A decisão da Liga dos Campeões africanos vai ter, pela primeira vez, dois treinadores portugueses em lados opostos, num duelo que começa a ganhar forma amanhã, em Pretória (África do Sul). Com este embate, Manuel José - tetracampeão pelo Al Ahly (Egito) entre 2001 e 2008 - deixará de ser o único português a erguer o troféu, passando finalmente a ter companhia.
Final da Champions africana com Miguel Cardoso e Alexandre Santos
Miguel Cardoso chega ao jogo decisivo pela terceira época seguida e repete a presença na final ao comando do campeão sul-africano Mamelodi Sundowns. Do outro lado estará Alexandre Santos, que se estreia numa final à frente do FAR Rabat, emblema marroquino que não atingia esta fase há mais de 40 anos. Ambos tentam também inverter uma sequência recente de desilusões lusas no encontro decisivo: além de Cardoso, que viu o título fugir nas duas últimas edições - em 2023/24, pelo Espérance Tunis -, também Jaime Pacheco caiu na final de 2020.
Um campeão português será inevitável
Desta vez, não há “mau olhado” que trave um desfecho feliz à portuguesa, já que o vencedor será obrigatoriamente um dos dois. A confirmação chegará apenas daqui a uma semana, na segunda mão, em Rabat, num momento que coroará um percurso já sólido no futebol africano.
Alexandre Santos levou o Petro Luanda a três títulos em Angola, entre 2021 e 2024. Miguel Cardoso, por sua vez, já foi campeão em Marrocos e na África do Sul. "São três épocas muito boas e ganhar esta final seria o corolário desse trabalho", aponta o treinador do Sundowns, ao JN.
Primeira mão em Pretória, decisão em Rabat
Sobre a final, Miguel Cardoso admite confiança num desfecho diferente do vivido nas duas tentativas anteriores. "Temos vitórias sobre as melhores equipas do continente e é com essa confiança que vamos disputar a final. Esperamos que desta vez os detalhes nos permitam ganhar", acrescenta, embora saliente que atuar a segunda mão fora "é um fator importante". "O segundo jogo é muito mais preparado como uma final do que o primeiro, que nada decide. Compete-nos conseguir um resultado positivo na primeira mão", diz.
FAR Rabat reivindica ambição e legitimidade
No campo oposto, Alexandre Santos destaca a bagagem e a qualidade do adversário, sem abdicar da ambição do FAR. "O Mamelodi Sundowns é uma das melhores equipas africanas da última década, enquanto o FAR tem menos presenças nesta competição, é menos experiente, mas a ambição e a confiança que nos move permite que isso não se note no campo", afirma, recordando ainda que o historial recente do clube marroquino na prova não é particularmente expressivo. "Neste século, o FAR chegou apenas por uma vez aos quartos de final e foi na época passada", referiu.
Sundowns e FAR Rabat vão à procura do segundo título continental das respetivas histórias, depois de terem sido campeões africanos em 2016 e 1985, respetivamente. Quem vencer sucederá ao Pyramids como rei de África.
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