Saltar para o conteúdo

António Nunes da Silva: 2025 foi “o melhor ano de sempre” da Golden Wealth Management com €2 mil milhões

Três pessoas em reunião de negócios analisando gráfico de crescimento num tablet numa sala iluminada.

António Nunes da Silva é conhecido pela discrição: dá poucas entrevistas e admite que, quando encontra clientes em restaurantes ou noutros espaços públicos, muitas vezes opta por não os cumprimentar para assegurar confidencialidade absoluta. A partir do Porto, acompanha algumas das maiores fortunas portuguesas, avaliadas em vários milhões de euros.

Na liderança executiva da Golden Wealth Management, afirma que 2025 foi “o melhor ano de sempre”, depois de a casa ter alcançado €2 mil milhões de ativos sob acompanhamento (em 2024 eram €1,6 mil milhões). Com este marco, reforça-se como uma gestora de ativos independente, entre as maiores fora do universo das sociedades suportadas por bancos.

"Nós demorámos 20 anos a atingir os primeiros mil milhões [de ativos sob gestão]. Os segundos mil milhões fizemos em cinco anos. O sentimento que temos é que a nossa capacidade de servir os clientes acaba por ser exponencial", explica António Nunes da Silva, em entrevista ao Expresso, preferindo não avançar com novas metas. "Acreditamos que podemos continuar esta viagem", acrescenta. As contas de 2025 ainda não estão encerradas, mas o responsável adianta que a empresa registou uma faturação de €17 milhões.

Negócios que compõem os €2 mil milhões acompanhados

Dentro dos €2 mil milhões sob acompanhamento coexistem várias linhas de atividade. Na gestão de fortunas, a empresa trabalha com clientes com património superior a €1 milhão - um segmento em que conta com 500 clientes. A isto juntam-se o aconselhamento financeiro e a Golden SGF, marca através da qual disponibiliza fundos de pensões e planos-poupança reforma (PPR), com entradas mínimas de €1000. O peso de clientes estrangeiros é descrito como “muito poucos”.

PPR da Golden: rentabilidade e decisões de investimento

No ano passado, a Golden geriu o PPR mais rentável em Portugal, com cerca de 28% de rentabilidade, segundo a APFIPP (Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios), e conseguiu ainda colocar quatro dos cinco melhores PPR do mercado nas respetivas categorias de risco. "Isto resultou da nossa visão sobre os desafios que existiam na economia", justifica.

Entre as escolhas que suportaram esse resultado esteve a decisão de não ter exposição às tecnológicas norte-americanas no ano anterior, apesar do forte desempenho bolsista do setor. Em contrapartida, foi assumida uma aposta relevante em ouro, tanto de forma direta como via empresas mineiras. A carteira manteve ainda uma exposição superior à Europa e ao Japão do que aos Estados Unidos. “Temos alguma dificuldade em investir em ativos onde não conseguimos perceber o valor real”, explica.

Os PPR tornaram-se uma peça central do crescimento da Golden. Nesta área, a empresa acompanha mais de 25 mil clientes, funcionando também como um veículo de democratização da sua abordagem de investimento. “Investir num PPR significa replicar uma visão de médio e longo prazo aplicada aos clientes de maior património”, diz o CEO, salientando que a mesma equipa de gestão trabalha para todos os segmentos.

Segundo António Nunes da Silva, a diferença face ao resto do mercado torna-se clara quando se olha para a média: “70% a 80% dos PPR perdem constantemente para a inflação”. Na sua leitura, o fator determinante está numa gestão ativa da carteira de ativos.

Uma história de 25 anos

A Golden nasceu há 25 anos, criada por um grupo de fundadores que “saíram da faculdade com vontade de fazer alguma coisa na área financeira” e que compraram uma licença de intermediário financeiro. Mantêm-se como acionistas, embora já afastados do dia a dia executivo. O projeto começou como uma gestora de ativos tradicional, mas foi mudando ao longo do tempo. António Nunes da Silva entrou como presidente em 2014, vindo do banco Barclays.

Essa transformação exigiu rever, em profundidade, a forma como se olha para o património. “Hoje acompanhamos os clientes na gestão do seu património financeiro, mas também ajudamos a estruturar todo o seu património, incluindo imobiliário e empresarial”, descreve. A lógica deixou de estar centrada apenas na carteira para passar a privilegiar uma visão integrada da riqueza.

Ao longo destas duas décadas e meia, a Golden atravessou vários ciclos de crise - das empresas ponto-com à crise financeira, da pandemia aos choques geopolíticos mais recentes. Para o gestor, este histórico reforçou a confiança como o elemento mais valioso na relação com os investidores. “Todos os dias temos de trabalhar o tema da confiança, que ficou de alguma forma abalada nos investidores portugueses.”

“Nós gostamos de perguntar aos clientes qual é o objetivo que têm para o seu dinheiro”, afirma. A partir dessa resposta, é desenhada uma carteira alinhada com uma meta específica, que pode implicar objetivos de retorno muito diferentes - de 2% a 10% ao ano - consoante o perfil e o horizonte temporal.

Crescer em tempos de crise

António Nunes da Silva refere que a Golden tende a ser mais procurada quando o contexto se torna adverso. Explica que, "quando as coisas estão bem, quando os mercados estão positivos, a capacidade das pessoas de perceberem quem gere melhor é muito mais reduzida. Entre uma carteira que subiu 5% e uma subiu 7%, não se consegue ter grande perceção das diferenças". Já quando o mercado piora, "as pessoas percebem quem gere e se prepara para momentos destes", afirma.

Esta lógica ajuda a enquadrar a filosofia de investimento da casa, deliberadamente afastada do consenso. “Não nos preocupamos com o referencial”, diz António Nunes da Silva. “Quem está exposto aos mercados passa por muitos ciclos”, recorda. Daí que a prioridade seja preparar as carteiras antes das crises, reduzindo a probabilidade de decisões emotivas durante quedas.

Para a frente, a ambição passa por reforçar o ecossistema de gestão patrimonial em Portugal, com uma aposta que inclua mercados privados, imobiliário e soluções de diversificação mais sofisticadas. “Quem não nos diz que o próximo milhar de milhão virá nos próximos dois a três anos?”, questiona, admitindo que o ritmo poderá mesmo acelerar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário