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Paris quer aumentar as tarifas de estacionamento para SUV: referendo a 4 de fevereiro de 2024

Homem junto a parquímetro entre carros estacionados com Torre Eiffel ao fundo numa rua movimentada de Paris.

Tal como a França já começou a aplicar uma taxa baseada no peso dos automóveis novos, a cidade de Paris poderá estar a considerar uma medida semelhante como forma de reduzir o número de SUV a circular e a estacionar nas suas ruas.

A iniciativa da Câmara de Paris surge num contexto em que os SUV ganharam uma popularidade muito marcada em todo o país. Ao longo dos últimos 10 anos, a procura por este tipo de viatura multiplicou-se por sete em França e, neste momento, os SUV já representam 40% das vendas de automóveis novos.

É uma tendência que aparenta ter margem para continuar a crescer, mas que Anne Hidalgo, Presidente da Câmara de Paris, pretende travar.

Porque é que Paris quer limitar os SUV

Segundo Hidalgo, os SUV emitem cerca de 20% mais poluição do que automóveis equivalentes, algo que atribui às suas maiores dimensões e ao peso superior. A autarca defende ainda que são mais perigosos para os peões: um estudo do Instituto de Seguros para a Segurança Rodoviária (EUA) conclui que, em caso de atropelamento, as lesões corporais podem ser até 50% mais graves.

A solução para tirar os SUV da cidade

A resposta avançada pela Presidente da Câmara de Paris passa, assim, por agravar de forma significativa as tarifas de estacionamento para veículos de grandes dimensões - ou SUV especificamente identificados - usando o peso como critério diferenciador.

E como determinar se um carro estacionado cumpre (ou não) os limites definidos? Através da leitura da matrícula com um leitor, que permite identificar marca e modelo e, por essa via, apurar também o peso do veículo.

A proposta municipal fixa um teto de 1600 kg para veículos a combustão ou híbridos de carregamento externo, e de 2000 kg para veículos elétricos. Quem ultrapassar estes valores será penalizado. A L’Automobile Magazine indica quem deverá ser mais afetado:

  • Proprietários de carros a combustão ou híbridos recarregáveis com 1,6 toneladas ou mais;
  • Proprietários de veículos elétricos com duas toneladas ou mais;
  • Visitantes não parisienses com um SUV que exceda o peso regulamentar;
  • Residentes parisienses e profissionais com um SUV que exceda o peso regulamentar, quando estacionem fora da sua área de estacionamento residencial.

Vozes contra

A proposta será submetida a referendo local no próximo dia 4 de fevereiro de 2024, mas tem motivado críticas de diferentes setores.

A Ligue de Défense des Conducteurs (associação de automobilistas), por exemplo, classifica o projeto como “pouco realista”. A associação sustenta que o aumento do tamanho e do peso dos automóveis decorre sobretudo da evolução global do setor, apontando como exemplos exigências de segurança e de conforto.

David Belliard, vice-presidente da Câmara de Paris, contesta estes argumentos e afirma querer que os construtores deixem de produzir SUV, defendendo que são demasiado caros, mais poluentes e pouco adequados aos centros urbanos, onde o espaço é reduzido.

A mesma Ligue de Défense des Conducteurs acrescenta que a medida acabará por penalizar sobretudo as famílias, já que a procura por este tipo de viatura está ligada, em grande parte, às necessidades de espaço.

Quem fica fora das penalizações

Ainda assim, a Câmara de Paris sublinha que a medida não afetará residentes parisienses e profissionais que estacionem dentro da sua zona residencial, motoristas de táxi nos locais reservados, artesãos, profissionais de saúde elegíveis, nem veículos com dístico de estacionamento para pessoas com deficiência.

De forma previsível, também não serão abrangidos os veículos a combustão ou híbridos de carregamento externo com menos de 1,6 toneladas, bem como os elétricos com menos de duas toneladas.

Fonte: Le Point, Notícias do Setor Automóvel

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