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NRP Tridente parte de Lisboa para a Operação Brilliant Shield da OTAN

Submarino português NRR Tridente com tripulação a bordo navegando perto da ponte 25 de Abril em Lisboa.

A Marinha Portuguesa anunciou, na terça-feira, 14 de abril, que o submarino NRP Tridente largou da Base Naval de Lisboa para integrar a Operação Brilliant Shield da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), num desdobramento destinado a reforçar a vigilância e a segurança marítima em zonas estratégicas para a Aliança. A saída da unidade enquadra-se nas contribuições portuguesas para missões aliadas, num contexto de atividade crescente em áreas marítimas consideradas essenciais.

A cerimónia de partida foi presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Marinha, almirante Jorge Nobre de Sousa, que sublinhou o valor operacional da missão. Segundo o oficial, “com a participação na operação Brilliant Shield, o Tridente contribuirá para a vigilância e segurança de áreas centrais para os objetivos da Aliança, assegurando uma presença credível e reforçando a capacidade de acompanhar as atividades de atores relevantes”.

Durante o ato, o almirante dirigiu-se também à guarnição, destacando a preparação e o profissionalismo dos militares. Nobre de Sousa afirmou que deposita “plena confiança na competência, na formação e na disciplina” do pessoal destacado. Acrescentou ainda que os efetivos “representarão Portugal com dignidade e responsabilidade, bem como com ‘zelo, aptidão e honestidade’” ao longo de toda a missão.

A presença do NRP Tridente nesta operação reforça a relevância do domínio submarino nas tarefas de dissuasão, recolha de informação e proteção de rotas marítimas. Em missões deste tipo, a capacidade de permanecer oculto, observar movimentos em áreas sensíveis e cooperar com meios de superfície e aéreos é decisiva para a resposta coletiva da OTAN.

NRP Tridente e a Operação Brilliant Shield: treino, vigilância e interoperabilidade

No âmbito deste desdobramento, o submarino da Marinha Portuguesa participará no exercício “Dynamic Mongoose”, considerado um dos principais exercícios de guerra antissubmarina da OTAN. Nas manobras estarão igualmente envolvidos a fragata D. Francisco de Almeida, integrada no Grupo Marítimo Permanente da OTAN 1 (SNMG1), e uma aeronave P-3 da Força Aérea Portuguesa (FAP), permitindo uma coordenação multinacional em operações de deteção e acompanhamento de ameaças submarinas.

Para além da participação em exercícios, o NRP Tridente prestará apoio, durante duas semanas, às atividades do programa de Padrões Operacionais e Treino da Frota (FOST) da Royal Navy. Este tipo de adestramento visa avaliar e melhorar a interoperabilidade e o nível de prontidão das unidades navais que operam segundo os padrões da Aliança.

Em paralelo, o desdobramento português insere-se num quadro mais amplo de contributos aliados em diferentes teatros marítimos, como sucede com Espanha no Mediterrâneo. O submarino Galerna da Armada Espanhola iniciou recentemente a sua participação na operação “Noble Shield” da OTAN, após partir de Cartagena, rendendo o Isaac Peral e reforçando a presença aliada numa área de grande importância estratégica para a segurança marítima europeia.

Características do submarino da classe Tridente

O NRP Tridente pertence à classe Tridente, concebida para operações prolongadas com capacidades avançadas de discrição e combate. Tem um deslocamento de 1.842 toneladas em superfície e 2.020 toneladas em imersão, com 68 metros de comprimento, 6,35 metros de boca e 6,6 metros de calado, o que lhe permite operar a profundidades superiores a 300 metros.

No capítulo dos sistemas, dispõe de um radar de navegação Kelvin Hughes KH-1007 e de um sistema de combate Atlas Elektronik GmbH ISUS 90-50, integrando sensores e capacidades de gestão tática. O seu armamento inclui 12 torpedos e até 6 mísseis Harpoon UGM-84, enquanto a propulsão combina dois motores diesel MTU 16V396 TB-94, um motor elétrico Siemens Permasyn e dois geradores de propulsão independente do ar (AIP) Siemens Sinavy, atingindo uma velocidade de até 20 nós em imersão.

A classe Tridente foi pensada para responder a cenários exigentes, nos quais a autonomia, a furtividade e a precisão de atuação são determinantes. Estes submarinos são particularmente adequados para missões de recolha de informação, proteção de linhas de comunicação marítimas e apoio a operações conjuntas com forças navais e aéreas aliadas.

*Imagens cedidas pela Marinha Portuguesa.

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