A agressividade ao volante já não é apenas um desabafo ocasional de quem apanha trânsito: está a tornar-se um padrão preocupante. Vários estudos têm mostrado que os episódios de hostilidade na estrada estão a aumentar. Segundo dados do Conselho Alemão de Segurança Rodoviária (DVR), só em 2024 foram registados mais de 37 mil casos de coação nas estradas alemãs, mais 3,5% do que em 2023.
E este não é um problema confinado à Alemanha. A tendência repete-se em vários países e Portugal não foge à regra.
A realidade do tráfego português também reflete níveis elevados de agressividade entre os condutores, segundo um estudo realizado pela Continental Pneus Portugal, e partilhado pela associação de Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP).
Uma realidade normalizada
Apesar de se falar pouco no tema, segundo a associação portuguesa, trata-se de uma realidade que tem vindo a ser encarada como normal. Nas estradas portuguesas, comportamentos como buzinar, fazer gestos agressivos, bloquear a circulação e realizar ultrapassagens perigosas são comuns, e há números que o confirmam.
Com base no estudo da Continental, 27% dos condutores portugueses adotam comportamentos agressivos e hostis ao volante, e cerca de 70% buzinam por zangas. Há ainda quem faça gestos ofensivos para outros condutores (26%) ou, inclusive, grite (35%).
Qual é a razão?
Segundo a PRP, estas situações espelham, na maioria, a sociedade atual, que é cada vez mais marcada pelo stress, pela pressa e pela frustração. Estes comportamentos irracionais e de descarga emocional colocam em risco a vida dos próprios condutores e de outros utentes da estrada.
Os principais fatores que dão origem a estas reações são a frustração com o trânsito intenso ou os congestionamentos e/ou o tempo de espera prolongado nos semáforos, entre outros.
Há solução?
Numa sondagem realizada recentemente na Alemanha, apurou-se que 63% das pessoas defendem penas mais duras, como a aplicação de multas, perda de pontos ou, em casos extremos de agressividade no trânsito, a cassação ou suspensão da carta de condução.
Além disso, há ainda quem destaque a importância da sensibilização através das redes sociais e dos média, bem como a inclusão de um módulo sobre gestão da agressividade no período de formação dos novos condutores.
Em comunicado, a Prevenção Rodoviária Portuguesa defende alguns destes princípios que devem ser aplicados também em Portugal, destacando os seguintes:
Mais formação sobre empatia e respeito mútuo na condução;
Integração de módulos comportamentais nos exames de condução;
Campanhas públicas que valorizem o civismo e a tolerância na estrada;
Apoio à educação rodoviária desde cedo, incluindo o papel dos pais como modelos de comportamento.
“A segurança rodoviária é uma responsabilidade partilhada que deve ser pautada pelo respeito das regras de trânsito e da adoção de comportamentos seguros que permitam (…) uma partilha harmoniosa do espaço rodoviário entre todos os utentes da estrada.”
Prevenção Rodoviária Portuguesa
Noutro comunicado, a PRP revelou que, em 10 anos, o número de mortes resultantes de acidentes rodoviários diminuiu apenas 0,6%, colocando Portugal entre os países com pior desempenho na redução da mortalidade rodoviária. Ora veja:
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