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OMS procura até 98 passageiros após morte por hantavírus em voo Airlink de Santa Helena para Joanesburgo

Homem a trabalhar num portátil no aeroporto com avião ao fundo e máscara ao lado da secretária.

Surto associado ao cruzeiro MV Hondius

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está a acompanhar um surto preocupante de hantavírus relacionado com o navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira neerlandesa, que zarpou de Ushuaia, na Argentina, a 1 de abril. O surto levanta a possibilidade de transmissão de pessoa para pessoa.

O marido da mulher que viria a morrer foi o primeiro a apresentar sintomas, a 6 de abril, com febre, dor de cabeça e diarreia ligeira. Em poucos dias, evoluiu para insuficiência respiratória e morreu a 11 de abril.

Após 18 dias de viagem, o navio fez escala em Santa Helena. Aí, o corpo do homem foi desembarcado e a esposa acompanhou o processo, já com sintomas gastrointestinais.

Voo da Airlink e rastreio de contactos pela OMS

No dia seguinte, a mulher embarcou no único voo comercial semanal operado pela Airlink, de Santa Helena para Joanesburgo, na África do Sul, num Embraer E190. Durante o voo, o seu estado agravou-se; acabou internada num hospital sul-africano, onde morreu. A infeção por hantavírus só foi confirmada nove dias depois, através de um teste PCR.

Perante este cenário, a OMS procura com urgência até 98 passageiros que terão passado mais de quatro horas sentados junto da mulher no avião, uma vez que a passageira viajou apenas um dia antes de falecer.

Transmissão, casos adicionais e avaliação de risco

Segundo a OMS, o hantavírus é contraído sobretudo por contacto com urina, fezes ou saliva de roedores infetados. Apesar de ser raro, existem relatos limitados de transmissão entre humanos em surtos anteriores do vírus Andes, que circula na região dos Andes - zona onde o casal esteve de férias.

Neste momento, suspeita-se que possa ter ocorrido transmissão tanto entre passageiros do cruzeiro como entre pessoas que estiveram no voo da Airlink. Até agora, registou-se uma terceira morte a bordo do navio, a 2 de maio, e um passageiro do sexo masculino permanece em estado grave na UCI. Outros três casos suspeitos estão a ser monitorizados a bordo.

Entretanto, o navio pediu autorização para atracar em Cabo Verde, mas o pedido foi recusado. O Governo espanhol convidou a embarcação a dirigir-se às Ilhas Canárias, onde equipas médicas aguardam para prestar assistência.

O período de incubação do hantavírus pode ir até oito semanas. Ainda assim, a OMS considera atualmente que o risco global é baixo, mantendo vigilância contínua da situação epidemiológica e atualizando as avaliações à medida que surjam novos dados.

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