Saltar para o conteúdo

Renault Twingo voltou: custa menos de 20 mil euros

Carro elétrico Renault Twingo 20K verde em exposição numa sala com grandes janelas e carregador eléctrico.

É oficial: o Renault Twingo está de volta. Ou, melhor dizendo, regressa a uma fórmula que já lhe deu identidade: um citadino pequeno, acessível e com atitude própria, pensado para mostrar que ainda há espaço para carros compactos, baratos e diferentes.

Chega ao mercado no final do primeiro semestre de 2026 e vai custar menos de 20 mil euros. A grande questão é esta: terá argumentos para ser mesmo uma lufada de ar fresco no mercado automóvel europeu?

Fomos a Paris conhecê-lo e explicamos tudo neste vídeo:

Regresso de um ícone

Em 1992, quando foi lançado, o Twingo pode dizer-se que virou as regras do mercado do avesso. Numa altura em que os automóveis eram, em geral, cinzentos e sem grande ousadia, a Renault arriscou com um modelo colorido, de formas arredondadas e com uma personalidade muito própria.

Foi um risco, sem dúvida. Totalmente assumido por Patrick Le Quément, chefe de design da Renault até ao início dos anos 2000. Mas compensou.

Mais de 30 anos depois, o espírito irreverente do Twingo regressa, agora em formato 100% elétrico, para completar o trio de modelos que a Renault foi resgatar ao passado: R5, R4 e Twingo.

Mas porquê agora, numa fase em que os pequenos citadinos parecem estar a desaparecer? A Renault defende que o segmento A não está a perder interesse por parte dos clientes, mas sim porque faltava oferta. O novo Twingo é precisamente a resposta a essa lacuna.

Fiel às origens

Depois de uma terceira geração que, na minha opinião, não respeitou em nada o ADN do original, este novo Twingo parece corrigir o rumo. Manteve-se muito próximo do protótipo mostrado em 2023 e dos valores do modelo, e isso nota-se logo à primeira vista.

A frente é imediatamente reconhecível, com uma expressão simpática e jovial, quase como se estivéssemos perante uma pequena personagem animada, com uma cara (a grelha inferior) e dois olhos (os faróis). Já no Twingo original isso era uma marca muito própria, e é bom ver que a Renault quis preservá-la.

Mas há mais pormenores. Destaco, por exemplo, as três entradas de ar simuladas no topo do capô, os faróis arredondados e o capô curto e inclinado, que reforça a imagem compacta.

De perfil, além das cavas das rodas mais salientes, para acentuar a sensação de largura, há dois aspetos a notar: o primeiro são os puxadores, já que infelizmente a Renault não manteve o formato circular dos puxadores do modelo original (nem do protótipo); o segundo é que, ao contrário do Twingo inicial, este novo modelo é um cinco portas.

Quanto às jantes, as versões de série vão trazer tampas de rodas de 16’’, mas haverá jantes opcionais de 18 polegadas. Sinceramente, acho que as mais pequenas são as que melhor assentam neste citadino. E, previsivelmente, também serão mais confortáveis.

Na traseira, para além da assinatura luminosa bem arredondada, o que mais chama a atenção é o vidro da mala, que, ao contrário do que acontecia no Twingo original, já não abre de forma independente.

Pequeno por fora, grande por dentro

Ok, talvez seja exagero: o Twingo não é grande. Mas o espaço no habitáculo é mesmo surpreendente. Apesar de ser 13 cm mais curto do que o Renault 5, com 3,79 metros de comprimento, consegue ser, por exemplo, mais espaçoso atrás.

Parece estranho, mas há uma explicação simples: os bancos traseiros independentes assentam numa calha com 17 cm, o que lhes permite deslizar para a frente ou para trás consoante a necessidade de espaço.

A versatilidade é, por isso, uma das palavras que melhor descreve o interior do Twingo, que aqui também se mantém fiel ao modelo lançado em 1992. Tanto que, com as costas do banco do passageiro da frente rebatidas e um dos lugares traseiros também dobrado, é possível levar objetos com 2 metros de comprimento.

Mas há mais. A bagageira pode chegar aos 360 litros, com os bancos traseiros totalmente recuados e já incluindo cerca de 50 litros escondidos sob o piso da carga, e pode atingir os 1000 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Mas não é só de espaço e versatilidade que se faz o interior do novo Twingo, que apresenta um ambiente simples, moderno e cheio de tecnologia. Sobretudo tendo em conta a faixa de preço em que a Renault o quer posicionar.

Traz o sistema OpenR Link que já conhecemos dos modelos mais recentes da marca francesa, com Google integrado e ecrã duplo: um de 7” para a instrumentação e outro de 10” para o infotainment, com Google Maps, Google Assistant e acesso a mais de 100 aplicações através da Play Store.

Além disso, há ainda o assistente virtual Reno, também conhecido dos Renault 5 e 4, com integração do ChatGPT, capaz de ajudar em tarefas tão simples como ajustar a temperatura do habitáculo ou mudar entre os vários modos de condução.

Ainda assim, gostava que a Renault tivesse sido mais ousada nas cores do interior: afinal, essa vertente mais divertida sempre fez parte da imagem deste modelo. Mas isso pode ser compensado com a vasta linha de acessórios que a marca desenvolveu para o Twingo.

Esta autonomia é suficiente?

Assente na mesma plataforma que serve de base ao Renault 5, o novo Twingo recorre a um motor elétrico dianteiro com 60 kW (82 cv) e 175 Nm de binário máximo. Pode parecer pouco, mas convém lembrar que estamos a falar de um citadino com cerca de 1200 kg.

Por isso mesmo, segundo a Renault, o novo Twingo será capaz de acelerar dos 0 aos 50 km/h em 3,85 s e chegar aos 100 km/h em 12,1 s, com velocidade máxima de 130 km/h.

Para a bateria, e para manter o preço controlado, a marca francesa optou pela primeira vez por um pack com química LFP, com 27,5 kWh úteis, que permitem até 263 quilómetros de autonomia (com as jantes de 16”).

Pode não ser um valor que impressione, mas se tivermos em conta que a grande maioria dos clientes europeus faz menos de 50 km por dia, então percebe-se que dificilmente isto será um problema, desde que não queiram viajar.

Mesmo assim, seria interessante ver a oferta crescer no futuro, com a chegada de uma versão com bateria de 40 kWh. Se isso não acontecer, não será por falta de espaço nesta plataforma.

Quanto aos carregamentos, o Twingo vai aceitar até 6,6 kW em corrente alternada (AC), o suficiente para carregar dos 10 aos 100% em cerca de 4h15min (o cabo Modo 3 está incluído).

Opcionalmente, com o Advanced Charge Pack (ainda sem preço anunciado), a potência sobe para 11 kW em AC (carga completa em 2h35min) e para 50 kW em corrente contínua (DC), permitindo carregar dos 10 aos 80% em 30 minutos.

Preço é trunfo importante

Com chegada a Portugal marcada para o final do primeiro semestre de 2026, o Renault Twingo terá um preço base inferior a 20 mil euros. E esse será um dos seus maiores trunfos.

Resta perceber como este pequeno citadino se vai comportar em estrada, algo que só ficará claro nos primeiros meses do próximo ano, quando o conduzirmos pela primeira vez.

A julgar pelo que a Renault fez com o 5 e com o 4, podemos esperar um elétrico agradável de conduzir, eficiente e com alguns apontamentos de diversão.

Ainda assim, há uma diferença importante a ter em conta: por uma questão de contenção de custos, a Renault não usou o sistema multi-link do R5 no eixo traseiro, optando antes pela barra de torção do Captur.

Como isto se vai refletir na estrada, só saberemos quando o conduzirmos. Mas, para já, olhando para este Twingo, só me ocorre dizer uma coisa: bom trabalho, Renault!

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário