A Força Aérea da Ucrânia divulgou há pouco um vídeo que documenta a operação de caças Mirage 2000-5 cedidos pela França, desdobrados em bases avançadas e equipados apenas com mísseis Magic 2. De acordo com um piloto ucraniano, estas aeronaves estarão a alcançar 98% de eficácia na derrube de drones e mísseis de cruzeiro russos, embora, para já, não existam dados independentes que validem essa percentagem.
Nas imagens, o Mirage 2000-5 surge a operar num aeródromo de desdobramento avançado. O pessoal de manutenção explica que se trata da terceira mudança de posição da unidade numa semana, uma prática normal para reduzir o risco de ataques em terra. Segundo o técnico entrevistado, o local anterior foi atingido por drones Shahed e por mísseis, mas a retirada decorreu sem perdas.
O piloto que aparece no vídeo tinha voado antes o Su-27, antes de ser enviado para França para completar seis meses de formação nos Mirage 2000B e Mirage 2000-5. Sobre o aparelho, afirmou que as suas “impressões sobre este avião são extremamente positivas” e que “a eficácia na interceção de drones e mísseis inimigos com este avião é de 98%. São números impressionantes”.
Num dos caças filmados, são visíveis seis marcas de abates de mísseis de cruzeiro, identificados como Kh-101. O piloto confirmou que correspondem a interceções já efetuadas e acrescentou que há mais seis abates ainda não contabilizados, porque “nem sempre há registos […] em bases avançadas”.
O piloto salientou também a necessidade de modernizar a frota com armamento de maior alcance, sublinhando que o Mirage 2000-5 tem limitações quando comparado com os F-16 igualmente em serviço na Ucrânia.
“Na minha opinião, e na dos meus colegas pilotos, este avião carece de armas ar-ar de maior alcance”, explicou. “Algo entre eficiência e custo, para que possamos enfrentar a enorme quantidade de ameaças aéreas inimigas com que lidamos”.
Atualmente, os Mirage ucranianos operam com dois mísseis Magic 2 guiados por infravermelhos, dois depósitos externos de combustível - pintados de azul e amarelo para facilitar a identificação - e os dois canhões internos de 30 mm. O técnico entrevistado descreveu o Magic 2 como a “parte principal” do armamento do avião e garantiu que “tem funcionado de forma excecional. A sua probabilidade de acerto é praticamente 100%”.
O Mirage 2000-5 pode empregar mísseis MICA IR e MICA RF, embora não tenha sido indicado se a Ucrânia irá receber estes sistemas.
Mirage 2000-5 da Força Aérea da Ucrânia: Rafale, Gripen e a modernização futura
O piloto ouvido também manifestou a sua preferência no que toca a futuras plataformas: “Se tivesse a oportunidade de passar para outro avião superior ao Mirage, provavelmente escolheria o Rafale”. Entre os motivos, apontou que a adaptação seria mais rápida e que o Rafale pode lançar o míssil Meteor, de longo alcance.
Em novembro, a Ucrânia e a França assinaram uma Carta de Intenção para a eventual aquisição de até cem caças Rafale, embora as primeiras entregas não devam ocorrer antes de 2029 e a frota completa possa ficar operacional em 2035. O documento inclui armamento compatível, mas os detalhes não foram divulgados.
Além disso, o país mantém negociações com a Suécia para a compra de mais de cem Gripen, num acordo que poderá combinar aeronaves de fabrico novo com possíveis transferências iniciais de Gripen C/D. Os pilotos ucranianos já efetuaram voos de teste na Suécia desde 2023.
Entregas adicionais de Mirage 2000-5
Em agosto de 2025, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Dmytro Kuleba indicou ao jornal Le Monde que a França estava a avaliar a transferência de mais dez Mirage 2000-5, elevando o total para 20 aeronaves. Segundo explicou, estas unidades estão a ser modificadas na Base Aérea de Cazaux para reforçar o seu papel em missões de ataque e melhorar a resistência a interferências eletrónicas.
Kuleba sublinhou que se trataria de um reforço relevante para manter as capacidades aéreas, embora tenha avisado: “não será suficiente para mudar o curso da guerra”. A França ainda não confirmou oficialmente a entrega destas aeronaves.
Uma transição em curso
Embora o foco imediato esteja na integração de F-16 e Mirage 2000-5, a Ucrânia avança com acordos para definir a composição da sua aviação de combate no longo prazo. França e Suécia são, por agora, os parceiros centrais nesta estratégia, enquanto as aeronaves atualmente em serviço continuam a operar de forma intensa na defesa aérea.
Os Mirage 2000-5, apesar das limitações de armamento, estão a desempenhar um papel ativo na interceção de drones e mísseis russos através da utilização dos seus mísseis Magic 2, de acordo com dados divulgados pela própria Força Aérea ucraniana.
Imagens meramente ilustrativas.
Pode interessar: Os caças MiG-29 da Força Aérea da Ucrânia já utilizam as bombas planadoras GBU-62 JDAM-ER fornecidas pelos EUA
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário