mais peso quando se tem em conta que Moscovo acelerou de forma significativa a produção de veículos aéreos não tripulados de ataque, bem como os bombardeamentos contra infraestruturas críticas. Os efeitos desta ofensiva fazem-se sentir durante o rigoroso inverno ucraniano, com várias cidades a sofrer danos em instalações de produção de energia.
A reportagem da TF1 permitiu observar de perto o funcionamento diário desta unidade caçadora de drones, bem como o equipamento utilizado em missões tão mediáticas quanto arriscadas. No âmbito de uma colaboração entre pessoal civil e as Forças Armadas, a Ucrânia criou a sua própria versão do Spooky, embora numa configuração reduzida.
An-28 e Miniguns: o Spooky ucraniano contra os drones russos
Neste caso, a solução adaptada para enfrentar os drones russos assenta no uso de uma aeronave ligeira de transporte, o An-28 “Cash” (designação de relatório da NATO), que foi modificado para operar metralhadoras M134 Minigun, sistemas eletro-ópticos/infravermelhos, equipamento de aquisição de alvos, óculos de visão noturna e aviónica melhorada - criando, na prática, um Spooky “de bolso”.
A reportagem da TF1 permite ver a configuração adotada no An-28, que, além de piloto e copiloto, integra um posto para o operador dos sistemas eletro-ópticos/infravermelhos e um artilheiro responsável por uma M134 Minigun. As imagens também mostram o piloto e o artilheiro a usar óculos de visão noturna, uma solução lógica, tendo em conta que as operações contra os drones russos decorrem normalmente durante a noite.
Entre os sistemas instalados no An-28 Spooky, o conjunto de sensores eletro-ópticos/infravermelhos destaca-se como elemento essencial para detetar e seguir os drones russos. Para além da capacidade visual em qualquer condição meteorológica, dispõe de seguimento automático, que fica “acoplado” ao alvo para garantir vigilância contínua.
Quanto ao armamento, trata-se de uma Dillon M134 Minigun de calibre 7,62 mm, com uma cadência de tiro de cerca de 3.000 disparos por minuto. Tal como se vê nas imagens divulgadas pela TF1, uma rajada de três a quatro segundos costuma ser suficiente para assegurar a destruição dos drones.
Convém recordar que, em novembro de 2025, se tornou viral um vídeo que mostrava um drone russo a ser abatido a partir de uma aeronave armada com uma Minigun. Na altura, especulou-se que pudesse tratar-se de um helicóptero, mas a sequência terá pertencido, muito provavelmente, ao Spooky ucraniano, que então operava com um perfil discreto.
Perante a ameaça dos drones, as Forças Armadas da Ucrânia têm aplicado várias soluções para os contrariar - desde aviões de treino Yak-52 com um artilheiro armado com uma espingarda, até helicópteros Mi-8/17 e Mi-24. Agora, o An-28 Spooky junta-se a estes meios e parece somar já um registo de pelo menos 150 abates.
Para já, continua por confirmar se se trata de uma única aeronave ou se as Forças Armadas da Ucrânia planeiam replicar o conceito, que aparenta estar a provar a sua eficácia apesar da natureza arriscada da missão. Esse risco torna-se evidente no final da reportagem da TF1, onde o Spooky ucraniano exibe danos causados por estilhaços da explosão de um drone russo abatido.
Imagem de capa: captura de ecrã da TF1
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