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Congelamento de ovócitos em Portugal: o essencial para decidir

Mulher em consulta médica a discutir exame ginecológico com médica num consultório iluminado.

Consultório de Sexualidade, por Mafalda Cruz, radioncologista e sexóloga.

"Tenho 32 anos, ainda não estou pronta para ter filhos, mas começo a sentir pressão devido à idade. Já ouvi falar em congelar óvulos, mas não sei bem em que consiste nem se faz sentido para mim. O que devo saber?"
Joana Quintela

Cada vez mais mulheres depois dos 30 partilham esta inquietação. A vontade de ser mãe existe, mas nem sempre há um parceiro com quem pareça acertado avançar; por vezes falta preparação, ou ainda não existe a estabilidade emocional, profissional ou financeira desejada. O desafio é que a fertilidade feminina não se ajusta ao “momento perfeito”.

Porque a fertilidade muda com a idade

A partir dos 35 anos, a descida da fertilidade tende a tornar-se mais marcada. É neste contexto que surge a preservação social de ovócitos: recolher e congelar ovócitos numa fase em que a pessoa é mais fértil, para poder recorrer a eles no futuro.

Como funciona o congelamento de ovócitos

O primeiro passo passa por uma consulta com um especialista em fertilidade, onde é feita a avaliação e solicitados exames para perceber a reserva ovárica. Depois, segue-se uma fase de estimulação hormonal, durante cerca de 10 dias, com o objectivo de fazer com que os ovários produzam vários ovócitos no mesmo ciclo.

A colheita é feita através de um procedimento breve, habitualmente com sedação: aspiram-se os folículos e recolhem-se os ovócitos. Já em laboratório, seleccionam-se os ovócitos maduros e procede-se ao seu congelamento a temperaturas muito baixas, podendo ficar armazenados durante anos.

Importa sublinhar que congelar ovócitos não significa garantir uma gravidez no futuro. Ainda assim, pode aumentar a probabilidade de conseguir engravidar mais tarde, sobretudo quando a preservação acontece antes dos 35 anos.

Limites, custos e contexto em Portugal

Em Portugal, este procedimento está disponível em clínicas privadas, mas não é comparticipado pelo SNS. Esta realidade levanta uma questão relevante: até que ponto o planeamento reprodutivo não deveria também ser entendido como um tema de saúde pública?

A preservação de ovócitos, por si só, não elimina as razões que levam tantas mulheres a adiar a maternidade - como a precariedade laboral, salários baixos ou a dificuldade em conciliar carreira e família. Ainda assim, para muitas, pode representar uma forma de ganhar tempo, aliviar a ansiedade e tomar decisões reprodutivas com menos pressão e maior liberdade.

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