Míssil antinavio Harpoon Block II valida também capacidade de ataque terrestre
Tendo como cenário o Campo de Tiro Point Mugu, na Califórnia, a Marinha dos EUA revelou que recorreu a um caça F-15SA para concluir os ensaios relativos à versão atualizada do míssil antinavio Harpoon Block II, tornando esse momento no terceiro e derradeiro teste previsto para o armamento. Segundo a informação divulgada pela instituição através do Comando de Sistemas Aéreos Navais (NAVAIR), as provas decorreram a 16 de janeiro sob a coordenação da Oficina do Programa de Armas de Ataque de Precisão (PMA-201), com o apoio da equipa da Boeing.
Entre os pormenores mais relevantes da avaliação, importa referir que a nova versão do Harpoon Block II foi lançada pelo F-15SA a cerca de 3.650 metros de altitude e, depois disso, o míssil desceu para 1.520 metros para executar a maior parte do percurso até ao alvo, que atingiu com precisão após realizar uma manobra terminal com um ângulo de picada acentuado. A Marinha dos EUA acrescentou ainda que se tratou de um alvo terrestre, o que permitiu confirmar a aptidão do míssil para missões de ataque para lá do seu foco antinavio principal. O ensaio incluiu também a verificação das capacidades que o GPS oferece ao míssil para seguir diferentes pontos de referência previamente programados na sua trajetória.
Como foi referido anteriormente, esta foi a terceira prova bem-sucedida que o míssil em causa ultrapassou e a última das previstas pela US Navy para demonstrar de forma progressiva o seu desempenho, tendo os dois antecedentes ocorrido em 2025. Na primeira delas, a instituição afirmou ter verificado o sistema de guiamento e o comportamento aerodinâmico desta nova variante, enquanto a segunda serviu para certificar a sua capacidade de neutralizar alvos navais em movimento. Com este contexto em mente, a força espera poder encerrar o período de testes num futuro próximo e avançar depois para a incorporação de exemplares antes do fim do ano.
No plano das declarações oficiais, a capitã Sarah Abbott, atual gestora da PMA-201, afirmou: “Este marco reflete a força da equipa integrada do governo e da indústria, e o seu compromisso em disponibilizar uma capacidade fiável e relevante para a frota.” Convém lembrar, nesse sentido, que a família Harpoon já está presente nos arsenais da Marinha dos EUA há mais de 50 anos e que, como produto de exportação, chegou a mais de 30 parceiros internacionais desse país; isso abre caminho para que, assim que o processo de produção avance, outros clientes optem por aderir à nova variante desenvolvida.
Harpoon Block II, F-15SA e a variante avançada saudita
Por outro lado, vale a pena sublinhar que o F-15 utilizado nos testes foi o identificado pelo número 12-1002, o que significa que se trata de um dos três exemplares da variante “avançada saudita” que operam atualmente a partir das instalações da Boeing na Califórnia. Não é um detalhe menor, tendo em conta que esta variante, em conjunto com a F-15K sul-coreana, se destaca por poder lançar o míssil antinavio AGM-84 Harpoon, tal como os modelos SLAM/ER derivados dessa base; isso confere-lhes uma capacidade singular de combate contra alvos navais, mesmo tratando-se de uma plataforma inicialmente orientada para a superioridade aérea.
Os planos futuros da Força Aérea dos EUA para o Harpoon Block II
Por fim, olhando para o futuro, cabe destacar que este não seria o único armamento antinavio que a Força Aérea dos EUA poderia, em algum momento, integrar na sua frota de caças F-15. Em paralelo com a consolidação da nova variante do Harpoon Block II, a NAVAIR já indicava a intenção de dispor dos novos mísseis LRASM para responder a esta necessidade de longa data, um modelo que, segundo relatórios e declarações da Lockheed Martin, se distingue por um maior alcance - situado em torno dos 370 quilómetros - e por uma baixa observabilidade.
Créditos das imagens: NAVAIR
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